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Ria de Aveiro em projecto para absorver carbono azul

Fomentar o investimento privado na área do carbono azul é uma das prioridades do novo projeto da Fundação Calouste Gulbenkian. O projeto – “Gulbenkian Carbono Azul” -, lançado no Dia Mundial dos Oceanos, quer dar a conhecer e caracterizar os ecossistemas de carbono azul existentes de norte a sul de Portugal Continental, desenhar medidas de proteção e restauro e identificar os respetivos custos que serão necessários para garantir que estes ecossistemas continuem com a função de remover carbono da atmosfera.

Mas, afinal, o que é o carbono azul? E qual a importância de preservar e restaurar os ecossistemas marinhos?

Carbono azul é o termo utilizado para designar o carbono capturado e armazenado pelos ecossistemas marinhos e costeiros: “Em Portugal, temos três tipos de ecossistemas de carbono azul reconhecidos com maior potencial para a mitigação do aumento de CO2 na atmosfera: pradarias marinhas, sapais e florestas de algas”. Este projeto reveste-se ainda de grande importância por tocar numa área “carbono azul” essencial para as negociações da COP27, Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.

Dividido em três fases, o Gulbenkian Carbono Azul, numa primeira, que decorrerá até novembro de 2022, vai focar-se em gerar o conhecimento de base científico e, em particular, serão mapeados e caracterizados todos os ecossistemas de carbono azul em Portugal Continental, nomeadamente nas nove áreas que estão identificadas como zonas de elevado potencial para se prestar carbono azul: Parque Natural da Ria Formosa, Reserva Natural de Castro Marim, Estuário do Rio Arade, Ria de Alvor, Estuário do Mira, Reserva Natural do Estuário do Sado, Reserva do Estuário do Tejo, Ria de Aveiro e Lagoa de Óbidos.

“Em cada uma das áreas serão identificadas a dimensão, a condição em que se encontra o ecossistema, a taxa anual de sequestro de carbono, entre outras características”, explica Filipa Saldanha, acrescentando que, o “mapeamento e a caracterização detalhada destes ecossistemas nestas nove áreas” permitirá definir as medidas de proteção e restauro adequadas. Ainda nesta fase, será desenvolvida uma “carteira de intervenções de conservação e restauro de ecossistemas”, incluindo tanto a “quantificação do carbono que será absorvido com respectivos custos”, como também “concluir outros tipos de serviços e benefício que sejam de relevância para investidores”, como por exemplo, a “proteção das zonas costeiras que têm sido um serviço do ecossistemas que muitas seguradoras a nível mundial já estão a olhar para além do sequestro do carbono”.

A ANP | WWF (Associação Natureza Portugal) em associação com a WWF, e o CCMAR – Universidade do Algarve são os parceiros do projeto que conta com o Professor Carlos Duarte (King Abdullah University of Science and Technology) como embaixador. Dado que os ecossistemas marinhos e costeiros são domínio público marítimo, a Fundação e os seus parceiros vão ainda colaborar com as entidades públicas responsáveis pela sua conservação e gestão, nomeadamente as que estão na dependência do Ministério da Economia e do Mar (DGPM, DGRM, IPMA) e do Ministério do Ambiente e Ação Climática (ICNF).

O lançamento do Gulbenkian Carbono Azul inscreve-se na participação da Fundação Calouste Gulbenkian na Conferência do Oceano das Nações Unidas, que decorre em Lisboa entre 27 de junho e 1 de julho. A apresentação do Gulbenkian Carbono Azul ao público será feita no dia 27 de junho, às 16h45, no auditório do Fórum Oceano no Pavilhão de Portugal.

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