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Cantinho do Pobre

Recuamos no tempo e não podemos deixar de lembrar, usando as mesmas palavras, o apelo que então foi feito à população Esmorizense, no Jornal “A Voz de Esmoriz”, nº. 88, de 31 de Maio do ano de 1960.

Meio século passou e…

“A Sopa da Sagrada Família vai mantendo as distribuições aos seus beneficiados ao mesmo ritmo dos anos findos, porém, dias sombrios se avizinham se o “cruzeiro” (moeda) não retoma o seu antigo valor.
Apesar da actual desvalorização, do Brasil vinha até agora o principal contributo para manter esta obra – 1.000$00, representam grandes somas e muita caridade – mas esse contributo diminuiu em muito desde o começo do ano e Deus sabe até quando.

É a vez dos nossos conterrâneos da Metrópole e de África, para que o número de pobres beneficiados pela Sopa não tenha de ser restringido.

Por Deus
Pela nossa Terra
Pelos pobres”

Já eram conhecidas as movimentações independentistas nas ex-províncias ultramarinas. Os governantes precaviam-se, amealhando e mais amealhando, guardando, e mais guardando, dando fome ao povo para ter o seu “pé de meia” e poder vir a suportar os custos da guerra. Tinham os cofres a abarrotar de ouro.

E hoje, como é que é? Será que a história, no tocante à fome, mas com outras facetas, pois os cofres estão cheios de uma outra coisa chamada de “dívidas”, não se está a repetir, a repetir só para os mais desprotegidos e mais pobres? 

O povo tem sido vítima de um desgoverno, e será que, por isso, não estará a ser necessário que um outro, mais premente e urgente, apelo, se faça?

Florindo Pinto

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