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Vera Resende: “Ninguém diga que isto é apenas uma gripe”

Vera Resende é médica ortopedista, tem 37 anos, nasceu em Ovar e reside em São Vicente de Pereira. Fez o 1º ciclo de ensino na Escola Primária da Relva, o 2º e 3º ciclos na Escola Básica de Válega e o secundário na Escola Júlio Dinis, em Ovar. Completou o 12º ano com uma média final de 19 valores.

Iniciou o curso de Medicina em 2001 na Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade da Beira Interior. Concluiu a Licenciatura em julho de 2007, com a média final de 15,2 valores.

Foi indicada como uma das cinco melhores comunicações livres pelo trabalho “Canal lombar estreito – Sinal da Sedimentação”, apresentado no IV Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, Monte Real, em março 2012; recebeu uma Menção Honrosa pelo trabalho “Estudo retrospectivo do tratamento cirúrgico de pseudartroses do escafóide”, apresentado na XXII Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Cirurgia da Mão, em Linda-a-Velha, em maio de 2010.

Vera tem cinco trabalhos científicos publicados em revistas internacionais e nacionais e 16 comunicações livres em eventos internacionais e 44 em eventos nacionais; 9 posters em eventos internacionais e 32 em nacionais; 2 vídeos e 64 comunicações em serviço.

Praticante de BTT, ténis e musculação, a saudável Vera cumpria todos os protocolos de segurança e nunca pensou que pudesse ser contagiada e muito menos que iria ficar internada seis dias na UCI do Hospital de Santa Maria da Feira, devido à Covid-19. Apesar de ter recuperado completamente desde que foi infectada, em abril do ano passado, revela que algumas complicações, como a anemia, só se resolveram em outubro e assegura que a expressão “isto é só uma gripe” nunca mais passou pela boca de quem a conhece.

Tudo começou com a perda do olfacto, no dia de Páscoa, seguida de uma semana durante a qual Vera se convenceu de que estava com uma gripe. Quatro dias mais tarde, a médica ovarense dava entrada nos cuidados intensivos com anemia, redução de plaquetas e linfócitos no sangue, alterações neurológicas, hepáticas e trombóticas, além de um cansaço extremo que a impedia de andar mais de dois metros.

Ligada a uma máquina de alto débito, Vera nunca esteve em coma induzido, mas revela ter muito poucas memórias dos seis dias passados nos intensivos. As dores de cabeça incontroláveis e a paralisia temporária do braço e da perna direitos são a recordação mais viva que traz consigo.

À Visão, a médica ovarense revela que “a recuperação que se seguiu foi muito lenta e difícil”. Os tão esperados resultados negativos chegaram no fim de maio, mas não vieram acompanhados da energia à qual a ortopedista estava habituada. “Felizmente, estava a viver num piso térreo, porque, nessa altura, nem subir escadas conseguia.”

A energia de Vera Resende acabaria por voltar ao volante da bicicleta, com persistência, a ajuda de três amigos e uma meta muito específica: “Tinha decidido fazer os caminhos de Santiago de bicicleta, que são mais de 600 quilómetros, e acabei por conseguir fazê-los em oito dias, no final de agosto.

Apesar de ter recuperado completamente, Vera revela que algumas complicações, como a anemia, só se resolveram em outubro. “A expressão ‘isto é só uma gripe’ nunca mais passou pela boca das pessoas que me conhecem e que sofreram comigo.”

De
Visão

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