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Um Postal da nossa Praia do Furadouro

A praia do Furadouro, em Ovar, na década de 50 do século passado era diferente. Dizer isto não é ser saudosista nem é novidade nenhuma.

Os tempos eram outros. Não havia turistas estrangeiros – isso é fenómeno recente, e emigrantes também os começou a haver uma década depois do aqui ilustrado.

Chinelos nos pés, guarda-sóis às costas, calções pelo meio das pernas, sacos a tiracolo e biquinis também não havia. Outros tempos, outras modas.

Mas havia um elemento essencial: Areia. O areal, fundamental nesta história. Este sedimento precioso para a indústria do turismo – na qual Portugal se parece ter especializado, dele retirando uma boa fatia do PIB todos os anos.

Pois bem, em meados do Século XX, também o Furadouro convidava a dias de repouso. Havia areal e os raios de sol sempre lá estiveram a prometer companhia aos veraneantes.

Não havia bandeira azul nem bandeira acessível, em primeiro lugar, porque não havia descargas poluentes e aceder à praia era fácil.

É verdade que a praia do Furadouro cresceu muito, nem sempre bem, nem sempre com critério. Esqueceram-se dos espaços verdes. Porque é que não há um jardim no Furadouro? Por ser praia?

Aos poucos, os prédios com varandas viradas a poente foram cercando a estância balnear. Os velhinhos palheiros típicos das gentes pobres que ali habitavam noutros tempos também foram desaparecendo e hoje estão oficialmente em extinção.

O mar não tem dado tréguas e o outrora extenso areal tem vindo a ser reduzido, perdendo parte considerável do “esplendor” de antigamente.

Inventa-se espaço para estender uma toalha que vai procurando novos lugares à medida que a maré enche.
O Furadouro estica no Verão e encolhe no Inverno, como quase todas as zonas que moram à beira-mar porque a população engrossa por altura das férias de Verão, para depois voltar à vida normal, nas mãos dos habitantes locais, quando o tempo arrefece.

Pelo menos desde 2018 que ouvimos falar nos quebra-mar destacados. Se tudo o resto falhou, a esperança instalou-se na população do Furadouro: Uma solução inovadora estava a caminho. Era desta!

Mas mais uma vez os anos passaram e nada aconteceu. Os movimento de defesa da praia desapareceram (Onde andas “Movimento Salvar o Furadouro?”) e nem as defesas tradicionais têm sido reparadas. Não se sabe se vão aguentar o próximo inverno. Andamos a confiar em demasia na sorte e isso não é bom.

Antes disso vêm as Festas do Mar e este ano têm que ser em grande. Afinal, estivemos dois anos recatados, as pessoas, o comércio e o Furadouro merecem.

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