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Vai um Pão de Ló com sabores da Serra?

“O Ló é uma tela mui fina e rasa, que torna o ar sólido, para depois sublimar-se na boca”.
Frei Domingos Vieira, no Dicionário Português de 1873

Estamos na Páscoa e falar-vos de uma combinação com Pão de Ló, é falar-vos das tradições das Beiras (Litoral e Alta) nesta época do ano. É falar-vos das tradições das nossas terras e das nossas gentes.

Com uma história longa, cuja entrada no nosso País se pode ficar a dever à presença dos Judeus em Portugal no seculo XV, expulsos de Espanha, o Pão de Ló, de origem judaica, chegou ao que é hoje, para se tornar num verdadeiro símbolo da doçaria Portuguesa. Entre todas as declinações regionais, há uma emerge glorificada nos quatro cantos do Mundo: o de Ovar!

A dulcíssima iguaria vareira surge, pois, referenciada num documento de 1781, ano em que foram obsequiados com Pão de Ló de Ovar os padres que levaram o andor na Procissão dos Passos.

Segundo o texto citado de M. Lyrio, em “Os Passos de Ovar”, “o Pão-de-ló de Ovar deve ter sido parturejado nalgum convento das imediações e daí transportado para Ovar por alguma religiosa filha de gente vareira, onde tomou o formato actual”.

Às características do doce acrescentaram-se as qualidades ideais para acompanhar o Queijo Serra da Estrela, de preferência DOP. E amantes desta união não faltam.

O Pão de Ló é tão simples e ao mesmo tempo tão único. Nascido daquela combinação de pouquíssimos ingredientes, ambiente e genialidade ovarense. Isso mesmo. Tal como o Queijo Serra da Estrela. Dois Manjares dos Deuses.

Num ano em que nada está fácil para ninguém, uma fatia (ou uma colherada) de Pão de Ló com queijo da Serra pode ajudar a salvar o dia.

A Páscoa aproxima-se. Consigo, traz a lembrança do antigamente. A família reunida, a nossa gente. A saudade habita os lugares que jamais esquecemos. A sala grande, ao fundo. O ruido das conversas. Sorrisos que nos encontram. O sol que entra pelas janelas. Crianças a brincar. Domingo, e o almoço quase pronto.

A mesma mesa. A toalha de linho bordada à mão. O Pão de Ló, no centro. Uma paisagem dourada de amarelo: isso nunca se esquece.

As memórias que se sentam e se partilham. O ritual da primeira fatia que ninguém quer cortar.

A Páscoa aproxima-se. Antes que a saudade repare, corte a primeira fatia de Pão de Ló. Mastigue o tempo dos dias mais felizes. E vai ficar bem.

Esperemos que para o próximo ano possamos reviver estas lembranças da Páscoa em família.

Bom apetite!

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