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Agricultores da Marinha protestam contra obra da Polis

Agricultores da zona lagunar da Marinha foram pedir à Câmara Municipal de Ovar que intervenha junto da sociedade Polis Litoral Ria de Aveiro para que esta rectifique obras que dizem desrespeitar propriedade privada e ameaçar a segurança da população.

Cerca de meia centena de moradores e membros da Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro (ALDA) explicaram que as areias das dragagens na Marinha estão a ser “desviadas para outro locais” quando deveriam permanecer na zona para ajudar ao controlo dos níveis das águas.

Albino Silva, presidente da ALDA, diz que as críticas às obras da Polis também se estendem aos novos trajectos dunares que “estão a ser criados através de terrenos privados sem que ninguém tenha falado com os donos” e que “cortam a meio” essas propriedades “sem preverem recursos alternativos para circulação das pessoas em segurança”.

Entre os agricultores que se concentraram esta terça-feira junto à Câmara de Ovar antes da reunião com parte do executivo incluía-se António Valente, que na Marinha gere uma exploração de leite e carne, para quem “o grande problema disto tudo é o projeto da Polis ter sido desenhado num gabinete por gente que não sabe do que está a tratar e que não se deu sequer ao trabalho de falar com os agricultores nem com quem vive no local”.

A população está “muito revoltada” porque desde sempre “pagou os impostos todos sobre os seus terrenos e agora o pessoal da Polis entrou por eles dentro e cortou-os a meio, deixando lá uma parede de estacas com 1,5 metros de altura, para ser enchida com areia”, afirmou o agricultor.

António Valente explicou que “há terrenos de 4.000, 6.000 e 10.000 metros quadrados que foram simplesmente divididos a meio”.

“Andamos nós há anos a pagar impostos por eles e agora cortam-nos a terra de uma ponta à outra sem pedirem autorização a ninguém”, disse.

O mesmo empresário agrícola disse que já falou “com os engenheiros da obra e eles disseram que o projeto não prevê nenhuma forma de atravessamento” das referidas zonas estacadas, o que deixa proprietários, trabalhadores e moradores “sem alternativa para chegar ao outro lado”.

Defendendo que essa estacaria deveria contornar a Marinha “pelas margens da ria, como se fez na Murtosa e noutros concelhos” com sistemas lagunares, António Valente deixou ainda outro aviso: “Não está contemplada nenhuma forma de atravessamento nem sequer para os veículos de emergência, o que significa que, se houver um acidente na ria, não há hipótese de ninguém lá chegar”.

Para o presidente da Câmara de Ovar, Salvador Malheiro, “as preocupações dos agricultores da Marinha são legítimas, sobretudo no que se refere à invasão dos seus terrenos pelas águas da ria”, mas a empreitada é da Polis e a essa caberá decidir “se é possível algum ajuste”, pelo que o autarca já agendou para a próxima semana uma reunião com essa entidade e a ALDA.

Contactada a diretora da Polis Litoral Ria de Aveiro, Diana Gaspar, mostrou-se disponível para avaliar as pretensões dos agricultores nesse encontro, mas rejeitou que a sociedade tenha actuado em espaços privados sem autorização.

“Na empreitada de transposição de sedimentos para otimização do equilíbrio hidrodinâmico na Ria de Aveiro, a grande maioria dos locais identificados para depósito [de areias] localiza-se em terrenos de Domínio Público Marítimo, cuja dominialidade se considera pública, segundo a Lei da Água. Para todos os locais de depósito identificados como privados, a Polis obteve a necessária autorização prévia”, garantiu.

Referindo que actualmente ainda só estão a decorrer dragagens nos concelhos de Murtosa e Ílhavo, Diana Gaspar nota que em Ovar as operações de estacaria só deverão começar em dezembro e visam ajudar à contenção dos dragados.

“Os depósitos colocados nas margens servirão para proteger os terrenos contra os frequentes fenómenos de galgamento e inundação, com os consequentes problemas de intrusão salina e de erosão”, realçou.

Quanto à crítica sobre a ausência de discussão com a comunidade, a mesma responsável afirmou que a Polis “divulgou a intervenção através do seu ‘site’, da rede social Facebook, da comunicação social e, por forma a chegar mais diretamente às populações afetadas, através de editais fixados nas câmaras e juntas de freguesia”.

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