Yazaki Saltano despede mais 163 em Ovar

Já se previa mas ontem a multinacional nipónica oficializou a informação de que vai proceder a um despedimento coletivo de 163 funcionários.
Depois de ter dispensado 304 pessoas, em julho de 2025, a Yazaki Saltano avança com novo despedimento.
A indústria automóvel enfrenta atualmente desafios não só na Europa, mas também a nível global, “e a transição para a mobilidade elétrica está a progredir a um ritmo mais lento do que o esperado”, explica a empresa.
Como resultado, adianta que “os valores de vendas de peças da Yazaki têm consistentemente registado resultados abaixo das projeções durante vários meses”.
A Yazaki Saltano de Ovar estará a ser especialmente afetada por estes
desenvolvimentos no sector, “não existindo qualquer previsão de uma mudança positiva a longo prazo”.
Por este motivo, a empresa diz-se obrigada a adotar as medidas comunicadas.
O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente (SITE) – Centro Norte acompanham com preocupação o processo.
O delegado sindical, Justino Pereira, conta que os funcionários ficaram chocados, pois “foram cortados de um dia para o outro”.
“Foram trabalhar, e quase no fim do seu período foram chamados para lhes comunicarem que iriam integrar um despedimento coletivo, estando dispensados, automaticamente, de se apresentar logo no dia seguinte”, relata o sindicalista.
O coordenador do SITE CN entende que, verificada a situação, a fase negocial “deve ser mais aprofundada.
O sindicato já enviou cartas ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e ao Ministério da Economia e da Coesão Territorial.
Justino Pereira espera uma postura ativa por parte do Governo. Relembra o processo de despedimento coletivo anterior em que foi feita uma queixa à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT): “Sabemos que a ACT interveio, fez a sua inspeção, mas até hoje não temos resultados de nada.”
Perante o exemplo passado, Justino Pereira reivindica que haja mais envolvimento, “chamando aos gabinetes também os diretores da Yazaki Saltano”.
Dos 163 trabalhadores despedidos, pelo menos 70 são do concelho de Ovar.
Perante uma decisão com impacto social e humano significativo na vida dos trabalhadores e das suas famílias, o Município reafirma a sua “total disponibilidade para apoiar todos os munícipes afetados, assegurando o necessário acompanhamento social, psicológico e de reinserção profissional, no quadro das suas competências e dos instrumentos ao seu dispor”.
Através do Gabinete de Inserção Profissional, da Divisão de Desenvolvimento Social e dos restantes serviços municipais que se revelem necessários, a Câmara Municipal de Ovar colocará à disposição dos trabalhadores os meios ao seu alcance para apoiar os processos de reintegração no mercado de trabalho e mitigar os impactos pessoais e familiares decorrentes desta situação.
A autarquia garante estar “ao lado das pessoas, numa postura de proximidade, abertura e total disponibilidade para apoiar os munícipes afetados, reafirmando que Ovar é, e continuará a ser, um concelho solidário, onde ninguém é deixado para trás”.
Embora se trate de uma decisão de natureza privada, enquadrada no contexto concorrencial do setor automóvel, a Câmara Municipal de Ovar expressa “preocupação com as consequências desta medida”.




