Opinião

Nem Tudo Vai Mal – Sérgio Chaves

Entendo a paz como uma condição, tal como a saúde, sem as quais não existe verdadeira liberdade, ainda que no primeiro caso num plano mais social e no segundo num plano mais pessoal. Ambas têm para mim mais uma coisa em comum: só se lhes dá o devido valor quando não se tem ou se perde.

Após Guerras Mundiais, um período de tensão provocado pela Guerra Fria e consecutivos Tratados de integração europeia, passámos a ter a paz, a liberdade e a prosperidade como dados adquiridos, mas os cada vez mais repetidos acontecimentos internacionais questionam essas certezas.

No caso de Portugal, somos um país que raramente se soube ou saberá governar, cuja velocidade de ponta do crescimento económico já se deu, e não mais voltará a repetir-se. Mas será que tudo vai mal? Os cidadãos portugueses nos seus brandos costumes não se revoltam com certas evidências, mas também têm na sua serenidade um valioso activo que faz discernir e sair de situações potencialmente complicadas.

Saímos de um impasse político e mal ou bem as coisas foram andando, em Espanha nem por isso, no Brasil ainda menos e em tons que ultrapassa já o normal da crispação para chegar a níveis pouco recomendados em democracia.
Será ou não será o português, com todo os defeitos que tenha, exemplar na forma como na diáspora se consegue integrar nos quatro cantos do Mundo?
Será ou não Portugal um caso de tolerância e êxito na integração da maioria dos imigrantes que acolhe? Será ou não unânime que quem nos visita se sente em casa?

Não vou estar a julgar agora de quem é a culpa da Guerra na Síria, do terrorismo, ou sobre a ineficácia da política sobre os migrantes da UE, e o que espero, sinceramente (embora não acredite em milagres no curto-prazo) é que estas situações sejam amenizadas, mas Portugal, fruto da sua localização periférica e muito por esta nossa forma de ser, tem sabido aproveitar (sobretudo na vertente do turismo) a instabilidade dum conjunto cada vez mais alargado de países.

O nosso forte nunca foi, nem vão ser as contas, mas existirá alguém que possa contrariar o sucesso em termos de imagem do país e de retorno em termos turísticos de alguns eventos internacionais organizados em Portugal? Há somente que aproveitar e reinventar as infra-estruturas para capitalizar em ganhos, pois os activos mais importantes ou dificilmente se alteram (paz, segurança, clima e paisagem) ou não mudam de todo: NÓS!

Sérgio Chaves
*O autor não aderiu ao acordo ortográfico.

 

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