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Saudades falaram mais alto e o “Jovem” está de regresso

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  • Houve tempos em que o areal se enchia de turistas para ver a arte de pesca em acção, a rede a sair do mar e o peixe, cor de prata, a saltitar na areia.

A pesca tradicional com recurso à arte xávega está de regresso à praia do Furadouro. Esta técnica de pesca, praticada também em outras praias do concelho e da região, deixou de ser praticada em 2019, quando o “Jovem”, barco da xávega que operava no Furadouro, rumou à praia de São Jacinto.

Na altura, Paulo Rodrigues Correia, proprietário do barco, era o rosto da desilusão e apontou ao OvarNews duas ordens de razões para tão drástica decisão. “No Furadouro não temos tido muita sorte com o peixe”, explicando que a mudança visava “tentar melhor sorte em São Jacinto que é, neste momento, uma zona mais piscatória”.

O “Jovem” está de regresso, juntando-se às companhas actualmente em actividade no Torrão do Lameiro e em Cortegaça, usando a técnica de pesca tradicional que consiste na utilização de uma rede de cerco envolvente que é lançada no mar e depois puxada para terra.

Paulo Rodrigues Correia disse ao nosso jornal que “o regresso foi motivado por um desejo forte de estar na nossa terra” e além disso, porque “nos foi prometida ajuda pela Câmara Municipal de Ovar”. O Município conseguiu, finalmente, terminar o regulamento das artes tradicionais, que prevê apoios para a sua preservação e a companha de pesca quer aproveitar. “Já me candidatei e foi para aprovação”, adiantou.

O “Jovem” fez-se ao caminho de regresso e no passado dia 3 deste mês já estava pousado no areal do Furadouro ansioso por se fazer ao mar de Ovar.

Houve tempos em que o areal se enchia de turistas para ver a arte de pesca em acção, a rede a sair do mar e o peixe, cor de prata, a saltitar na areia.

A arte xávega, essa técnica de pesca tradicional em que é utilizada uma rede de cerco, lançada ao mar e depois puxada para terra, resiste com dificuldades. “É o único tipo de pesca que não tem ajudas. Trabalhamos quatro meses no Verão e nos restantes não temos direito a nada”. E se o mar não deixa, os barcos ficam em terra.

Paulo informa que o “Jovem” está a trabalhar com 5 tripulantes, incluindo o arrais, mais o pessoal de terra e, até ver, “está a correr benzinho, porque temos trabalhado um bocadinho todos os dias”.

Nos séculos XVIII e XIX, as praias de Ovar eram o principal centro da prática de pesca com rede e alagem para terra. Há muito que a arte xávega marca a identidade vareira e, portanto, há que salvaguardá-la. Mais do que uma tipologia de pesca que se quer perpetuar, é um modo de vida enraizado nas comunidades que vivem ao pé do mar que se quer valorizar.

O Município, em tempos manifestou vontade de avançar com uma candidatura da arte xávega a Património da Humanidade, mas com a saída de Ana Paula Reis nada mais se soube. Os pescadores tinha esperança que isso trouxesse uma maior visibilidade à arte xávega e benefícios à comunidade piscatória.

Publicado por Fernando Sardo em Quarta-feira, 3 de junho de 2020

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