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Cultura

TAN TAN TANN – [Chega aos] 10 anos entre a memória do ofício e a invenção do presente

Festival de Artes Performativas Contemporâneas ‘volta a instalar-se’ na Tanoaria Josafer

“Há sons que ficam. Sons que atravessam o tempo e se transformam em identidade, em memória, em lugar. O TAN TAN TANN nasceu desse eco: do batimento ritmado dos martelos sobre a madeira e os aros de ferro, do gesto antigo da tanoaria, do pulsar de um ofício que faz parte da história e da alma de Esmoriz. É dessa onomatopeia, profundamente enraizada num território e num saber-fazer, que nasce o nome e o espírito deste festival”, José Licínio Pimenta

A Tanoaria Josafer volta a converter-se não apenas num autêntico “quartel-general” do ofício da arte da tanoaria, que já (o) é desde a sua fundação em 1962, mas num habitat dinâmico das outras artes, pelo menos durante um final de semana em que tudo acontece. Assim, nos próximos dias 12 e 13 de junho, nas noites destes dias, há manipulação e teatro de objetos, música para diversos gostos e ainda espaço e tempo para partilhar e conviver, como se estes últimos tópicos configurassem, assumissem por si só, a condição de serem uma parte da programação do TAN TAN TANN – Festival de Artes Performativas Contemporâneas.

A iniciativa é promovida pela companhia Imaginar do Gigante e conta com o apoio da Câmara Municipal de Ovar e da DGARTES – Direção Geral das Artes.

E se a tanoaria, situada em Esmoriz, Ovar, opera desde o dealbar dos anos 60 do século passado, constituindo-se assim como uma das mais antigas unidades associadas ao ofício da construção/produção de pipas e afins de Portugal, a programação artístico cultural que nela se instala, embora respeite essa dimensão temporal da tradição é portadora de uma paradoxal, ou talvez nem por isso, modernidade.

Angélica Salvi (na foto) é o nome mais sonante da cartilha programática prevista para as duas noites do Festival e promete ‘enfeitiçar positivamente’ os espectadores que se deslocarem ao local: a harpista espanhola, há muito radicada em Portugal, é uma instrumentista muito respeitada, possuidora de credenciais de virtuosismo, talento e charme musical que tem vindo a espalhar um pouco por toda a parte.

A improvisação que é um dos apanágios de Angélica, bem como a música contemporânea e eletroacústica que constituem o seu diapasão vão instalar-se na Tanoaria Josafer e criar uma atmosfera encantatória a partir das 21h30, do dia 13, sábado.

Recuando um pouco na extensão programática do TAN TAN TANN, este ‘festival de surpresas’, como também passou a ser conhecido pelo carácter inusitado das propostas que apresenta, reserva para o dia 12 de junho, sexta-feira, uma incursão por “Memorabília”.

A obra criada pela companhia Alma D’Arame, de Montemor-o-Novo, estabelece no respetivo conteúdo o resultado entre a relação objeto/performer, um binómio potenciado pela projeção de imagens e ilustração sonora em tempo real. Estética, estática e cinética são as parcelas que se somam para dar forma a um artefacto bizarro, do denominado teatro de objetos, do qual emerge o simbolismo da memória, para ver a partir das 21h30.

Ainda na sexta-feira, logo a seguir à apresentação da companhia alentejana, a voz e a eletrónica que lhe estará associada vão fazer-se sentir em palco através da presença de Puçanga – o alter-ego da artista lisboeta Vera Marques.

A cantautora e produtora foi buscar o nome artístico à palavra que significa feitiço ou remédio caseiro. O momento vai enfatizar uma voz assombrada que se soma à toada sonora que inclui dark e bassy, estilos muito próprios de uma eletrónica experimental. Com algum ativismo à mistura por via do feminismo assumido, pelo canto de resistência e uma atitude defensora das causas sociais em palco, Puçanga traduz em simultâneo um certo apreço pelo folclore que também a inspira nas criações musicais. Para ver na sexta-feira, dia 12 de junho, aí pelas 23h00 em diante.

Javier Aranda, por seu turno, irá apresentar-se logo após o proverbial intervalo que se seguirá à apresentação de Angélica Salvi. Trata-se de uma criação artística que vive no universo da manipulação de objetos. O ator e marionetista é notoriamente um artista versátil cujo trabalho de duas décadas deixou chancela em várias companhias teatrais: Teatro del Temple, Teatro Arbolé, Teatro Gayarre, e Centro Dramático de Aragón. Tudo isto depois de se ter formado na Escola de Teatro de Saragoça. Tem registo de diversas participações em cinema: em longas e curtas-metragens. Na atualidade vai alternando a sua dupla condição de ator e marionetista em trabalhos no âmbito da sua própria estrutura teatral, a Companhia Javier Aranda. E é com curiosidade sublinhada que se espera esta atuação, aí por volta das 23h00 de sábado, dia 13, sábado.

Transversal aos dois dias de TAN TAN TANN será a atuação de Rui Gomes, pianista que vive em Paris, onde dá aulas e toca em vários espaços da capital francesa. Bem ao estilo de um saloon, o instrumentista vai tocar e cantar músicas para acompanhar os copos, as conversas e um dos momentos-chave com que as noites do Festival findam: a ‘Macaca Ramboia’ – denominação evocativa resgatada ao final da jornada diária dos tanoeiros, em que estes assavam carne e bebiam vinho, num momento de convívio que os fazia esquecer a dureza de um dia de trabalho.

A décima edição do TAN TAN TANN vai contar também com a oferta de uma obra comemorativa, uma brochura, e cujo lançamento homenageia todo o trabalho desenvolvido pela generalidade dos envolvidos na produção e criação das diferentes edições do Festival, com uma ênfase especial aos artistas que passaram pelo evento ao longo de uma década, muitos deles ilustres anónimos à data e que hoje são reconhecidos no meio e integram o denominado panorama artístico mainstream.

Para saber mais sobre a programação (menu completo):

https://www.imaginardogigante.pt/festival-tan-tan-tann-2026

 

 

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