Opinião

Andar… Por aí – Florindo Pinto

Andamos por aí naquele domingo soalheiro e, nada vimos, e muito pouco ouvimos. Temos de “aturar” quem das nossas coisas deve tratar, lá isso temos, por enquanto. Temos, mas não estaremos calados, enquanto os temos de aturar. Das nossas razões não abdicaremos.

Temos escrito, e temos tentado lembrar alguém de que o “presente é fruto do passado”, e isso ouvimos dizer, recentemente, Manoel Oliveira, aquela personalidade que “acaba” de nos deixar, e que, então, respondia a uma pergunta que lhe fora colocada em tempo de entrevista na televisão.

Nós temos escrito. Nós temos ouvido outros, isso mesmo, afirmar. Mas, em verdade, nos tempos que correm, há quem faça dessa realidade indesmentível “tábua rasa” e, olhe para o futuro com “olhares oportunistas” e, nas razões para o viver do presente, não atente. O ignorar, o esconder, o tentar envergonhar uma comunidade, de um “passado orgulhoso”, parece ser o cumprir de instruções recebidas por “miguéis de vasconcelos”, na mira de um “prometido futuro”, junto da “confraria” que se encontra instalada na Praça da República, em Ovar ou, quem sabe, se mais além.

Isto vem a propósito da passagem do dia 29 de Março, que para os autarcas locais foi um dia, como tantos outros, de indiferença total. Naquela casa, onde “mora” a insensibilidade e outras ambições pessoais, deixaram passar no silêncio, o comemorar dos sessenta anos de elevação de Esmoriz, ao estatuto de Vila.

Sessenta anos não mais se comemoram e a oportunidade de “lembrar” os muitos esmorizenses, chegados a esta comunidade em tempos mais recentes, foi ignorada e perdida. Será que estes “jovens”, terão noção daquilo que representou, o abandono do estatuto de aldeia, em tempos de ditadura? O quanto representou a conquista do novo estatuto? Não sabem e se o sabem é motivo para que se diga, “muito mal estamos com gente deste tipo”.

De actividades, naquele tão relevante dia, tudo se resumiu a um zero. O estrelejar de alguns foguetes, não aconteceu e por isso o seu ribombar não se fez ouvir. A curiosidade não foi desperta e a mensagem não passou.
Apareceu quem se deu conta da “ignorância” autarca e atribuiu a situação a uma cuidada gestão de gastos, e tudo o que eventualmente fosse feito implicaria despesas sem acesso a receitas de equilíbrio. Tem lógica, mas não aceitamos a argumentação, que consideramos de descabida.

Mais descabida se entenderá quando olharmos a passagem dos autarcas, rumo ao aeroporto, para a tomada do avião, com um destino programado e definido; França, e, depois, até Draveil. E, volvidos uns curtos dias, os encontrarmos, acompanhados pela comitiva francesa, aqui e ali, integrados nas diversificadas actividades que, aqui ou ali, serão executadas, no assinalar de “datas” de geminação e passagem ao estatuto de cidade. Todas elas com custos imediatos, ou já assumidos.
Quem não conhece o passado, escolhe, e só vive o “seu” presente, não pode ter futuro risonho.
Quando temos novas eleições?

Florindo Pinto

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