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Tocha e Pestana “incendeiam” uma Casa Ovarense

Tochapestana não tem princípio nem fim, sempre existiu como possibilidade e matéria. Tudo o que Tocha e Pestana são, desde que nasceram, até se juntarem em palco, perante um desafio de animar uma festa num Museu que calha de ser alusivo ao escritor Júlio Dinis, em Ovar, junto a um tanque, um microfone com efeitos, duas coristas e uma guitarra em cima de um palco improvisado.

O impulso genuíno e a paixão que dedicam à missão que lhes incutiram, animar uma festa, tal qual os tradicionais duos de baile portugueses tão bem fazem, continua a assistir-lhes. O que é extraordinário é que esta dupla deixou maturar o seu engenho, não se deixando consumir pela pressa e não perdendo de vista o seu impulso original, adicionando contínuas camadas de inspirações musicais e de texturas anológico-digitais.

Agora, Tochapestana é muito mais do que um simples duo de teclado, guitarra e voz, é uma super espectáculo de máquinas e efeitos, de beats e rimas, de riffs e de slogans emblemáticos que ressoam no imaginário popular, embalados por uma vertigem performática que fazem de qualquer concerto seu um acontecimento.

Do seu primeiro disco, “Música Moderna”, para o novíssimo “Top Flop”, Tochapestana consegue dar 100 novos passos para um baile progressivo-português, tão apaixonado e tão cósmico como a mitologia popular. Do passado que os imitava conquistarão o futuro que os copiará. Não há nada no mundo como Tochapestana. Ou como disse o responsável do museu vareiro, António França, a propósito da fraca afluência ao “incêndio” da pretérita quinta-feira na casa que é também um museu: “Ganhou quem foi”. Poucos mas bons.

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