A Castros Iluminações é um negócio centenário de uma das famílias mais conhecidas de Espinho. Os irmãos Jorge e Tozé andavam na escola com os Violas, almoçavam com autarcas e envolviam-se na Igreja (e em escolas do Opus Dei). Agora há contratos suspeitos de viciação.
Os irmãos António José Castro e Jorge Castro, administradores da Castros, Iluminações Festivas, S.A., empresa líder nacional do sector e referência a nível internacional com prémios conquistados em França e Itália, passaram por várias crises ao longo dos anos, mas continuaram de olho em soluções inovadoras, a investir no design das suas propostas e a procurar motivos de inspiração em vários locais do mundo.
Porto e Lisboa fazem parte da carteira de clientes da empresa instalada em S. Félix da Marinha, Vila Nova de Gaia. Lisboa é cliente desde os anos 70, Porto desde a década de 1990. Ovar é mais recente. A iluminação de Évora, Sintra, Cascais, Matosinhos, Albufeira e Vila Real de Santo António foi também entregue à Castros.
Algumas das ruas principais de Londres, vários locais na Côte d”Azur e Nice, no Sul de França, e uma rua em Milão são ou foram igualmente iluminadas pela Castros, responsável ainda pela decoração do Festival Mundial de Artes Negras que aconteceu em Dacar, Senegal.
A Castros foi a primeira empresa na Europa a utilizar iluminação de baixo consumo. As preocupações ambientais estiveram sempre presentes na estratégia económica. Em 1987, a Castros começou a utilizar o néon, em 1994, as lâmpadas de incandescência, que chegavam a atingir uma poupança energética de 50 por cento e que fizeram furor em Barcelona dois anos depois. Nessa altura, a Castros apresentou na região espanhola um projecto de iluminação com minilâmpadas de incandescência.
Este ano, a empresa foi distinguida com o prémio ADEX Platinum Award 2026, a mais prestigiada competição de design na indústria de arquitetura e design a nível internacional, com dois projetos distintos que realizou na Madeira e em Lisboa.
Os inquéritos de satisfação aos clientes, realizados ao abrigo da política de qualidade, demonstram contentamento. As respostas revelam um grau de satisfação de 89 a 93 por cento com o trabalho desenvolvido pela Castros, nomeadamente em relação ao design, à qualidade dos materiais, à rapidez de montagem e à assistência.
Os contratos ganhos pela empresa, nos últimos quatro anos junto de autarquias, empresas municipais e o Governo Regional da Madeira, com vista à iluminação no Natal e Ano Novo, está, todavia, a gerar suspeitas, superando os cinco milhões de euros. A investigação da Polícia Judiciária recai sobre suspeitas de “crimes de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, abuso de poder e associação criminosa, relacionados com o fornecimento e instalação de iluminações festivas”.
O total registado no Portal Base é de 5,17 milhões, mas não pode ser excluído que existam outros ainda não registados pelas entidades públicas. Desde o início do mandato autárquico 2021-2025, a empresa de Gaia conseguiu apenas um contrato com o município onde tem sede.
Os municípios onde a Castros Iluminações Festivas mais faturou desde o início do mandato anterior foram Vila do Conde (907 mil euros), Sintra (690 mil) e Viseu (463 mil euros), segundo os cálculos feitos pelo ECO/Local Online a partir da consulta do Portal Base. Deste trio, apenas Viseu surge na lista da Polícia Judiciária apurada pelo ECO/Local Online, e que inclui ainda Tavira, Lamego, Maia, Figueira da Foz, Trofa, Póvoa do Varzim e Santa Maria da Feira.
Em Lisboa, onde também decorreram buscas da Polícia Judiciária, a autarquia adjudica as iluminações a uma associação de comerciantes, que posteriormente contrata o serviço. A 19 de novembro, a autarquia aprovou a celebração de um protocolo com a União de Associações do Comércio e Serviços (UACS) no valor de 749.500 euros.
O secretário-geral da Câmara de Lisboa, Alberto Laplaine Guimarães, é um dos quatro detidos para interrogatório pela Polícia Judiciária, entretanto libertados.




