LocalSlider

Dificuldades levam Bombeiros de Ovar a desistir de contratar nadadores-salvadores

A época balnear iniciou-se nas praias de Ovar sem o habitual apoio a banhistas que vinha sendo prestado nas praias do norte e sul do Furadouro e nos Marretas por seis nadadores-salvadores contratados pelos Bombeiros Voluntários de Ovar.

Luís Medeiros, presidente da direcção da Associação Humanitária dos bombeiros ovarenses, explica o que esteve na origem da decisão. “Além de ser cada vez mais difícil encontrar nadadores-salvadores para contratar, também temos dificuldades em encontrar quantitativo para esse efeito”. Segundo o dirigente, “este cenário vinha-se agravando há anos a esta parte, dificultando o cumprimento do protocolo que temos assinado com a Câmara Municipal de Ovar”. É que, além da parte financeira, “muitos dos nadadores não se mostram disponíveis para fazer os 90 dias seguidos, 10 horas por dia, sete dias por semana, e as dificuldades agravaram-se”.

“A contratação de nadadores-salvadores de apoio a banhistas é uma responsabilidade da direcção e não depende da parte operacional”, esclarece Luís Medeiros, assegurando que “outra coisa é o socorro à praia, que faz parte da missão de um corpo de bombeiros e está assegurado”. Por isso, continua, “embora tenhamos alguns nadadores-salvadores para garantir o socorro do corpo de bombeiros, não temos pessoal, neste caso, nadadores-salvadores, para garantir o apoio a banhistas e tínhamos que os contratar na sociedade civil”.

“Não sendo nossa missão”, repete, “achamos que com esta dificuldade era nosso dever avisar em tempo útil. Foi o que fizemos no dia 16 de Janeiro, numa reunião com o senhor vice-presidente da Câmara Municipal de Ovar, informando que este ano não iríamos contratar nadadores-salvadores, no sentido da autarquia garantir, com tempo, a segurança da praia”.

O que Luís Medeiros sublinha é que “não se pode confundir a contratação de nadadores salvadores para apoio a banhistas com o socorro às praias e este último está no âmbito da nossa missão”. “É verdade que a Câmara Municipal de Ovar nos apoia no socorro mas se a contratação de nadadores salvadores nos dá prejuízo, eu depois é que tenho de responder perante os nossos sócios por essa decisão”.

Ponderada a situação, “decidimos dedicar todo o nosso esforço ao socorro, não havendo qualquer mau-estar entre Bombeiros Voluntários de Ovar, Câmara Municipal de Ovar e Juntas de Freguesias”. “Avisamos em tempo útil, quase há seis meses, e tudo o que se disser é falar sem saber”. E repete: “Os nadadores-salvadores não fazem parte da nossa missão, mas o socorro será rigorosamente cumprido”. Dadas as dificuldades, Luís Medeiros defende a decisão tomada: “Ou fazemos bem ou não vale a pena. Ou fazemos a 100 por cento ou fazer a 99 por cento não vale a pena. Ovar merece o melhor”.

Na última Assembleia Municipal, o presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro, confirmou a dificuldade, “porque não houve cursos de formação de nadadores-salvadores por causa da pandemia”, mas adiantou que a autarquia abriu um concurso para a sua contratação que veio a saber-se que ficou deserto. Entretanto, os Bombeiros Voluntários de Esmoriz informaram, no passado dia 23, que numa parceria com a Câmara Municipal de Ovar, estão escalados nadadores-salvadores da sua “bolsa de recrutamento nas praias do Furadouro”.

A este propósito, Luís Medeiros garante que tem “muito respeito” pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Esmoriz e não se pronuncia sobre as suas decisões.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta