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Esmoriz: Associados questionam contas da Mutualidade de Santa Maria

Os associados da Mutualidade de Santa Maria, com sede em Esmoriz, Fernando Pereira Pinheiro (Sócio 7.635) e Florindo de Oliveira Pinto (Sócio 22.530) queixam-se dos moldes em que decorreu a última Assembleia Geral da instituição, realizada no dia 7 de Julho, em Lourosa. Apesar de a terem solicitado com antecedência, a documentação foi-lhes entregue “no momento da identificação, ou seja, meia hora antes da assembleia e não continha a Demonstração dos Resultados por Natureza, peça fundamental, para um juízo correcto e capaz das contas”. Ali, recolheram alguns elementos, que, segundo eles, “nos permitiram intervir e, em consciência, votar contra a aprovação das contas em causa”. Dizem eles: “A situação patrimonial da Instituição, que tem mais de 124 anos, parece-nos estar em “maus lençóis”.

Enquanto associados, tem sido a sua preocupação com o futuro da Mutualidade Santa Maria – Associação Mutualista, de “nos tem feito “andar em bolandas” à procura da verdade”. De acordo com documentação que nos fizeram chegar, “nesta casa, o simples subsídio de funeral demora mais de meio ano a ser pago, os avultados empréstimos, existem, os imóveis estão hipotecados, os salários da administração em nada são condizentes com o espírito mutualista, a bolsa de formadores está recheada de familiares e amigos dos administradores, o seu presidente, acumula o mesmo cargo em três associações distintas, os subsídios que chegam são de milhões, que se “consomem”, sem que de social, pouco ou nada se veja”.

Alegam que “o acesso ao que por lá se passa é dificultado ao máximo, a divulgação pública, que é obrigatória, simplesmente não se faz”. Florindo Pinto e Fernando Pereira já terão questionado “o porquê de não usarem a internet”, tendo obtido como resposta que “é um investimento caro e não temos dinheiro”.

“E por que temos navegado na “net”, encontramos situações, também elas preocupantes e que se prendem com a União das Mutualidades Portuguesas (UMP), associação de Grau Superior, que tem sido uma “máquina devoradora” de subsídios”.

Pelas suas contas, nos anos de 2011 a 2019, deram entrada nos cofres da UMP, a módica quantia de 4.728.447,54 de Euros, conforme dados que garantem ter obtido dos Relatórios e Contas da União. Apesar de todo este dinheiro, continuam, “os prejuízos foram mais que muitos”.

“De há uns tempos a esta parte, face ao que, por aí, vai sendo dito, em jornais, nas rádio e na televisão e, porque a situação económica da Instituição de que somos associados se encontra em situação que nos preocupa, decidimo-nos efectuar diligências junto de diversos quadrantes na procura da verdade”.

Em Julho último, enviaram uma carta ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, na qual questionam as “carruagens” de dinheiros públicos que têm sido despejadas nas instituições acima referidas a pretexto das mais variadas razões”. Entre 2011 e 2017, a UMP terá recebido 4.898.972,99 Euros, inscritos na rubrica “Subsídios, Doações e Legados à Exploração” do Relatório e Contas da UMP.

Associações Mutualistas são muito
escrutinadas pelos organismos oficiais

Questionado por email, o Conselho de Administração da Mutualidade de Santa Maria começa por sublinhar que “a todos os associados de A Mutualidade de Santa Maria – Associação Mutualista e, naturalmente, aos associados em questão, sempre foi, é e sempre será garantido o esclarecimento de todas as dúvidas e questões relacionados com a vida associativa desta Instituição, dentro dos limites estatutária e legalmente previstos”.

No que concerne aos associados em questão, Fernando Pereira Pinheiro e Florindo de Oliveira Pinto, dispondo do direito de participar e votar nas assembleias gerais, a instituição assevera que “exerceram esse direito nas últimas assembleias gerais, onde, usando da faculdade que lhes assiste como associados, colocaram as questões e solicitaram os esclarecimentos que entenderam, tendo-lhes sido respondidas e prestadas todas as informações solicitadas”.

Em segundo lugar, salienta que “esta Instituição, desde há alguns anos, tem vindo a alargar significativamente a sua área de actuação deixando de, apenas, atribuir benefícios complementares de segurança social (subsídios), e passando a ter um papel relevante na área da saúde (criando e gerindo uma Clínica de saúde e uma Farmácia), na acção social (através da gestão de dois centros infantis, ambos, com as valências de creche e pré-escolar), na intervenção social em grupos e populações em risco ou socialmente excluídas (através da implementação de uma Rede Local de Intervenção Social) e, ainda, na capacitação profissional e no reforço dos níveis de escolaridade, não só através de acções de formação profissional financiadas por programas públicas mas, igualmente, através da criação e gestão de um Centro Qualifica, recentemente criado”.

Todo este trabalho, argumenta o Conselho de Administração da Mutualidade, “tem levado a um crescimento contínuo e sustentado desta Associação Mutualista, e tem merecido a aprovação e o reconhecimento não só dos nossos Associados mas, também, de outras Instituições congéneres”.

O Conselho de Administração desta Instituição garante que vai “continuar a envidar todos os esforços para aumentar as áreas de actuação de A Mutualidade de Santa Maria – Associação Mutualista, ainda que estejamos bem conscientes de que este sucesso e este crescimento possam desagradar a estes dois associados”.

A carta enviada ao Ministério do Trabalho não asusta os dirigentes da Mutualidade, pois “no sector social não existem entidades mais escrutinadas pelos organismos oficiais que as Associações Mutualistas (em razão da amplitude das suas actividades) e a MSM não é excepção pelo que, consideramos desnecessário enfatizar a lisura e transparência dos actuais Órgãos Associativos no exercício das suas funções”.

“Quanto à liberdade de opinar e comentar, ainda que de forma ardilosa, capciosa e difamatória”, a associação deixa “ao livre arbítrio de cada um”, não abdicando, no entanto de, “nos locais próprios e no tempo oportuno, salvaguardar a honra, o bom nome e o prestígio desta Instituição, dos seus associados, funcionários, colaboradores e dirigentes”.

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