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Third pinta a tradição naval de Pardilhó em novo mural do ESTAU

A nova obra de Nuno Palhas, conhecido como Third, homenageia a construção naval e a relação de Pardilhó com a Ria, integrando a edição dos 10 anos do ESTAU.

Pardilhó ganhou uma nova obra de arte urbana assinada por Third, nome artístico de Nuno Palhas, no âmbito da edição de 2026 do ESTAU – Estarreja Arte Urbana.

O mural, realizado numa parede em Pardilhó, coloca no centro da composição uma embarcação tradicional, rodeada por figuras humanas e elementos decorativos inspirados na estética dos azulejos. A representação remete para a relação histórica da freguesia com a ria e para a tradição da construção naval, uma das atividades que marcou a identidade de Pardilhó.

A escolha do tema está em sintonia com o conceito definido pelo ESTAU para a edição que assinala os seus dez anos. O festival convidou os artistas a partir de elementos da identidade do território, entre os quais a construção naval, os moliceiros, o arroz e as Festas de Santo António.

No trabalho de Third, a embarcação assume o papel central, acompanhada por homens representados em plena atividade junto à água. A composição é enquadrada por uma moldura colorida que evoca a linguagem dos azulejos tradicionais, criando uma ponte entre memória, património e arte contemporânea.

A intervenção ganha ainda maior significado por surgir numa freguesia onde o próprio roteiro do ESTAU já tinha deixado uma marca ligada aos ofícios tradicionais. Em 2018, o artista Tiago Galo criou Os 4 Ofícios, no Largo Dr. Egas Moniz, junto à Igreja Paroquial, representando quatro atividades associadas à história de Pardilhó: construção naval, tecelagem, bunho e tamancos.

A nova obra de Third acrescenta agora outra representação dessa memória coletiva, desta vez centrada no universo dos barcos e dos homens ligados à construção e utilização das embarcações tradicionais.

Nuno Palhas, artista português conhecido como Third, tem um percurso iniciado no graffiti e desenvolvido posteriormente através da pintura mural, do desenho e de uma linguagem marcada pelo realismo e pela representação de figuras e elementos ligados aos lugares onde intervém. Em trabalhos anteriores, o artista tem explicado a importância de criar uma relação entre a obra e a comunidade e de adaptar a intervenção à identidade do espaço.

A intervenção de Pardilhó integra as dez novas obras criadas para assinalar os dez anos do ESTAU, festival que já deixou cerca de uma centena de obras no concelho de Estarreja, assinadas por 54 artistas.

Em Pardilhó, a arte urbana volta assim a funcionar como uma forma de preservar e reinterpretar a memória local — desta vez com os barcos, a ria e os seus construtores no centro da parede.

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Third, ou Nuno Príncipe Palhas, tem um percurso ligado à arte urbana desde os anos 1990. O artista começou pelo graffiti e desenvolveu posteriormente uma linguagem que cruza a pintura mural com a ilustração e o desenho clássico, destacando-se pelo recurso ao realismo, aos retratos e a estruturas tridimensionais, exploradas através de efeitos de luz e sombra.

Um dos traços do trabalho de Third é precisamente a capacidade de adaptar a criação ao espaço onde intervém. Num trabalho realizado anteriormente no Porto, por exemplo, o artista explicou que procura estabelecer uma ligação entre a obra e a comunidade, incorporando elementos reconhecíveis do quotidiano e da identidade do local.

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