Política

Europeias: Campanha da CDU é agora “mais fácil”

O número 3 da CDU ao Parlamento Europeu esteve hoje no Mercado de Ovar para uma campanha eleitoral “mais fácil” do que as anteriores, por ser agora “evidente” como as políticas europeias afetam a situação do país.

Entre comerciantes que reclamavam que no Poder “estão sempre os mesmos mentirosos e trafulhas” e que esses agora “até tiraram os crucifixos das escolas”, Miguel Viegas explicou: “Em nenhum outro período foi tão clara a associação entre o que se passa a nível local e as políticas que nos são impostas pelas instituições da União Europeia, com a conivência dos partidos que lá as aprovam e aplaudem”.

Lutando pelo seu lugar em Bruxelas, o docente universitário que já foi veterinário e deputado municipal em Ovar acrescenta: “Esta é, portanto, uma campanha mais fácil do que as outras anteriores, porque as pessoas começam a perceber a associação evidente entre aquilo que se passa a nível local e aquelas que são as grandes orientações políticas da União Europeia”.

Miguel Viegas mostra-se preocupado com “o desemprego maciço que existe em Ovar” e atribui-o a “anos e anos de destruição do aparelho produtivo, com fábricas a fechar e a despedir”.
Para esse cenário contribui também o declínio das pescas e da agricultura de dimensão familiar, pelo que os efeitos negativos da ligação à União Europeia se verificam também ao nível da “extremamente injusta” distribuição dos fundos comunitários.

“Ovar já teve inúmeras companhas de pesca a trabalhar no Torrão do Lameiro, no Furadouro e em Esmoriz, e elas agora não estão lá porque a União Europeia pagou para se proceder ao abate dos barcos”, refere o candidato da CDU.

“Também tínhamos uma agricultura pujante e ela está a desaparecer, porque houve políticas de apoio ao abandono da atividade, os próprios subsídios foram canalizados para as grandes propriedades e agora há centenas de explorações leiteiras – na Marinha, em Válega e em S. João de Ovar – que estão a definhar e começar a fechar”, continua.

Para Miguel Viegas, o voto na CDU é, assim, a garantia de melhores condições para combater as políticas que resultaram no atual estado do país. “Propomo-nos fazer no Parlamento Europeu aquilo que sempre fizemos, porque o que está a acontecer já previmos há muito tempo”, observa.

Ilda Figueiredo, que foi deputada em Bruxelas de 1999 a 2012 e é agora mandatária nacional da candidatura, garante que o voto na coligação entre PCP e “Verdes” é, aliás, “a única alternativa clara, consequente, de permanente oposição às políticas que desgraçaram o país e o povo”.

Para justificar essa posição, a mandatária declara: “No Parlamento Europeu, os deputados da CDU dão prioridade à defesa dos direitos dos trabalhadores, do povo e do país, enquanto os do PS, PSD e CDS sempre foram coincidentes e votaram todos nas mesmas políticas – o Tratado de Maastricht, o Tratado de Lisboa, a Política Agrícola Comum, a Política Comum das Pescas e todas as outras que tiveram estas consequências desgraçadas em Portugal”.
Para Ilda Figueiredo, “esses partidos esquecem-se de uma coisa: é que lá se fazem, mas cá se pagam”.

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