
Uma empresa de saltos de paraquedas na Maia vendeu experiências a vários clientes que nunca as chegaram a realizar. Entre os mais de 80 lesados, está a comerciante de Ovar, Sandra Pereira, que se juntou para apresentar uma queixa crime por suspeita de burla.
O projeto terá adiado as experiências compradas várias vezes, ao longo dos anos, sem chegar a realizá-las.
“Em 2024, uma semana antes do salto, recebi um email a dizer que estava cancelado por restrições climatéricas. Não desconfiei de nada e fizemos um novo pedido para remarcar a nova data para 2025. Aconteceu-nos o mesmo e cancelaram por restrições aéreas do aeroporto”, revelou um dos lesados ao “Prova dos Factos”, da RTP.
As mesmas justificações foram dadas a vários outros clientes, que chegaram a estar até dois anos à espera da experiência. Quando finalmente desistiam e pediam o reembolso, ficavam sem resposta.
Sandra disse à reportagem da RTP que solicitou o reembolso e “se me tivessem devolvido o dinheiro eu não estaria aqui”. Pelo que sabe, só em Portugal são 80 os lesados, mas “o número deve ascender a centenas não só aqui como em Espanha, porque a empresa também operava lá”, salienta.
A comerciante de Ovar está há dois anos à espera. “Disseram-me que em setembro tudo seria resolvido, mas que tinha de esperar porque havia várias pessoas na mesma situação e teriam de dar prioridade a esses clientes. O meu reembolso iria acontecer em setembro”, partilhou. “Em setembro, voltei a entrar em contacto para um novo agendamento e ninguém me atendeu, enviei email mas ninguém respondeu até hoje.”
As instalações da empresa, no Aeródromo Vilar de Luz, foram também abandonados. As redes sociais foram apagadas e o número de telemóvel já não está disponível.
“Viemos às instalações e estavam abandonadas. Depois, fui às redes sociais e verifiquei que existiam queixas de 2018, 2022 e 2023”, referiu uma terceira cliente. “As vendas online continuavam ativas, ou seja, eles continuavam a vender os vouchers e todos os anos havia pessoas lesadas.”
Nas avaliações do Google e em plataformas como o Portal da Queixa, dezenas de pessoas têm também relatado a má experiência com a Skydive Maia. Os lesados estão a avançar com ações judiciais consertadas contra a empresa, que permanece incontactável.
As experiências da Skydive Maia rondava os 239,99€ para um salto tandem (quando os clientes saltam com um instrutor). No site, a empresa também disponibilizava vários pacotes especiais para casais.




