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	<title>Ricardo Lopes, autor em OvarNews</title>
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	<description>Actualidade Vareira</description>
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	<title>Ricardo Lopes, autor em OvarNews</title>
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		<title>Paris &#8211; Ricardo Alves Lopes</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/paris-ricardo-alves-lopes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2015 14:41:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sendo alguém que vive num mundo em que os consensos se reservam para os casos de sucesso, depois de resolvidos, não esperava que nada disto fosse unânime, mas a incapacidade das pessoas pensarem com sentimento, mas também cabeça faz-me confusão. Em 2004, em Madrid, os refugiados já andavam por aí? Acreditam que o atentado do &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2015/11/paris.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-15234 alignleft" alt="paris" src="http://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2015/11/paris.jpg" width="247" height="164" srcset="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2015/11/paris.jpg 580w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2015/11/paris-300x199.jpg 300w" sizes="(max-width: 247px) 100vw, 247px" /></a>Sendo alguém que vive num mundo em que os consensos se reservam para os casos de sucesso, depois de resolvidos, não esperava que nada disto fosse unânime, mas a incapacidade das pessoas pensarem com sentimento, mas também cabeça faz-me confusão.</p>
<p>Em 2004, em Madrid, os refugiados já andavam por aí? Acreditam que o atentado do Charlie Hebdo e este foram feitos por eles? Se ignorarmos os que precisam de ajuda e não concordam com o Estado Islâmico, estamos a dar-lhes apenas duas saídas: ou morte ou alistarem-se. Com o nosso instinto de sobrevivência o que acham que vai acontecer? Eu desconfio.</p>
<p>Não nos deixemos toldar pelo drama que vivemos. É possível que venham alguns infiltrados, mas serão muitos mais os que salvaremos daquela drama e abriremos uma nova perspectiva do mundo. Também podem vir médicos de eleição, enfermeiros de vocação e benfeitores de coração. E os atentados já existiam antes deles tentarem fugir de lá. Camuflar os problemas é só aumentá-los, dar-lhes força e fazê-los crescer.</p>
<p><strong><em>Ricardo Alves Lopes (13.11.2015)</em></strong></p>
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		<title>O cenário mudou! &#8211; Ricardo Alves Lopes</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/o-cenario-mudou-ricardo-alves-lopes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2015 10:23:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não tenho nenhuma razão especial para aqui estar, só saudades. Tenho pensado muito nisso, nas saudades das coisas que deixamos de ter, mas que nos fazem bem continuar a alimentar. Este é um desses casos. Não tive nenhuma razão especial para deixar de escrever para o Ovarnews, quando era tão bem tratado por quem o &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não tenho nenhuma razão especial para aqui estar, só saudades. Tenho pensado muito nisso, nas saudades das coisas que deixamos de ter, mas que nos fazem bem continuar a alimentar. Este é um desses casos.</p>
<p>Não tive nenhuma razão especial para deixar de escrever para o Ovarnews, quando era tão bem tratado por quem o faz e por quem o lê, independentemente de concordar comigo ou não, mas aflorou-me uma necessidade enorme de parar, estagnar um pouco o fulgor de ideias que tentava produzir, quando o pensamento já era circular. Não me arrependi por um momento de fazê-lo, porque dei resposta à minha consciência e ela é a arma mais valente, e poderosa, que temos.</p>
<p>E Ovar, meus amigos, está a ser um pouco isso: uma cidade que responde à sua consciência. As coisas vão acontecendo, tal como as discussões, mas não se perde o rumo do que acreditamos. Uns para um lado, outros para o outro, claro, como tem que ser em democracia, mas a seguir um rumo. Há mérito na câmara, na junta, nas pessoas que fazem as governações e a oposição, porque a cidade, meus amigos – apetece-me muito chamar-vos meus amigos, porque vos sinto mesmo como meus amigos – ganhou um novo fulgor, que já não se compara ao anterior. Ao início, naturalmente, estranhou-se, porque o que é diferente faz estranhar, tem que ser assim, mas também é essa diferença que impulsiona para outro lado, para outro patamar.</p>
<p>Esta semana tivemos as comemorações da Força Aérea, os GNR descentralizados para Esmoriz, as praias do Furadouro, Maceda, Cortegaça e Esmoriz a flamejar pessoas na sua tez morena, as esplanadas a abarrotar, os sítios de estacionamento a escassearem, pela afluência e não pela sua ausência, e as pessoas não fizeram grande burburinho.</p>
<p>Talvez estivessem pela Praça, pelo centro, pelo Furadouro, na reabertura Pildrinha, ou em Cortegaça no Miradouro, ou em Esmoriz com o pé n’areia, no Pé N’Areia. Não importa. Importa que já não se alarmaram nem reivindicaram qualquer anomalia, porque já se habituaram à agitação. Não constante, mas permanente. E isso é que é o sinal que a nossa consciência mudou. Mudámos o plano que servia de cenário atrás de nós e, portanto, olhamos o futuro e presente de outra forma. Isso é bom.</p>
<p>Quanto a mim, vou continuar esta licença sabática de opiniões, só a voltar aqui quando me sentir assim: a ferver por dentro, como as praias em dias de Verão ou os serões em noite de céu estrelado.</p>
<p><strong><em>Ricardo Alves Lopes (Ral)</em></strong><br />
<em>www.ricardoalopes.com</em><br />
<em>http://tempestadideias.wordpress.com</em></p>
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		<title>De vez em quando! &#8211; Ricardo Alves Lopes</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/de-vez-em-quando-ricardo-alves-lopes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2015 15:16:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não é fácil largarmos as coisas que nos fazem felizes. É, talvez, a coisa mais difícil do mundo. Mas a certeza de que o fazemos pelo melhor de todos também é das maiores libertações que podemos encontrar. Eu, apesar dos muitos erros que já cometi e certamente cometerei na minha vida, dou muito valor à &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não é fácil largarmos as coisas que nos fazem felizes. É, talvez, a coisa mais difícil do mundo. Mas a certeza de que o fazemos pelo melhor de todos também é das maiores libertações que podemos encontrar.<br />
Eu, apesar dos muitos erros que já cometi e certamente cometerei na minha vida, dou muito valor à minha independência e, acima de tudo, à minha consciência. E foi por isso que decidi tomar esta decisão, pouco consultando os responsáveis deste maravilhoso site que me deu albergue e tanto faz pela terra que todos amamos. Vou parar de escrever semanalmente para o Ovarnews.</p>
<p>Não quero dizer-vos que pararei de escrever definitivamente, porque não sei a verdade disso. Se aparecer um tema que me apoquente, um momento em que eu sinta que tenho algo a dizer, cá estarei para o fazer. Neste momento, apenas não sinto isso. Sinto que me arrasto nestas linhas, agarrado à ideia que ainda posso contribuir. Não posso. Quando preciso me esforçar para encontrar o que vos dizer, estou só a andar em círculos, como um cão atrás da cauda, à procura da essência que tive em momentos que vos fiz feliz, ou pensar com a minha opinião, e que também eu me senti feliz. A opinião dos outros conta, como é claro, mas a nossa tem que valer sempre mais. E a minha é esta.</p>
<p>Não podemos ser egoístas e segurar o nosso lugar palco, sem pensarmos que nele podem estar outras pessoas, com coisas melhores que nós para dizer. Eu sinto que outros poderão tomar este palco e também sinto que, para mim, isto é um passo em frente. Libertarei tempo para pensar em novas ideias, em novos projectos e em novas coisas para vos dar, que também me dêem a mim. Comecei uma página relacionada com Marketing e tenha tido a sorte de ter alguns trabalhos, nomeadamente ao nível de alimentar blogues para outros, escondido na sombra dum nome que não é o meu, mas que me dá o prazer incomensurável de fazer o que gosto. Eu gosto de escrever. Vou gostar sempre de escrever. Só não posso aceitar que escreva porque tem que ser. Isso seria trair-me, antes de trair a vocês. Portanto, hoje, ao texto número 111, que é exactamente o número de semanas para que aqui escrevo, deixo-vos. Mas deixo-vos, no espaço semanal, com a certeza que voltarei sempre que preciso!</p>
<p>E, para terminar, um obrigado muito especial a quem há 111 semanas atrás confiou em mim para dizer coisas à cidade que me criou, à cidade que eu admiro e de quem quero ter sempre as melhores recordações. Obrigado, Ovarnews!</p>
<p><strong><em>Ricardo Alves Lopes (Ral)</em></strong><br />
<em>www.ricardoalopes.com</em><br />
<em>http://tempestadideias.wordpress.com</em></p>
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		<title>Em memória &#8211; Ricardo Alves Lopes</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/em-memoria-ricardo-alves-lopes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2015 13:48:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tenho falado apenas da modernidade, da evolução, do que se precisa e não precisa fazer, mas Ovar também é uma cidade de memórias, de revivalismos, de tradições. Neste sábado, envolvido em amigos, com uma alegria que se contagia pelo sol e se propaga pelos laços que nesta terra fui criando, deixei-me resplandecido ao sol. Um &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho falado apenas da modernidade, da evolução, do que se precisa e não precisa fazer, mas Ovar também é uma cidade de memórias, de revivalismos, de tradições.</p>
<p>Neste sábado, envolvido em amigos, com uma alegria que se contagia pelo sol e se propaga pelos laços que nesta terra fui criando, deixei-me resplandecido ao sol. Um café, uma água e, não minto, um fino, enquanto ouvia as vozes dos meus amigos, revivia momentos passados e criava novos. Tudo no envolto das areias que se moviam, a espaços, entre pequenos bramidos de vento. O mar, esse, o imenso que nos dá o peixe e a arte xávega, deixava-se no seu recanto. Nem demasiado alarmado nem demasiado apaziguado, só normal. Normal como tem que ser sempre: belo, azul e infinito.</p>
<p>Estive na amena cavaqueira a saborear cada uma das palavras como se fosse uma doçaria. Cai-me em conversas, ergui-me em sorrisos e parti para o centro. Ia dar futebol e eu, mesmo com toda a minha ligação ao basquete, não resisto ao futebol. Muito menos ao meu clube, mas isso não importa nada. Fui novamente com eles, contudo houve alteração nos planos. Uma nova rajada, que não de vento, moveu-me para um Columbófila recém-aberta.</p>
<p>Pessoas de muitas idades, quase todas mais avançadas, mas também muita juventude a viver o passado, revestido no presente. Eu, tão pouco visitante da Ribeira, deixei-me levar pelo momento. Sentámo-nos à mesa a lanchar, a ver o futebol, a conviver e ainda conhecer novas pessoas. Pessoas que não são novas, mas se apresentam como novas no meu aprendizado da vida.</p>
<p>Chegou uma guitarra, chegou um cantor, mas bastou a nossa amizade para que o caminho se fizesse entre trauteios de umas músicas de brincadeira. As horas passaram, os momentos ficaram para sempre. E Ovar também é isto: memória.<br />
E foi neste ambiente de plena felicidade, entre pessoas que tanto me alegram, que me chegou a notícia que me chocou. Quero deixar aqui um abraço a todas as pessoas que tinham a sua vida tocada pelo Pedro. Ele merece todas as homenagens, as pessoas que ficam merecem toda a força. Um abraço enorme para todos, que a maioria tanto me diz.</p>
<p>Termino triste, pela partida de alguém que não o merecia, mas com a esperança que todos possamos viver mais, tal como ele viveu, o pedaço de vida que nos outorgam. Tinha escrito outro texto, mas apaguei-o. Fez-me sentido relembrar os bons momentos que passei com os meus amigos no sábado, antes de receber essa notícia que tanto me entristeceu.<br />
Não tenham vergonha de ser felizes. Vergonha é não tentar.</p>
<p><strong><em>Ricardo Alves Lopes (Ral)</em></strong><br />
<em>www.ricardoalopes.com</em><br />
<em>http://tempestadideias.wordpress.com</em></p>
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		<item>
		<title>Ovar sem tema! &#8211; Ricardo Alves Lopes</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/ovar-sem-tema-ricardo-alves-lopes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2015 14:58:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ai, Ovar, Ovar, hoje não me apetece nada escrever-te. Estou numa semana de loucos, cheio de trabalhos, com a cabeça a mil e subterfugiado nuns pensamentos que nem sei se me fazem bem. Estou estranho. E todos estamos, por vezes, não é? Não quero que te sintas especial de te escrever uma carta, pois faço-o &#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/ovar-sem-tema-ricardo-alves-lopes/">Ovar sem tema! &#8211; Ricardo Alves Lopes</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ai, Ovar, Ovar, hoje não me apetece nada escrever-te. Estou numa semana de loucos, cheio de trabalhos, com a cabeça a mil e subterfugiado nuns pensamentos que nem sei se me fazem bem. Estou estranho. E todos estamos, por vezes, não é?</p>
<p>Não quero que te sintas especial de te escrever uma carta, pois faço-o apenas – perdoa-me – por preguiça de pensar num assunto que seja verdadeiramente interessante para todas as pessoas sobre ti. Estranha-me que nunca te tenhas chateado comigo. Tu, que há tantos anos me mimas, com amigos, paisagens e até algumas actividades, vês-me agora, desde há uns anos para cá, a escrever sobre ti todas as semanas, sem nunca te perguntar nada. É egoísmo. As opiniões, na sua generalidade, são egoístas. São o aposento das nossas ideias.</p>
<p>Eu defendo as minhas coisas, outros defendem as deles, e andamos neste diálogo imaginário em que tu não és ninguém, só uma placa que abre a cidade na Nacional ou na A29. Mas tu és mais do que isso, não és?</p>
<p>És a cidade que não tem o nome replicado em mais lugar nenhum do mundo e que, mesmo nos dicionários, apenas apareces no português para falar da forma como os peixes desovam, algo que honra tanto a nossa tradição xávega, a nossa vontade imensa de criar odes marítimas. Ao mesmo tempo que os brasileiros, sempre marotos na articulação das frases, te fazem como uma ovação.</p>
<p>Para eles, ovar é aplaudir. E eu aplaudo-te, acredita que aplaudo, mesmo nos dias mais cinzelados pelas polémicas tão corriqueiras que nos povoam. E esse nome, que perdura há séculos e séculos, foi-te reconhecido em foral pelo D. Manuel I de Portugal, mas já muito antes tu eras cidade, da estação de caminhos-de-ferro para cima. O marera mais extenso e a ria uma miragem, mas tu já eras cidade, ali pelos lados de Cabanões – dizem. Mas não te esgotaste aí, fizeste-te terra de pescadores, cresceste para as terras em redor, mas ainda deixaste aparecer a ria.</p>
<p>A ria onde hoje eu gosto de ler os meus livros e onde, um dia, pequenino como um catraio tem que ser, chapinei as águas já um pouco enlameadas do caudal, só para provocar os meus pais e usar aquele escorrega que o Areinho nos oferecia. Nunca fui de saudosismos, mas nunca esqueci o passado. Aliás, quando mais penso que o deslembrei, é quanto tu mais me atacas. Estás em todo o meu passado e eu fico orgulhoso de pertencer ao teu presente. Sonho deixar-te uma marca que vá além da lápide ao lado da igreja matriz ou no cemitério de São João de Ovar, onde jazem uma bisavó e um avô que tanto me dizem desse mesmo passado onde entras. A minha bisavó ajudou-me a crescer, tu ajudaste-a a ter sítio onde me fazer crescer. Qual de vocês é mais importante?</p>
<p>Nem sei dizer, mas o texto já vai longo e o meu propósito já está cumprido. Não escrevi nada de mais, novidade alguma ou uma obra de arte como as Pupilas do Senhor Reitor, ou as primeiras resenhas d’A Morgadinha dos Canaviais, mas, olha, dei um soco no marasmo da folha branca como o Santa Camarão daria num adversário. Consegui. (Foto de Miguel Oliveira)</p>
<p><strong><em>Ricardo Alves Lopes (Ral)</em></strong><br />
<em> www.ricardoalopes.com</em><br />
<em> http://tempestadideias.wordpress.com</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/ovar-sem-tema-ricardo-alves-lopes/">Ovar sem tema! &#8211; Ricardo Alves Lopes</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
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		<item>
		<title>Ovar podia ser mais doce &#8211; Ricardo Alves Lopes</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/ovar-podia-ser-mais-doce-ricardo-alves-lopes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2015 16:12:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Temos que estar orgulhosos, meus senhores e minhas senhoras. A ACIP, Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, entregou os três primeiros prémios, referentes ao melhor pão-de-ló húmido de Portugal, a três casas do nosso concelho. Nomeadamente, primeiro lugar para a Casa Pão-de-Ló de Ovar Cruz, o segundo para a Pão-de-Ló de Ovar Flor &#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/ovar-podia-ser-mais-doce-ricardo-alves-lopes/">Ovar podia ser mais doce &#8211; Ricardo Alves Lopes</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Temos que estar orgulhosos, meus senhores e minhas senhoras. A ACIP, Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, entregou os três primeiros prémios, referentes ao melhor pão-de-ló húmido de Portugal, a três casas do nosso concelho. Nomeadamente, primeiro lugar para a Casa Pão-de-Ló de Ovar Cruz, o segundo para a Pão-de-Ló de Ovar Flor de Liz e o terceiro lugar para a Propal, de Cortegaça. Comprovando que o pão-de-ló não é apenas um doce da cidade, é um doce do concelho.</p>
<p>E eu acho importante começarmos a ter isto presente, não somos apenas uma cidade, somos um concelho. Temos cidades e freguesias que muito nos enobrecem e nem sempre as temos presentes na nossa memória. Porém, não é a isso que me pretendo referir. É, em primeiro lugar, ao orgulho que sinto enquanto ovarense por estas distinções, mas também pela pequena tristeza que acompanha esse orgulho.</p>
<p>Conforme tive oportunidade de referir, no discurso que tão honrosamente tive oportunidade de fazer, no Primeiro Capítulo da Confraria do Pão-de-Ló de Ovar, não devemos estagnar a evolução da marca pão-de-ló de Ovar na qualidade dos seus produtos. Isso é privar as próprias pessoas, de outros concelhos e mesmo países, de provarem um doce secular, que não vale pela sua história, mas pelo seu gosto.</p>
<p>Uma marca necessita ser promovida, mas actualmente não é suficiente estar presente em concursos e feiras. Se as pessoas, do resto do país, tomarem conhecimento desta notícia, como podem chegar até nós? Não existe um site do pão-de-ló de Ovar que permita saber quais as casas disponíveis para venda, tampouco que permita uma encomenda on-line.<br />
Fazendo uma pesquisa por Pão-de-Ló de Ovar, na primeira página de resposta do Google, que é a mais importante, daí em diante já ninguém se preocupa, podemos constatar que metade das respostas são receitas, outras são a história e depois aparecem as páginas de facebook, que, no meu entender, podem ser melhoradas. A página necessita ser apelativa, trabalhada como um resultado gráfico. A imagem vende. E atrás de um computador, ninguém pode provar.</p>
<p>Portanto, se não pode provar, precisa comer com os olhos. E comer com os olhos não é apenas o pão-de-ló, que, curiosamente, nem aparece nessas fotos da página, apenas carregada de pequenos avisos internos. Comer com os olhos é ter uma boa experiência de utilizador, com imagens apelativas, com um logótipo sempre presente para associação à marca, com fotografias de qualidade e escrita cuidada. Isto é comer com os olhos, o que se chama, desculpem-me o estrangeirismo, user experience. Não o uso por gabarolice, uso-o como método de promoverem vocês próprios umas pesquisas, porque o Google é muito fã desse conceito.<br />
Não estou a dizer que no imediato é necessário um plano de negócios ou marketing alargado, mesmo achando que o era; estou a dizer que para promovermos a nossa tradição, e produtos, necessitamos pelo menos estar atentos aos princípios básicos. O próprio festival do pão-de-ló está mais pensado para os habitantes do concelho, que para os turistas. Fará isto sentido? Existirá alguém do concelho que não conheça o pão-de-ló de Ovar?</p>
<p>Não estou a dar respostas a nada, pois não as tenho. Estou apenas a levantar questões, para que Ovar (o concelho e não a cidade) seja cada vez mais doce. A organização é o primeiro passo, a internet é logo o segundo.<br />
<strong><em>Ricardo Alves Lopes (Ral)</em></strong><br />
<em>www.ricardoalopes.com</em><br />
<em>http://tempestadideias.wordpress.com</em></p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/ovar-podia-ser-mais-doce-ricardo-alves-lopes/">Ovar podia ser mais doce &#8211; Ricardo Alves Lopes</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
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		<media:content url="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2015/03/pão-de-lo.jpg" medium="image"></media:content>
            	</item>
		<item>
		<title>Podemos reclamar? &#8211; Ricardo Alves Lopes</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/podemos-reclamar-ricardo-alves-lopes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2015 18:35:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Antes de mais, gostaria de começar o texto apartado do tema que quero tratar. Faço esta ressalva porque, penso, trata-se de algo que não deve passar ao lado deste espaço, nem de nenhum outro. Queria dar os parabéns ao Gil Godinho, à Tuxa Poças, ao Jaime Valente, à Rádio AVFM e a todos quantos &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Antes de mais, gostaria de começar o texto apartado do tema que quero tratar. Faço esta ressalva porque, penso, trata-se de algo que não deve passar ao lado deste espaço, nem de nenhum outro. Queria dar os parabéns ao Gil Godinho, à Tuxa Poças, ao Jaime Valente, à Rádio AVFM e a todos quantos apoiaram, e estão a apoiar, o Amanha-te. É uma iniciativa de louvar, que, para além do espaço que dá a bandas que vão muito além de Ovar, consegue unir num edifício emblemático, que muitos já pensavam esquecido, jovens, menos jovens e adultos.</p>
<p>É maravilhoso passearmos pelos corredores cravejados de história, e das belas fotos do Daniel Mendonça, enquanto apreciamos um maravilhoso Arrepiado Velho, de uma colheita que tantos nos diz, ouvindo música de qualidade, jovem, que nos transporta até abraços de amizade, conversas de ocasião e projectos de futuro. Isto é tudo o que podemos desejar de pessoas empreendedoras: o sonho e a concretização. Parabéns. Numa noite que uma voz consagrada como a Cuca Roseta nos encheu a cidade com a sua melodia, tivemos uma alternativa, mais do que credível, agradável. A vocês devo-vos um maravilhoso serão em companhia de amigos, conhecidos e desconhecidos que passaram a ser conhecidos. Já foi a segunda eliminatória e que não acabe na terceira, nem na quarta, nem quinta. Que seja uma marca nossa, com espelho em vocês que a fazem.</p>
<p>Agora, sim, gostaria de avançar para um outro assunto: as reclamações. Ah, as reclamações, que bem que sabem. Todos temos o direito à reclamação, mais ainda à nossa opinião. No entanto, há algo que me custa sobremaneira: ver reclamações com sentido, plausíveis, perdidas no jugo da maledicência. O facebook, ou as redes sociais no geral, é propício a isso. Perdem-se grandes ideias entre testamentos de verborreias de quem apenas expele inveja, ou ganância, ou tão-somente ignorância.</p>
<p>Cá na nossa cidade, tenho escutado continuadamente que se tem investido muito em festas e festinhas, que podem ser incluídas na cultura, mas não soa tão pomposo na hora de criticar, em detrimento do bem-estar da população. Sendo leigo ao nível de contas municipais, não estando por dentro das verbas investidas em cada evento, muito menos dos retornos, posso concordar com essas críticas. Mas posso com uma condição, que é a explicação de quais as melhorias que devem ser apresentadas. Não gostar de uma pessoa porque não gostamos é intuição e, não raras vezes, provoca equívocos. Aqui, neste caso, parece-me um pouco semelhante.</p>
<p>No entanto, atendendo à verdade que cada uma dessas críticas pode ter e não é alcançada por quem lê ou ouve, acho que seria interessante nos começarmos a unir mais na luta por criação de críticas plausíveis e com conteúdo. Ou, por outro lado, ao invés de críticas, apenas ideias.</p>
<p>O facebook é uma ferramenta enorme, que nem sempre a utilizamos da melhor forma. Portanto, meus caros, tomei a liberdade de criar um grupo, chamado Discutir Ovar, onde não adicionei ninguém, não convidei ninguém, mas decidi dar um primeiro passo. Ele já existe, agora depende de nós dar corpo a coisas que não achemos que estejam tão bem, ou que faltem. Nada é garantido, mas a nossa voz deve ser em conjunto e não dispersa. O chilreio de uma ave sozinha não faz a primavera.<br />
Uma página, como já existem outras, é algo mais unilateral, a ideia de um grupo é ser o oposto, estarmos todos no mesmo patamar. Se acharem que esta ideia tem sentido, que de lá podem nascer coisas boas, aqui vos deixo o link:<br />
https://www.facebook.com/groups/394957783962504/</p>
<p>Não podemos ter receio de mostrar as nossas opiniões, necessitamos é estar conscientes de qual a veracidade delas. Uma primeira ideia poderia ser a criação de uma lista de coisas que, cremos, podem ser fundamentais para a nossa qualidade de vida. O que acham? Já está lá exposto no grupo. Adicionem pessoas, se assim entenderem. Eu não sou gestor do grupo, sou apenas quem lhe deu nome. Gestores devemos ser todos, sem anarquias nem pretensiosismos ou ressabiamentos. Ideias é que são sempre bem-vindas, creio.</p>
<p><strong><em>Ricardo Alves Lopes (Ral) </em></strong><br />
<em>www.ricardoalopes.com</em><br />
<em>http://tempestadideias.wordpress.com</em></p>
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		<title>Ovar em quatro partes &#8211; Ricardo Alves Lopes</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/ovar-em-quatro-partes-ricardo-alves-lopes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2015 16:30:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Princípio este texto alertando-vos que seguirei por uma linhagem de escrita diferente da habitual. Não emitirei opiniões, não colocarei em causa coisas bem ou mal feitas, apenas vos narrarei parte do meu fim-de-semana. Parte I A semana decorreu no seu compasso natural, com as altercações do trabalho e a pacatez que nos aguarda em casa &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Princípio este texto alertando-vos que seguirei por uma linhagem de escrita diferente da habitual. Não emitirei opiniões, não colocarei em causa coisas bem ou mal feitas, apenas vos narrarei parte do meu fim-de-semana.</p>
<p><strong>Parte I</strong><br />
A semana decorreu no seu compasso natural, com as altercações do trabalho e a pacatez que nos aguarda em casa ao final de cada dia. Fui feliz nessa divisa de sensações, entre a satisfação de fazer o que gosto, o sonho de ambicionar fazer mais e a presença dos amigos, vestidos entre as palavras certas, que me alimentam a ambição. Seja esse o objectivo deles ou não.</p>
<p>Porém, algo me faltava, como um lume que me acendesse o aguço de novidades. Palavras, experiências e histórias de uma pessoa que eu admiro e está à distância imortal dos livros. O Carlos Nuno Granja e o professor Cleto, ambos em leme do Museu de Ovar, permitiram-me isso. Trouxeram uma das mais vincadas vozes da contemporaneidade na literatura portuguesa: Valério Romão. Lá estava eu, numa das filas da frente, numa sala demasiado vazia para o que o escritor merecia, no contraste das habituais casas cheias para nomes como Sérgio Godinho ou Mário Zambujal. Não se pode exigir das pessoas a presença, apenas se pode aproveitar o momento e foi o que fiz. Desaguei a minha semana numa conversa, escutando, as palavras certeiras e concisas do Valério Romão, mas também do seu editor, João Paulo Cotrim, um dos nomes mais respeitados nessa área. Autismo, livros, doenças no geral, família, pessoas, falou-se de tudo um pouco. E eu cresci.</p>
<p><strong>Parte II</strong><br />
Sejamos francos, nem sempre no trabalho temos liberdade para conceber tudo o que nos apaixona. Existe uma entidade patronal que, ciente do melhor para o seu negócio, nos outorga novos rumos, que crêem ser os melhores. Seguimo-los, apaixonados e devotos, acaso de sermos apaixonados pelo que fazemos e confiarmos em quem nos lidera. Não deixando, por isso, de ficar o pequeno amargo de boca de não fazermos tudo o que gostamos.<br />
Eu deixei de ter esse amargo.</p>
<p>Desde há algum tempo para cá, decidi que essas limitações de hierarquia não me iriam pedir de fazer tudo o que acredito que posso fazer. Aventurei-me. Aventurei-me em momentos solitários, ou em parcerias, que me permitem alavancar-me para um patamar que o quotidiano de escritório nem sempre me permite. Posso ou não fazer uso dessas aventuras, posso ou não sentir-me realizado com a concepção final delas, mas fico sempre satisfeito com a sensação de que tentei.</p>
<p>Não é fácil assumirmos o prazer que temos algo em que a maioria dos nossos amigos não nos acompanha, mas a sensação de o fazermos, seja de forma mais solitária ou com amigos que a experiência nos vai criando, resplandece-nos de uma forma que escreve o mundo de forma mais bela. Eu fiz isso, vindo para o Parque Ambiental do Buçaquinho, entre famílias repletas de boa-disposição, pessoas solitárias acompanhadas de revistas e jornais e uma imensa natureza que nos acelera a respiração e acalma as palpitações. Saiu isto.</p>
<p><strong>Parte III</strong><br />
Com a tarde descerrada pelo sol, o resultado não foi o que se esperava. Todos queríamos uma vitória.<br />
Com as andanças do Carnaval e as férias do trabalho, andei arredado da nossa Arena Dolce Vita. Fui remediar isso, nunca compensando, este fim-de-semana, com o jogo de sábado, que pôs frente a frente a nossa Ovarense e o Algés.</p>
<p>Como disse, o resultado não foi o que todos ambicionávamos, mas a aura especial de todos os que acompanham a nossa Ovarense fez suplantar isso. Com as nossas gentes no pavilhão, sejam muitos ou poucos, jamais conseguimos compreender se estamos a ganhar por vinte ou a perder por vinte, tal a adrenalina que colocam em cada jogada. São, efectivamente, um sexto jogador.</p>
<p>O basquete já não é o que era, já não enche os pavilhões como há dez anos, mas continua a preencher uma parte de mim, que me faz recordar, com a nitidez de uma nascente de água, o porquê de há uns vintes ter pedido aos meus pais que comprassem umas sapatilhas na Gavião e me inscrevessem no basquete. Um amor é sempre um amor.</p>
<p><strong>Parte IV</strong></p>
<p>Os futebóis sensíveis invadiram a nossa cidade, em conjunto com tantas outras bandas. Três não são tantas, mas quando se dividem apenas por uma noite são imensas. Filho da Mãe, Carlos Bica + João Paulo Esteves da Silva, Capitão Fausto e Sensible Soccers, tudo na mesma noite.<br />
Escolhi Sensible Soccers, por uma questão de oportunidade e gosto pessoal, consciente que qualquer um dos outros me poderia agradar. Não fui defraudado. O minimalismo espalhou-se pela bonita sala dos Serviços Sociais e Culturais dos Trabalhadores do Município de Ovar.</p>
<p>Pairava um hipnotismo movido a música, que não nos arrancava deste mundo, mas deixava-nos à deriva de tudo o que vivíamos no interior daquelas músicas. Cada pessoa ouviu o seu concerto e deixou-se levitar pelas suas sensações. O calor apertava e não havia bebidas, mas os Sensibles Soccers apagavam-nos a sede, e até a fome, com as ondulações das suas notas. Ovar estava a acontecer, ali à nossa frente e, ao mesmo tempo, na Escola de Artes e ofícios. Todos merecíamos uma coisa assim.</p>
<p>E o meu fim-de-semana chegou ao fim. Não literalmente, apenas na parte que vos queria narrar. Ovar acontece e nós acontecemos. Em vinte e quatro horas, passei por quatro fases que me alimentaram um fim-de-semana inteiro. Não podemos dizer que são só festas. Porque quem não percebe a literatura e a música, jamais poderá sair do cubículo das ideias pré-formatadas. A cultura não é saber, é caminho para o saber. E desculpem-me.<br />
Exagerei no tamanho do texto e faltei à minha palavra, acabei a emitir opiniões. Mas percebe-as apenas quem quer.</p>
<p><strong><em>Ricardo Alves Lopes (Ral)</em></strong><br />
<em>www.ricardoalopes.com</em><br />
<em>http://tempestadideias.wordpress.com</em></p>
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		<title>Ovar por aí fora &#8211; Ricardo Alves Lopes</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/ovar-por-ai-fora-ricardo-alves-lopes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2015 17:02:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que devemos a avaliar não é apenas se é bonito e carismático, ou se faz furor à vista, é se cumpre os propósitos. Digo esta frase a propósito das últimas aposta da Câmara, em relação à nossa cidade. A rua do azulejo e a BTL, claro está. No que se refere à rua do &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O que devemos a avaliar não é apenas se é bonito e carismático, ou se faz furor à vista, é se cumpre os propósitos.<br />
Digo esta frase a propósito das últimas aposta da Câmara, em relação à nossa cidade. A rua do azulejo e a BTL, claro está. No que se refere à rua do azulejo, fartei-me de ver argumentos com os quais não posso concordar. A governação, seja ela local ou nacional, a meu ver, deve ser um motor das indústrias e do comércio, sem para isso ser o tutor de nenhuma delas. Deve ser a entidade que cria a possibilidade, proporciona o ambiente e regula quem nele se insere, não deve ser o ‘pai’ de ninguém.</p>
<p>Por isso, a meu ver, e perdoem-me todos os comerciantes locais, que eu tanto estimo, dizer-me que a medida de criar condições para abrirem novas esplanadas e espaços comerciais, atacando os que já existem, é demagógica e desenquadrada das realidades de negócios. Estão a imaginar o mayor de Nova Iorque a proibir negócios na 5th Avenue, para não atrapalhar os que já existem? Estão a pensar no António Costa a dizer que quer que fechem três cafés na Rua Augusta, porque há 4 mais antigos que estão a ser prejudicados?</p>
<p>Se não imaginam nada disso, porquê que a governação local teria que se limitar pelos que já existem? Se existem e dizem que as coisas não estão bem, também vão atacar agora quem queira criar algo novo e acredite que possa trazer algo de diferente à cidade? Claro que se eu for padeiro e souber que mais ninguém vende pão na minha cidade não tenho que me chatear muito, basta abrir as portas. Mas, hoje, meus caros, a realidade já não é assim. Não demora muito e podemos encomendar o pão pela internet, não se esqueçam. E a concorrência só é má para quem não quer evoluir, para quem tem receio de inovar, ou para quem acha que tem um qualquer dado adquirido apenas porque a porta está aberta.</p>
<p>Uma lógica destas, de aposta no turismo, não pode fazer com que se pensem os negócios como bairristas. Nem os habitantes de Ovar são menos que os do Porto, nem os visitantes de fora vêm apenas para ver carnaval e azulejos. Quem não pensar nisso, não precisa de concorrência para falecer nas entranhas de uma estagnação que só se alimenta por ideias ostracizadas e rendas baixas. Temos que diferenciar. E não se diferencia limitando a concorrência, diferencia-se promovendo o sector, fomentado a vontade de investimento e criando condições para que cada um seja livre de comunicar e promover o seu negócio. As identidades também são importantes nos cafés e restaurantes, não apenas nas grandes marcas que vemos na televisão.</p>
<p>No que se refere à BTL, parece-me uma excelente aposta, bastante focada na promoção da notoriedade da cidade, que tem vindo a criar condições para ser noticiada pela sua vertente cultural (melhor promoção possível de uma cidade), mas que ainda cometeu um erro, conforme referia no Facebook uma pessoa que muito estimo. Parece-me óptimo que se leve parte do nosso Carnaval e não tenho nada contra a presença das escolas de samba por lá, até porque também pertencem e enriquecem o nosso Carnaval, fazia falta era um destaque maior ao nosso carnavalesco.</p>
<p>Torres Vedras é conhecido pela sátira, cá é mais complexo, não basta fazer piadas sobre política e ter uma pessoa que faz os carros todos, é preciso abusar da criatividade e todos os anos criar novas maquetas, inventar do vazio e não de uma frase mal conseguida por um primeiro-ministro qualquer, mas, ainda assim, quando chega a hora de promover-nos fora de Ovar, caímos sempre na tentação de levar apenas os sons brasileiros, que também podem ser ouvidos em Estarreja ou na Mealhada.</p>
<p>O nosso carnaval não vale só pelo carnavalesco, mas também não vale só pelas escolas de samba ou pela passerelle, vale por essa diversidade e conjunto completo. Descriminar uma das partes, é diminuir o carnaval. E foi isso que aconteceu no aeroporto, em tempos, e foi isso que voltou a acontecer na BTL. Somos mais do que isso.</p>
<p>Mas, aparte esse reparo, destaco a iniciativa, a beleza do stand, o orgulho que é ver as trupes de reis e o pão de ló a serem falados, numa montra de azulejo. Que Ovar seja vista, lembrada e desejada. Por cá, faremos nós o nosso trabalho. Não faremos?</p>
<p><strong><em>Ricardo Alves Lopes (Ral)</em></strong><br />
<em>www.ricardoalopes.com</em><br />
<em>http://tempestadideias.wordpress.com</em></p>
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		<title>Carnaval, até para o ano! &#8211; Ricardo Alves Lopes</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/carnaval-ate-para-o-ano-ricardo-alves-lopes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Feb 2015 17:41:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passo por passo, o balão esvazia. Em casa, mudam-se as roupas de local, põe-se a máquina de lavar a trabalhar em programas vários, com intensidades aceleradas. Não basta remover as nódoas, é necessário apagar os fogos de memórias dos tecidos e colocá-los no arrumo que só voltará a papel de destaque lá para Janeiro do &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Passo por passo, o balão esvazia. Em casa, mudam-se as roupas de local, põe-se a máquina de lavar a trabalhar em programas vários, com intensidades aceleradas. Não basta remover as nódoas, é necessário apagar os fogos de memórias dos tecidos e colocá-los no arrumo que só voltará a papel de destaque lá para Janeiro do próximo ano.</p>
<p>Onde estão os encontros após o trabalho? As mãos besuntadas de cola, a esponja espalhada, o esferovite a fazer barulho e o ferro a ranger? Onde estão as pessoas que povoaram as nossas últimas semanas? Onde estão os restaurantes cheios e as ruas a cantarem as marchinhas? Onde pára aquela gente toda que agora parece desaparecida? Onde estão as páginas de internet todas a desembocar para as previsões meteorológicas das próximas semanas?</p>
<p>Onde está tudo isso?<br />
A vida volta à calmaria que nos habitua durante o ano. O tempo destinado aos que mais gostamos alarga-se, os jantares por casa compassam-se mais e guardamos as recordações das pessoas que gostámos de conhecer ou as enormes sensações das pessoas que nos aqueceram no reencontro. O carnaval não é só feito de encontros, também se marca pelos reencontros. Os aeroportos recompõe-se com os Ovarenses que trocam dias de sol no verão, pelas festas que aprenderam a amar na sua cidade. Levam saudades na mochila e deixam saudades nos que ficam. A vida não é fácil, o carnaval é que tem o condão de a condensar num alinhamento acima das nuvens do céu que, normalmente, preenche os nossos dias.</p>
<p>A zona industrial volta a estar atarefada, apenas deixa de ver carros estacionados do Malaquias até à Aldeia e constrói-se com mais fatos-macacos e menos kispos coloridos. As pessoas sorriem menos e não bebem minis, tomam cafés para aguentar as horas de expediente. A polícia não fica tão alerta, nem preocupada com os desacatos. As banda-sonoras trocam-se pelas conversas de café, as multidões pelos pequenos grupos de amigos e a debandada de pessoas de fora pelos costumeiros vizinhos.</p>
<p>Ovar amedronta-se com os meses que ainda faltam até ao próximo carnaval, mas anima-se com a certeza que já está a ser trabalhada a rua do azulejo. Acabou o carnaval, não acabou a cidade. As saudades que guardo são das pessoas. Umas que continuarão no dia-a-dia, outras que partiram para cidades distantes, outras que não mais voltarei a ver e ainda outras que quem sabe recuperarei. A vida não acabou, apenas o Carnaval. Mas volta.</p>
<p><strong><em>Ricardo Alves Lopes (Ral)</em></strong><br />
<em>www.ricardoalopes.com</em><br />
<em>http://tempestadideias.wordpress.com</em></p>
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