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Covid-19

Escaleres

O carnaval é um labirinto cuja entrada é ampla mas com saída difícil de atinar.
Até se encontrar a saída, vamos recheando a nossa vivência com imensas aventuras.
Acrescentamos montes de estórias à nossa existência. Tudo é vivido num estado próximo da alienação- perdemos por completo a ligação ao cotidiano.
E de repente já estamos de saída, já acabou, quase sem darmos com isso.
Agora é o momento de armazenar recordações, experiências, vontades e adereços.
Retiramos do olhar imediato todos os indícios da recente festa. Restarão os mais profundos, os inolvidáveis momentos. Cada adereço guardado traz consigo uma pilha de recordações, mas por agora é impossível de mascarar o evidente: acabou a festa.
Contudo, temos sempre imensa dificuldade em mandar o carnaval para o arquivo morto- as vivências estão de tal maneira presentes que resistimos em considerar o carnaval como algo em falência vital. Mesmo sabendo que tivemos um carnaval em busca de um abrigo, vivido em plano de contingência.
Consultámos demasiadas vezes os sites meteorológicos, um estado de alerta que combina mal com momentos de euforia- por vezes parece que o carnaval goza connosco quando se associa a determinadas condições climatéricas.

Esta irritante inversão de fatores, originou um carnaval alternativo e quase um desfile de emergência. Condições a que transfigurados escaleres e bombeiros se adaptaram na perfeição.
Calor e brilho só mesmo vindo das beldades ovarenses que desfilaram em provocantes trajes…

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