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CITAQUA-ECOMARE: polo inovador da UA para promoção da economia azul em fase de conclusão

 

O polo na Gafanha da Nazaré (Ílhavo) da Rede Hub Azul, Rede de Infraestruturas para a Economia Azul apoiada pelo PRR, designado Centro de Inovação e Tecnologia em Aquacultura (CITAQUA), associado ao complexo do ECOMARE, entre a DOCAPESCA e o Jardim Oudinot, está em fase de conclusão. Totalizando um investimento de cerca de 11 milhões e meio de euros, financiado pelo PRR, estará equipado com equipamentos científicos de última geração e únicos na Península Ibérica.

 



Para além de um laboratório para a rastreabilidade e certificação da origem de produtos da pesca e da aquacultura, o CITAQUA-ECOMARE estará preparado para a produção de espécies marinhas com elevado valor comercial consideradas prioritárias pela Comissão Europeia, no contexto da Estratégia da UE para a Bioeconomia, do Pacto Ecológico Europeu e em linha com o futuro Ato Europeu dos Oceanos (atualmente em consulta pública).

Com um investimento inicial do PRR de sete milhões de euros, o CITAQUA-ECOMARE beneficiou, entretanto, de reforços de investimento em função da boa execução da verba inicialmente atribuída e do aumento da ambição do projeto, totalizando agora cerca de 11,5 milhões de euros, já incluindo equipamento científico. Algum deste equipamento científico, embora otimizado para a análise de produtos marinhos, explica Ricardo Calado, gestor do projeto CITAQUA, pode ser igualmente utilizado na análise e certificação de outros tipos de produtos alimentares, noutras matrizes biológicas e geológicas, em diversos tipos de materiais, baterias e componentes eletrónicos.

Otimização da produção

No piso superior funcionarão as valências de análise e rastreio de produtos alimentares. No piso inferior funcionarão vários laboratórios húmidos com valências diversas. Uma delas, explica Ricardo Calado, será o estudo e otimização da produção intensiva de micro e macroalgas, assim como bivalves, de grande relevância para a região e para o país. A produção nacional de bivalves, em particular, tem sofrido prejuízos – que se podem ainda agravar – com eventos climáticos extremos decorrentes das alterações climáticas, tais como ondas de calor e precipitação anormalmente elevada em curtos períodos. A produção destes seres vivos, salienta o investigador, típicos dos níveis tróficos mais baixos, ou seja, na base das cadeias alimentares marinhas, é considerada prioritária pela Comissão Europeia e pela Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030, merecendo assim uma atenção redobrada por parte do CITAQUA-ECOMARE.

Em perspetiva está também, acrescenta Ricardo Calado, a utilização do laboratório polivalente para estudos de recuperação dos ambientes marinhos, tal como a reprodução sexuada de corais de águas tropicais e de águas frias (incluindo ambientes profundos) que permitirá obter uma maior diversidade genética e, logo, maior adaptabilidade aos ambientes marinhos em mudança, dos organismos destinados ao restauro ecológico.

Estudo dos parasitas em espécies com elevado valor comercial

Um dos tópicos que tem vindo a preocupar, cada vez mais, cientistas e produtores a operar em ramos da economia azul ao qual também será dada atenção, afirma o coordenador do CITAQUA, é a prevalência crescente de parasitas em espécies com elevado valor comercial, nomeadamente bivalves, motivado pelas alterações climáticas em curso. Para estes estudos o CITAQUA-ECOMARE irá beneficiar de sistemas de última geração para a realização de estudos de histologia e para a simulação de ondas de calor, em ambiente aquático e aquando da exposição ao ar durante os períodos da baixa-mar. Estes sistemas de simulação (12 no total) permitirão realizar estudos científicos mais realistas que tornarão possível desenhar estratégias inovadoras para a adaptação da produção de espécies marinhas de interesse aos oceanos das próximas décadas.

Para além do CITAQUA-ECOMARE, os investimentos da Rede Hub Azul incluem dois polos em Leixões, um polo em Peniche, Oeiras e Olhão, assim como duas “escolas azuis” (a Escola Superior Náutica Infante D. Henrique e o FOR-MAR).

 

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