Opinião

O nosso Hospital Dr. Francisco Zagalo – José Fragateiro

O nosso Hospital Dr. Francisco Zagalo tem “andado” na comunicação social e felizmente por boas razões. Primeiro lançando o SOSP, que é um projeto do Ministério da Saúde, envolvendo a SPMS, a ARS Centro, o ACeS Baixo Vouga e o Hospital Dr. Francisco Zagalo, surgindo com uma evolução do HOSP: Hospital de Ovar Sem Papel desenvolvido nos últimos 5 meses. Com o SOSP, os utentes do ACES BV vão poder sair de uma consulta com o médico de família já com os meios complementares de diagnóstico e terapêuticos agendados no Hospital de Ovar e, após a realização dos exames, os resultados ficam também disponíveis para o médico de família no sistema informático. O projeto vai arrancar com uma experiência-piloto na Unidade de Saúde Familiar João Semana e, progressivamente, será alargado a outras Unidades Funcionais de Ovar.

O Hospital de Ovar tem sido pioneiro neste processo de desmaterialização que já permitiu aumentar de 27% para 73% a percentagem de Receitas Sem Papel totalmente desmaterializadas (valor registado em janeiro de 2018), reduzir o consumo de papel que, nos meses janeiro e fevereiro decresceu quase 50% em relação ao período homólogo de 2017, apostar na desmaterialização da gestão documental e da gestão de assiduidade, anular os novos processos clínicos em papel, entre outras mudanças, que têm também possibilitado testar em contexto real aplicações que estão a ser desenvolvidas pela SPMS.

Em seguida, pela introdução, para fins terapêuticos na UCC (Unidade de Cuidados Continuados), de um robot em formato de foca bebé, a “Rosa”, que visa melhorar a qualidade de vida e promover o bem-estar das pessoas com sinais e sintomas de ansiedade, depressão, desorientação ou dificuldades em manter foco comunicacional, de acordo com uma avaliação psicológica do efeito emocional e cognitivo, e da terapia ocupacional a desenvolver, comparando-se os efeitos entre grupos de doentes em que seja aplicado o robot e nos que não seja aplicado.

Destes dois projectos teve a possibilidade de se inteirar a Sr.ª Secretária de Estado da Saúde, Dr.º Rosa Valente de Matos, aquando da sua visita ao nosso Hospital, no passado dia 13 de Março, tendo a sua estadia entre nós culminado com uma reunião com o Conselho Directivo do Hospital, onde também estiveram presentes os Srs. Presidentes da CMO e da UFO e que visou tratar de assuntos relacionados com o futuro da instituição e da resposta de cuidados de saúde a garantir na região.

À margem desta reunião, eu e Sr. Presidente da Junta tivemos a possibilidade de transmitir, de viva voz, à Sr.ª Secretária de Estado as nossa preocupações acerca do futuro HFZ, que foram bem recebidas e que constam do “memorando” que no dia seguinte lhe enviámos:
1. Manter referenciação ao Centro Hospitalar de Entre douro e Vouga (Feira);
2. Obras de beneficiação no Bloco Operatório;
3. Implementação do Serviço de Urgências;
4. Nos casos agudos a serem encaminhados para o entro Hospitalar de Entre douro e Vouga (Feira) irem devidamente triados, evitando as longas listas de espera que aí se verificam;
5. Não aceitar que o HFZ funcione praticamente como uma rede cuidados continuados.

Os Presidentes da Junta e da Assembleia da Freguesias da UFO têm vindo a desenvolver o seu trabalho, o Conselho de Administração do Hospital tem vindo a desenvolver o seu trabalho, o PS/Ovar tem vindo a desenvolver o seu trabalho e esperamos que o recém criado “Grupo de Trabalho para a elaboração do plano de implementação do projecto-piloto do HFZ-Hospital de proximidade”, desenvolva também o seu trabalho e como o nome o diz o torne um Hospital de proximidade, bem equipado, capaz de dar uma resposta rápida e cabal às solicitações da nossa população, bem diferente de funcionar apenas como uma rede de cuidados continuados e com um orçamento real que vá de encontro às necessidades, dado que em 2014, com a propalada, mas nunca consumada, passagem para a Misericórdia de Ovar, sofreu um corte de 40% que nunca foi reposto, o que obriga o Conselho Directivo ter de solicitar constantes reforços de verba.

Esperamos que todo o ruído criado à volta da integração do HFZ na ULS de Entre Douro e Vouga (Feira), sem apresentarem qualquer alternativa credível e que levou á sua retirada desse projeto, não traga consequência gravosas para os nossos utentes e ao seu completo esvaziamento, podendo chegar ao ponto do nosso Hospital de referência ser o Centro Hospitalar do Baixo-Vouga (Aveiro) e as urgências agudas serem encaminhadas para os Hospitais de Coimbra, com todos os prejuízos que isso acarrete, a nível emocional, social, de transportes e financeiro.

A ver vamos! Estaremos atentos, pois os superiores interesses da nossa população assim o exigem!

José Fragateiro (intervenção na AF UFO de 19 de Abril)

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