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Válega: “Mártires das Videiras” tombaram há 85 anos

No dia 15 de maio de 1939, Válega viveu um dos dias mais tristes da história da freguesia.

Nesse dia foram mortos dois valeguenses em plena rua. Ficaram conhecidos como os “mártires das videiras”.

Ainda há quem se lembre daquele fatídico acontecimento. A lápide cravada na parede onde os confrontos se deram recorda o que aconteceu. A frase resume a história.  “Neste local, foram mortos Jaime da Costa e Manuel Maria Valente de Pinho por uma força militar que investiu contra o povo pacífico de Válega que se opôs ao corte das videiras de vinho americano”.

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O Século / Torre do Tombo

 

Jaime da Costa nasceu em 1921, provavelmente, em Ovar  e era pedreiro. No dia 15 de maio de 1939, decidiu juntar-se à mobilização da população de Válega, contra o arranque pelas autoridades das chamadas videiras americanas, que tinham sido proibidas.

Jaime da Costa
(1921 – Válega, Ovar, 15-05-1939)

Salazar proibira a plantação de videiras americanas com uma excepção se fosse para porta-enxertos de castas portuguesas.

Válega não acatou e a GNR marchou para cortar as videiras fora da lei. O povo revoltou-se, armou-se com alfaias agrícolas, cercou os militares no adro da igreja e os sinos tocaram a rebate.

A situação tornou-se difícil e o Governador Civil de Aveiro deu ordem para a Guarda Nacional Republicana (GNR) abrir fogo e, durante a carga policial.

Do confronto, Jaime da Costa foi atingido pelas balas da GNR. Mais uns minutos de terror e também Manuel Maria Valente de Pinho, agricultor de 38 anos, foi morto a tiro. Várias outras pessoas foram feridas e presas.

Naquela refrega que o povo não esquece, Válega perdeu dois dos seus. 

Muita gente foi para casa tirar as balas das costas, lembram os mais antigos. Dias depois muitos foram intimados para um inquérito policial em Ovar e chegaram a estar presos em Aveiro.

Toda a gente estava cheia de medo e alguns até se esconderam nos fornos de cozer o pão.

Considerado de menor qualidade, o objetivo deria erradicar o vinho americano e o decreto-lei de 18 de Abril de 1935 vinha proibir a plantação de videiras americanas sem ser para lhes enxertar castas nacionais, determinando o arranque, a substituição ou enxerto das existentes.

Os viticultores eram obrigados a inutilizar as enxertias efectuadas depois de Outubro de 1934. Nove anos depois, a legislação mudou e decidiu-se aplicar uma multa aos agricultores que desrespeitavam os imperativos legais.

Manuel Maria Valente de Pinho
(1901 — Válega, Ovar, 15.05.1939)

Mais homens da cavalaria  chegaram a Válega algumas semanas depois de 15 de Maio. Vinham cumprir a lei e, dessa vez, não houve luta. Não eram mais de dez, não entraram nas casas e fizeram o seu trabalho.

Remexeram nas pilhas de estrume para ver se havia pipas de vinho escondidas. Não havia e foram à sua vida. Válega não esquece.

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