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Sobreviver…

(Testemunho de um tanoeiro, de V. N. de Gaia, no ano de 1978, referindo-se aos “nossos” tanoeiros)

“Nós os tanoeiros daqui, da vila, e os das freguesias circunvizinhas, recusávamos trabalhar em serviços onde estivessem “SALEIROS”. Nós chamávamos a esses tanoeiros (de Ovar, Maceda, Cortegaça, Esmoriz, Paramos, Silvalde, Espinho e Anta) “SALEIROS”, porque eles não eram camaradas, eles atropelavam toda a gente, e só eles é que queriam trabalhar e de qualquer maneira e em qualquer sítio, enquanto que os daqui queriam uma praça onde à volta estivesse tudo limpo e arrumado. 

Eles não, eles trabalhavam à volta das pipas com os arcos traçados, sujeitos a cortar um pé, era palha por todos os sítios, era lenha do fogacho espalhada por toda a parte, tinham um temperamento ganancioso porque queriam chegar ao fim de semana e levar, já nessa época, em 1926/1927, uma nota de 100 escudos para casa, era esse o objectivo deles.

Nós, os daqui, batia o meio dia, pousávamos o malho, estivesse como estivesse, e eles passados 5 minutos ainda andavam a trabalhar e quando faltavam 5 ou 10 minutos para a uma hora, eles já estavam a trabalhar, embora não fosse com o malho mas iam buscar palha, iam buscar madeira para quando chegasse à hora eles já terem tudo pronto. 

Portanto, os daqui recusavam-se a ir para uma casa onde trabalhassem “SALEIROS” porque era insuportável poder trabalhar com eles”.

Texto recolhido por Florindo Pinto

 

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