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Sérgio Godinho esteve “À Conversa” no Museu de Ovar

O escritor de canções Sérgio Godinho, desta vez não veio a Ovar cantar, mas falar da sua mais recente obra de ficção, o livro de contos que tem por título “Vida Dupla”.

No entanto, foi inevitável abordar a sua vida dedicada às canções, em que esta cidade já foi palco no roteiro dos seus espectáculos.

No dia 20, à noite, no Museu de Ovar, perante uma plateia muito bem composta por diferentes gerações fãs das letras e da interpretação de Sérgio Godinho, que começam igualmente a despertar para a sua vertente literária, o escritor ovarense Carlos Oliveira apresentou o artista convidado como “um ídolo da minha infância” que “com a sua simplicidade está aqui no Museu”.
Ainda que se trate de um autor multifacetado, uma vez que, para além das canções, Sérgio Godinho já publicou obras de diferentes géneros, como, “Kilas, o mau da fita” (guiões de cinema), “Sangue por um fio” (poesia), “O pequeno livro dos medos” (histórias para a infância, que inclui o Plano Nacional de Leitura), “Eu tu ele nós vós eles” (peças de teatro) ou “Caríssimas quarenta canções” (crónicas), entre outros exemplos.

O primeiro desafio lançado por Carlos Oliveira a Sérgio Godinho, nesta sessão que inaugurou um novo ciclo do “À Conversa no Museu”, faria girar quase duas horas de animada conversa sobre a opção de escrever contos que se estreia no livro “Vida Dupla” editado pela Quetzal.

“Fui encontrando através dos contos que escrevi, uma linguagem própria”,  começou por afirmar o escritor convidado, referindo-se aos nove contos que compõem o livro, “narrados na primeira pessoa” e “com sentido poético”, como uma maneira de se meter na pele de outros, mesmo não tendo de gostar particularmente das personagens, em que, como disse, “tentei que se encontra-se o amago sem recorrer aos nomes dos personagens”.

Uma “escolha estilística” que assumiu, sem deixar de afirmar que os personagens, “não são fantasmas. São reais!” Trata-se, como acrescentou, de uma “linguagem simbólica, que é minha!”, realçando ainda, “o prazer que me deu no contexto social ou histórico… quando uma personagem começa a interpelarmo-nos” e como reconheceu, “em quase todos os contos há um momento de interpelação”.

Do homem que deixa a sua casa todas as noites, para dormir misteriosamente ao relento como um sem-abrigo, ao carrasco que, mesmo habituado a lidar com a morte, reflete sobre o sentido da existência. São algumas das histórias apresentadas em Vida Dupla, “uma só palavra, porque não se pode separar o que é duplo na nossa vida” referiu o autor a propósito do título do seu livro.

Admitindo que vai acabar por escrever romance, Sérgio Godinho, que vai estar presente na 16º edição de Correntes D’Escrita na Povoa do varzim (25 a 28 de fevereiro), ainda considerou que o conto em Portugal está de certa forma desvalorizado. Um lamento que vem repetindo em sessões do género.

Carlos Oliveira, através da iniciativa “À Palavra no Museu” continua a proporcionar marcantes momentos culturais e literários na cidade, tendo o director Manuel Cleto manifestado mais uma vez a mais-valia que representam para a instituição a que preside, estas iniciativas dinamizadas pelo autor de literatura infantil e poesia, que assim promove uma maior proximidade e diálogo entre escritores e leitores.

José Lopes

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