Opinião

So Big Is Not Beautiful – Sérgio Chaves

Em coerência com o que já defendi nesta praça e com os tempos que correm, não podemos exigir à nossa porta todos e mais alguns serviços, na óptica do são sempre precisos.

O assunto que hoje me ocupa deriva deste país ter a necessidade de fazer certas coisas tão grandes ou megalómanas para se sentir em igualdade com outras civilizações. Deve haver quem tenha memória para ir mais atrás no tempo, mas nesta era ultra-moderna pós-adesão à UE, há um marco símbolico para mim importante: a maior feijoada do Mundo para inaugurar a maior ponte da Europa (refiro-me à Vasco da Gama).

A partir daí, o rectângulo embalou imparável para a Expo’98, para a Porto 2001, para o Euro (moeda, o projecto mais megalómano de todos), para o Euro 2004, e por aqui me fico, pois se voltasse a entrar pelos caminhos do “gang do asfalto” isto não acabava!

expoSe o país e Lisboa (sobretudo) ganharam com uma magnífica obra de reabilitação urbana que foi a zona da Expo? Ganharam, não era preciso era haver nenhuma exposição universal com inúmeros equipamentos que acrescentaram casas de milhares às despesas. Se o país e o Porto (sobretudo) ganharam com a Capital Europeia da Cultura? Ganharam, sem dúvida. Não seria preciso era ter havido tamanho inflacionamento nas obras.

Qualquer uma destas cidades não teria o enquadramento internacional sem esses dois eventos. Igualmente, a dívida do país seria qualquer coisa mais modesta. Se o Euro 2004 foi mau para o país? Quem for intelectualmente honesto não pode discordar que foi um sucesso e que a imagem do país melhorou bastante.

Porém, não deviam ter sido feitos 10 estádios. O de Aveiro, Leiria e Algarve estão a mais. Por muito que doa nos orgulhos clubísticos, em Lisboa e no Porto deviam existir dois e não quatro estádios.

Estes são talvez dos actos mais marcantes pelas verbas envolvidas e pela falta de exemplo que foi dada na capacidade de gerir correctamente tamanhos investimentos.

escola primáriaSaltando outros, centro-me agora na Parque Escolar. Eu, para mudar de país, para um desses civilizados, tenho de me meter no comboio ou na auto-estrada, mas houve alguém que entretanto se encarregou de também dar à província um toque dessa civilidade, através de algumas obras em escolas, candidatas até a prémios.

Esses concursos não deviam ser concursos de fotografia, e devia ser obrigatória a inclusão de critérios significativos como a funcionalidade e a vivência.

Posto isto, boa parte desses mausuléus ao invés de idolatrados, passavam provavelmente para o plano do ridículo. Ainda esta semana se tomou conhecimento que como o dinheiro acabou não vai haver intervenção numa série de obras mais remediadas noutras escolas.

Concordo que não é possível manter escolas com meia-dúzia de alunos, na medida até que a escola é antes de tudo um exercício de sociabilização, não posso é concordar que se sacrifiquem projectos equilibrados no número de pessoas e no espaço que ocupam, dinâmicos e com maior envolvimento, mas por serem mais pequenos têm de ser dizimados para se alimentarem essas megalomanias.

Andam autocarros a torrar gasóleo para capturar as crianças e as enclasurarem nesses novos conceitos. Qual arrastão que traz as petingas e essas depois são enlatadas para ir para as grandes superfícies.

Quem partilhou comigo aquele enorme recreio, em que jogavam 11 x 11 e ainda sobrava outro tanto e se depara com o espectáculo actual, sabe bem do que estou a falar!

 

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