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Piloto português luta por voar no Brasil

Num momento em que muitos portugueses procuram a sorte e um emprego num país em que a língua é a mesma e se apregoam facilidades, o Brasil costuma a ser um dos destinos de eleição. Sucede, que uma vez lá chegados, as dificuldades começam a surgir e, não raras vezes, são inultrapassáveis.

Tiago Vital partiu de Avanca para o Brasil, com um curso de piloto debaixo do braço. Cidadão português e piloto comercial de aviação civil viu as portas fecharem-se-lhe uma a uma.

É, no mínimo, chocante, a diferença de tratamento dos dois países relativamente à profissão que Tiago escolheu. “Qualquer piloto brasileiro que queira voar em Portugal é livre de o fazer. Candidata-se a uma empresa e se esta gostar é chamado, pede um visto de trabalho e começa a voar”. Mais, no início, pode até exercer a sua profis

são com a licença brasileira, “porque o INAC – Instituto Nacional da Aviação Civil concede-lhe uma licença provisória de um ano”. “Nesse espaço de tempo, ele pode até fazer as cadeiras teóricas que lhe faltam e obter uma licença europeia”, explica Tiago que se encontra no Brasil há cerca de três anos e meio.

Por outro lado, para um português voar no Brasil, precisa de ter “o que aqui chamam de Igualdade de Direitos e Obrigações Civis, um estatuto é concedido apenas a portugueses que tenham o visto permanente”. Isto é, acrescenta Tiago Vital, “terás de ser casado com brasileiro, ou pai de brasileiro para obteres esse visto”.

No caso de Tiago, após a sua chegada ao Brasil, candidatou-se às provas de consolidação de licença, e conseguiu a carteira de piloto estrangeiro, com prerrogativas de piloto privado, o que significa, segundo ele, “que como piloto privado eu não posso exercer a profissão de piloto e com isso ganhar dinheiro”. Logo, “nenhuma empresa me iria contratar”.

É este o purgatório que os pilotos lusos vivem no Brasil e, embora Tiago tenha visto a sua situação evoluir favoravelmente, não esquece o que passou e criou o blogue "Seis por Meia" para alertar as autoridades para este problema.

“O problema agora não sou eu”, saliente Tiago Vital, “o problema são os outros, aqueles que querem vir e não podem porque não há reciprocidade na lei brasileira”.

“O problema está no facto de o Brasil, através da ANAC – Agencia Nacional de Aviação Civil, não estar a respeitar o tratado de amizade firmado entre os dois países”, alerta.

“Eu não sou contra a mão de obra estrangeira, nada disso”, destaca, “apenas acho que há um erro grave ao qual ninguém está a dar a devida atenção”.

Neste momento, e após ter constituído família no Rio de Janeiro, Tiago continua sem voar, mas isso fica a dever-se à conjuntura económica. “Infelizmente, o mercado estagnou, precisamente, na altura que a minha cidadania saiu. Mas já voei no Brasil como freelancer”. Agora, aguarda apenas que o mercado ‘aqueça’ já no início de 2014, com o aproximar da abertura dos grandes eventos previstos para o Brasil.

Mas a causa não morre porque “sinto que é uma luta minha por ser português”.

 

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