Política

O caminho do mutualismo para a igualdade de género

Os números são reveladores de um longo caminho que ainda é necessário percorrer: 93,3 por cento dos dirigentes de topo das mutualidades são homens, enquanto que apenas 6,7 por cento são do género feminino. Contudo, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (Inquérito ao Setor da Economia Social, 2018), no que diz respeito aos colaboradores ao serviço das Associações Mutualistas, 61 por cento são mulheres.

“São valores sobre os quais importa refletir e agir, e colocar este tema na agenda do movimento mutualista é um ponto de partida”, afirma Luís Alberto Silva, Presidente da União das Mutualidades Portuguesas (UMP).

Em concreto, chamar a atenção para a questão da igualdade de género no III Encontro Nacional de Mulheres Mutualistas, marcado para o dia 21 de março, entre as 09h00 e as 12h30, na Universidade de Aveiro (Sala de Atos Académicos da Reitoria) é um primeiro passo.

Com “A diversidade de papéis da mulher na sociedade portuguesa” como mote, o evento pretende despertar mentalidades para este assunto tão relevante e fomentar a reflexão sobre onde nos encontramos e os caminhos a seguir no trajeto para a equidade entre géneros, em especial no seio do movimento mutualista.

Em diferentes momentos e contextos, e enquanto entidade representativa das associações mutualistas, a UMP tem exortado as suas filiadas a cativar mais mulheres para os órgãos associativos das mutualidades e sensibilizado os dirigentes e os mutualistas para criarem mecanismos de abertura à participação das mulheres.

“A mundividência feminina trará seguramente novos temas, novas preocupações e novas perspetivas que ajudarão a refrescar a narrativa do movimento mutualista e torná-la mais próxima das expectativas e necessidades da sociedade portuguesa contemporânea”, considera o dirigente.

Quanto à escolha do contexto académico para realizar a iniciativa, não é resultado do acaso. “Por um lado, estamos a sensibilizar os jovens universitários para a temática da igualdade de género, ajudando a construir uma sociedade mais inclusiva no futuro, e, por outro, a dar a conhecer o mutualismo a um público que pretendemos familiarizar com esta vertente da economia social”, explica.

A iniciativa juntará um painel constituído pelas deputadas Cláudia Santos (PS) e Carla Madureira (PSD), ambas eleitas pelo distrito de Aveiro, os presidentes mutualistas Carlos Jorge Silva (A Beneficência Familiar do Porto) e Isabel Silva (Glória Portuguesa, Porto) e a investigadora da Universidade Nova de Lisboa Virgínia Baptista, que tem estudado o papel das mulheres no movimento mutualista português.

Teresa Carvalho, da Universidade de Aveiro – e que coordena um estudo sobre “As Organizações Mutualistas na Sociedade Portuguesa do século XXI”, encomendado àquela instituição de ensino superior e que se encontra em fase de conclusão -, terá a seu cargo a moderação do debate.

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