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Comerciantes do Furadouro apelam às seguradoras

Os estabelecimentos do Furadouro mais danificados com a agitação marítima de domingo têm prejuízo de várias dezenas de milhares de euros, mas não contam com indemnizações das seguradoras, que dizem "recusar-se a pagar pelo mar".

Américo Gonçalves é o proprietário do bar e restaurante Britannia, que garante ter sido "o estabelecimento mais afetado" pelos estragos da agitação marítima, e declarou à Lusa ter prejuízos "de 60.000 a 70.000 euros, no mínimo".

Depois de ter contactado o seu mediador, está a terminar a relação de estragos para fazer a devida participação à GNR, mas já afirma: "A seguradora vai pôr-se de fora. Tenho cobertura contra inundações, mas já me disseram que eles se recusam a pagar pelas que são provocadas pelo mar".

Com a casa a funcionar há cinco anos no mesmo local, com a frente virada para a rebentação das obras, Américo Gonçalves diz que em nenhum dos outros invernos registou prejuízos como neste.

"Havia sempre algum problema, mas nunca cá entrou água", explica. "Desta vez é que ela entrou com uma força de tal ordem que tenho mesas de inox feitas num oito, arcas congeladoras que ficaram umas por cima das outras e um frigorífico de 400 quilos fora do sítio, que até esse foi arrastado para o meio da cozinha", refere.

Se a seguradora não indemnizar o empresário pelo sinistro, o mais provável será que encerre o estabelecimento e despeça os seus dois funcionários. "Não tenho hipótese nenhuma de repor isto tudo outra vez e já o dinheiro para pagar à senhoria pelos estragos vai ser um problema", assegura.

Entretanto, a casa manter-se-á fechada "pelo menos até junho, que muito dificilmente se conseguirá restabelecer tudo outra vez antes disso".

No Café Amadeu, apontado pela moradores como o segundo mais prejudicado pelo mar, ainda esta a ser feita a contabilização dos danos, mas a proprietária, Emília Cunha, também não está otimista quanto à seguradora. "Se é com intempéries, não se chegam à frente", declara.

"Vamos apresentar a reclamação e insistir, mas já sei que não há nenhuma seguradora que diga que paga por estas coisas", continua. "Na altura do contrato dizem que cobrem tudo, mas depois fogem o mais que podem".

A porta do estabelecimento mantém-se aberta, mas no interior decorrem sobretudo limpezas e identificação de danos. "Não temos coragem para dizer que não se cá entra um cliente, mas é muito difícil trabalhar assim, porque tudo o que estava nos armários saiu arremessado e também não temos luz", explica Emília Cunha.

É precisamente pelos danos em aparelhos elétricos que a reparação dos estragos se adivinha avultada. "A água entrou nos motores todos, deu cabo de um quadro elétrico e temos o equipamentos todo doente", conclui a proprietária. (Fotos de AR)

 

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