
Portugal viveu um dos comboios de tempestades mais longos e insólitos de que há memória. Na orla costeira, a praia de Maceda, em Ovar, foi uma das vítimas. O mar parece que deu uma dentada e “comeu” 20 metros de areal e avançou para o parque de estacionamento. Mas o pior nem é isso.
“O aterro está a 550 metros do mar. É, de facto, um risco potencial que temos ali, de uma catástrofe ambiental que pode ocorrer caso o mar lá chegue. Obviamente, o ministério do Ambiente está desperto para isso, a APA também. (…) Isto é uma questão nacional, não só de Ovar. Termos de fazer tudo para que o mar não chegue”, avisa o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado.
Só que o presidente vareiro diz que não tem havido nenhuma ação concreta relativamente à proteção do aterro. “Eu estou a exigir, no bom sentido, essa proteção, neste momento. A alertar para a situação em que, de facto, podemos estar. Não é amanhã que o mar vai lá entrar, mas pode ser daqui por 50 ou 60 anos. E temos a obrigação, hoje, de evitar que isso venha a acontecer no futuro, porque, se não, é uma herança e um passivo ambiental muito, muito forte que deixamos às gerações futuras”, explica o autarca social-democrata.
Esta praia, muito frequentada e considerada “um paraíso”, está inserida numa lista de medidas a levar a cabo até ao início da época balnear, elencadas num relatório da APA divulgado já este mês, mas até agora nada se fez.
Pimenta Machado acredita que após as tormentas do Inverno, o mar tende a repor muita da areia que levou e a aproximar-se da normalidade. Mas no caso de Maceda, é importante repor acessos à praia, por exemplo, já que o existe agora são escarpas íngremes.




