Cultura

Joyce Cândido antecipa “Samba Nômade” no FIMUV

Poucos meses após gravar com António Zambujo o tema “Queria morar num boteco”, Joyce Cândido abriu, este sábado, o 43.º FIMUV. O concerto do Cineteatro António Lamoso adivinha-se como um dos momentos mais marcantes da edição de 2020, ano tão atípico em que as restrições impostas pela situação pandémica mundial obrigam a maiores cuidados na plateia e, também por isso, a maior alegria e optimismo em palco.

Estas duas emoções estiveram presentes na performance da artista multifacetada, que começou a sua formação em piano e voz no Conservatório Carlos Gomes, no estado de São Paulo, e depois prosseguiu a sua aprendizagem em música e dança em instituições de reputação mundial como o Broadway Dance Center, o Alvim Ailey American Dance Center e o estúdio Steps on Broadway.

Conciliando aulas com actuações, acabaria rapidamente por ser premiada pela associação que reúne jornalistas brasileiros em funções de correspondentes noutros países: foram eles que a elegeram como a melhor intérprete do Brasil nos Estados Unidos. Entretanto, afirmou-se ainda no continente asiático, ficando reconhecida como embaixadora da música brasileira no Japão.

Com uma presença cativante em palco, elegância de desempenho e espírito de entrega, Joyce Cândido regressou ao Brasil para se afirmar em diversos palcos do seu país-natal e avançou para uma carreira internacional com presença regular na Europa. Vem actuando em Espanha, na Hungria, na República Checa, na Holanda, em França, na Alemanha e no Reino Unido, tendo inclusivamente integrado as celebrações do centenário do samba em Portugal.

Sobre o concerto no FIMUV de 2020, admitiu: “Fiquei muito feliz por este show não ter sido cancelado. É o primeiro que farei desde que a quarentena começou. Sigamos, com todo cuidado, e com muita música”.

Uma artista com genética portuguesa e ainda em lua-de-mel

Neta de portugueses da Serra da Estrela, Joyce Cândido casou-se no sábado passado e poucos dias depois já retoma a sua agenda de concertos, precisamente no país onde ainda tem família. “É sempre maravilhoso ir para Portugal”, confessa. “Amo cantar para o público lusitano, sempre sou recebida com muito carinho e é uma delícia visitar minha família e amigos portugueses”.

No formato permitido pelo contexto epidemiológico global, a cantora veio ao FIMUV desvendar a sonoridade amadurecida que se propõe materializar num novo álbum, cujo título previsto é “Samba Nômade”. Resultado de muitas viagens, novos destinos, diferentes vizinhanças e hábitos culturais distintos, a sua experiência pessoal e artística continua a refletir-se em diversidade e bom gosto ao nível de letras, influências e parcerias. Por esse motivo, a sua set list conciliou originais recentes com sucessos mais antigos como “Samba e Amor” ou “Deixa a menina”, ambos escritos por Chico Buarque, ou até mesmo “Reconvexo”, um original que Caetano Veloso compôs para a irmã, Maria Bethânia, e que Joyce renovou para perpetuar pelo mundo o apelo ao respeito pelas complexas origens da cultura brasileira.

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