Opinião

Um Vareiro na China… a ver o Portugal-Espanha

Na barulhenta e confusa Pequim não é fácil encontrar um lugar para ver o Mundial de Futebol que se está disputar na Rússia. A China não está no mundial, os chineses não ligam muito a futebol e, esporadicamente vêem os jogos apenas por curiosidade. Mesmo assim, vêem-se alguns chineses com t-shirts das equipas de futebol, desde Portugal com a t-shirt do Ronaldo, a “la roja” espanhola e até, imagine-se, camisolas de Itália.

Onde se nota que se vive no mundial é nos locais mais internacionais, como o famoso bairro de Sanlitun – a zona dos bares da cidade, das cervejarias, das discos, do mundo ocidental. Ali se juntam argentinos, mexicanos, russos, portugueses, espanhóis, franceses, alemães, ingleses de gema com a camisola da sua nação que ostentam orgulhosamente. É fácil meter conversa, perceber de onde são, discutir futebol e fazer mais uma amizade. Os jogos podem ver-se na esplanada do Nali Patio, no restaurante mexicano Q Mex, Homeplate BBQ, o bar de terraço Martini Bar, Migas, cervejaria Beersmith e no conhecido, barulhento e apinhado bar irlandês Paddy’s.

É sexta-feira, dia de jogo da selecção, e com a diferença horária o jogo calha às 02 da madrugada de cá, mas nem isso impede os orgulhosos tugas de forçar corpo e mente após um dia de aulas ou de trabalho para jantarem com os seus conterrâneos e partir rumo a um bar para verem juntos a equipa das quinas e por milagre beber uma Super Bock, que no Paddy’s se se trouxer a camisola da selecção sai a 20 kuai duas garrafas (2,70 Euros).

Ainda há tempo de ir a casa, de ir jantar, tomar banho, tirar o pesado fato e suor de trabalho do dia, vestir a camisola da selecção e meter o cachecol, entre vibrares e mensagens de telemóvel dos ferverosos amigos ansioso por ver a nossa equipa jogar.

Entre as 23h e as 02 começam os verdes e vermelhos a jogar, a abraçar-se e a cumprimentar as conterrâneas com dois beijos na cara, a tão peculiar e amistosa regra social tuga. Segue-se uma seca cerveja sem tremoços porque não descobriram a espectacular combinação da cerveja fresca e dos tremoços salgados, duas, até que chega toda a gente e o ansiado jogo começa!

É tão bom estar no meio de tanta gente e apenas nós entendermos a nossa bela língua, podermos rir, gritar, gozar, dizer asneiras, sem que os outros ocidentais ou os chineses percebam o que se está a dizer.

É nesta base que vivemos a emoção e o espectáculo do jogo e da nossa cultura! Grita-se, vibra-se, ri-se, enerva-se com os nossos golos e os dois espanhóis e no fim, com o empate, preconiza-se o até agora melhor jogo do mundial!

Quatro da manhã, já é amanhecer em Pequim, às 05 o sol irrompe por entre os arranha-céus da selva de betão. Uns regressam a casa para descansar, outros continuam a caminhada da festa, outros desaparecem no meio da multidão.

Inicia-se mais um dia na capital chinesa.

Rosendo Costa

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