Covid-19

O que nos dizem as autópsias das vítimas de Covid-19

Uma nova doença constitui um enorme desafio, não só para aqueles que estão na linha da frente no auxílio dos doentes, mas também para os que têm como objectivo estudar o processo que levou ao enfraquecimento e à consequente morte.

A Covid-19, a doença causada pelo já não tão novo coronavírus, levou já à morte de mais de meio milhão de pessoas e o número de novos casos não parece querer cessar.

As vacinas, sendo o remédio para este mal, ainda não são uma realidade – cientistas encontram-se numa luta contra o tempo, na busca de eventuais causas e tratamentos que possam salvar a vida de milhões de pessoas.

Ariana Eunjung Cha, jornalista do Washington Post, questionou vários patologistas com o propósito de perceber as particularidades deste vírus e os efeitos que causa no corpo humano.

Estudar os corpos daqueles que não conseguiram vencer este vírus é uma árdua tarefa. Os médicos deparam-se com lesões nos pulmões, rins e fígados que vão ao encontro dos relatórios de vários médicos, e outros cenários que refutavam hipóteses colocadas anteriormente.

Mas algo está a captar a atenção dos médicos: Alguns orgãos apresentam um tipo de célula que produz plaquetas que raramente se encontra naqueles sítios. O novo coronavírus parecia estar a ampliar o efeito destas células causando assim coágulos sanguíneos.

Os estudos realizados confirmam que o coronavírus ataca mais ferozmente os pulmões, porém, as sequelas verificadas não se limitam a este órgão – os efeitos do vírus são visíveis no cérebro, rins, fígado, baço, no trato gastrointestinal e nas células que revestem os vasos sanguíneos e foram ainda encontrados coágulos em vários órgãos do corpo.

Richard S. Vander Heide, médico patologista no Centro de Ciências de Saúde da Universidade de Louisiana, relembra os milhares de micro-coágulos com que se deparou ao examinar o cérebro de uma vítima de Covid-19 “Nunca tinha visto nada assim”. No entanto, seria de esperar que fosse encontrado algum tipo de infecção ou vírus, o que não se sucedeu.

Perplexo com o que tinha observado, divulgou rapidamente a informação online para outros médicos terem acesso ao tinha descoberto. A prescrição de anticoagulantes começou a ser difundida e é agora uma prática comum.

Vários médicos alertaram para a possibilidade de miocardite, uma infecção do tecido muscular que faz com que os músculos do coração fiquem incapazes de bombardear sangue. Todavia, as autópsias revelaram não haver qualquer sinal desta infecção.

O impacto do coronavírus no cérebro tem-se mostrado elevado também. A redução do paladar e olfato, o estado psíquico alterado, derrames, convulsões e até mesmo delírios são correntes nos pacientes. Foram observados grandes danos derivados da privação de oxigénio no cérebro, tanto em indivíduos internados durante grandes períodos de tempo, como em pessoas que morreram repentinamente.

Embora Rapkiewicz aponte que ainda é muito cedo para se saber se estas descobertas podem conduzir a mudanças nos tratamentos dos pacientes com Covid-19, o estudo das autópsias permite desvendar novas pistas que se podem revelar decisivas no combate a esta doença.

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