São Paio, da Galiza à Torreira – Por Pedro Nuno Marques

Veio ao mundo no início do século X, na Galiza. Morreu como mártir, com somente 14 anos de idade.
Paio empresta o nome às festas da Torreira há gerações. Vem povo de todo o lado, em peregrinação ou romaria. Os mais jovens, esses, vêm pela diversão. Os costumes diários por estes dias são transversais, ano após ano.
À mercê do sol matinal, acorda-se cedo no parque de campismo daquela “língua” entre o Atlântico e a ria de Aveiro. Uma mini e um cigarro, já por tradição ou o que é, compõem o menu do pequeno-almoço.
Meio ressacados, passeia-se pela avenida mais famosa da Torreira, uma espécie de Times Square dos pobres. Sente-se o cheiro de grelhados, hambúrgueres e cachorros. Mais à frente, gelados, pipocas e algodão doce.
Também há gomas para todos e quaisquer palatos. Calçado, roupas, brinquedos, utensílios de cozinha e um número perpétuo de bugigangas completam o cenário feirante daquela artéria. Multidões cruzam-se.
Há carrinhos de bebés, bicicletas e trotinetes. Mais adiante, três ou quatro guardas republicanos mantêm o controlo da algazarra festiva. Entretanto, a noite vai caindo. Num supermercado qualquer, compra-se atum, esparguete, cerveja, vinho e gelo. Regressa-se ao parque de campismo para tomar banho e jantar.
A fila no chuveiro é longa. Enquanto uns cozinham, outro vão ao duche ou ganham tempo no bar. Com o avançar das horas, sobe a temperatura corporal: o destino da festa é o areal.
Por lá, dança-se e cometem-se pequenos excessos. Conhece-se malta de outros lados e, em amena cavaqueira, há quem se apaixone várias vezes por noite. Na maioria das vezes, não dá em nada. Em situações esporádicas, as línguas assumem o seu rumo instintivo. Nada de grave. Faz parte da vivência disto tudo.
Com o raiar do dia, o regresso ao parque de campismo torna-se penoso, até porque daqui a três ou quatro horas recomeça tudo, e assim sucessivamente.
A ti, camarada Paio, um xi-coração.
Pedro Nuno Marques



