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Opinião

Acerca da EN109, não faltam diagnósticos. Falta decisão. – Por António Santos

A realidade da EN109 no concelho de Ovar, e em particular em Maceda, é demasiado séria para continuar a ser tratada como um assunto de rotina.
A EN109 continua a suportar níveis de pressão incompatíveis com a segurança de uma via que atravessa zonas urbanas.
Entre o nó da A29 em Maceda e o corredor do Restabelecimento 25/Avenida do Europarque, continua a não haver uma alternativa funcional que retire dali o tráfego pesado.
O resultado está à vista, mais desgaste, mais perigo, mais ruído, mais insegurança e uma freguesia a pagar um preço que nunca devia ter sido seu.
Também é preciso dizer com clareza que este problema não nasceu por acaso. A existência de portagens na A29 ajudou a criar um incentivo concreto ao desvio de circulação para a rede secundária e para a EN109.
A aprovação de recomendações, ou os sucessivos pedidos de eliminação ou redução das portagens na A29, bem como a reposição da variante entre Arada e Maceda, de pouco têm servido, o problema está identificado e denunciado, mas continua por resolver.
A verdade é que houve anúncios, reuniões, estudos e intenções.
Em 2022, foi divulgado um acordo entre o Município e a Infraestruturas de Portugal para avançar com a reabilitação da EN109.
Em 2023, essa intervenção foi apresentada como um projeto estruturante, com ambição de requalificação urbana e integração de outras obras complementares, incluindo o prolongamento do Restabelecimento 25.
Mas a distância entre o discurso e a realidade mantém-se demasiado grande.
A EN109 continua a surgir como um dos dossiers estruturantes a discutir entre entidades. O problema continua em cima da mesa, mas sem solução fechada no terreno.
Algumas promessas, entretanto, foram sendo repetidas.
A Câmara de Ovar afirmou, em 2019, que a reposição da variante entre Arada e Maceda correspondia a um compromisso assumido pelo Governo e nunca cumprido.
Mais recentemente, em programas e compromissos políticos locais, a ligação do troço encerrado da A29 à rotunda da Toyota voltou a ser assumida como objetivo.
Portanto, ninguém pode dizer que o caminho não está identificado.
O que falta não é perceber o problema.
O que falta é vontade de o resolver com calendário, financiamento e responsabilidade política.
É por isso que já não basta falar em “arranjar a EN109”.
Remendar o piso, trocar sinalização ou fazer pequenas correções necessárias, mas que não resolvem o essencial.
Sem uma alternativa rodoviária que retire o tráfego pesado da freguesia de Maceda, tudo o resto será sempre insuficiente.
Requalificar sem desviar fluxos é preparar a próxima degradação.
A população merece mais do que manutenção de danos.
Merece uma solução estrutural.
O que deve ser exigido agora é simples e sério, medidas imediatas de segurança na EN109, definição pública e definitiva sobre quem gere e financia o troço no concelho, e execução de uma alternativa funcional para o tráfego pesado que sai no nó de Maceda e hoje desce pela freguesia em direção à EN109.
Se há dossiers estruturantes para o concelho, este é um deles.
E se há promessas feitas, então chegou o momento de as tirar do papel.
Maceda não pode continuar a ser o corredor sacrificial de uma má decisão nacional e de demasiadas hesitações locais.
Quem aqui vive não precisa de mais um ciclo de anúncios.
Precisa de decisão. Precisa de obra. Precisa de verdade.
António Santos

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