Opinião

Ambiente Natalício decorado com fios têxteis cruzados – José Lopes

A época natalícia, independentemente do significado que cada um lhe possa atribuir, em meio escolar concentra sempre grandes expectativas na imaginação e na vertente artística que os docentes da disciplina de ET/EV, ao longo dos anos, brindam a comunidade escolar na decoração da Escola EB António Dias Simões.

Mesmo quando tal disponibilidade só depende do seu profissionalismo para conjugar quase utópicas metas curriculares, como as que fazem parte do manual, por exemplo do 6.º ano, agravado com a desvalorização e fragilização desta área disciplinar, reduzida a um docente, para gerir a vasta gama de materiais a trabalhar e respectivos conteúdos, com elevados números de alunos por turma e toda a sua diversidade humana de que são cada vez mais compostas, em salas de aula também desadequadas.

Este ano lectivo, o grupo de docentes de ET/EV elegeu os têxteis como um dos materiais a explorar na disciplina, permitindo conhecer o processo de transformação das fibras têxteis com diferentes cores e texturas e o processo de transformação, que em sala de aula estes profissionais, sem
meios apropriados para melhor concretização prática, recorrem a métodos improvisados de exemplos de tecelagem, cruzando e entrelaçando fios têxteis que resultam em tapeçaria artesanal. Uma estratégia com bons resultados em sala de aula, que deram origem, peça a peça, à decoração
natalícia da Escola.

O trabalho em têxteis teve como matéria-prima usada no fabrico de imaginativos elementos de múltiplas cores e texturas, fibras têxtil recicladas que os alunos trouxeram de casa, através de tecidos e peças de roupa velha, dando origem a rolos de tiras, utilizadas em função das aprendizagens dos alunos na conjugação e contrastes de cores e texturas.

São estas peças que aqui se destacam da decoração natalícia na Escola, como resultado de “pedaços” de fios cruzados e entrelaçados, por mãos de jovens a quem está a ser dada oportunidade de experimentarem e manusearem, os materiais possíveis de serem trabalhados em sala de aula, que há muito tinham sido desadaptadas para tal regresso a objectivos curriculares, entretanto, definidos revalorizados, a exemplo dos que implicam naturalmente a oportunidade de ser estudada a origem dos materiais e suas propriedades físicas, a sua transformação ou as tecnologias de fabrico e sua evolução. Seja a madeira, papel, argila ou metais, entre os materiais enumerados nos manuais que voltam a dar perspetivas de trabalho, mas a que urge criarem-se adequadas e ajustadas condições aos vários níveis. Para que as metas possam ser efectivamente atingidas sem a pressão a que se continua a assistir, e que por isso mesmo, só da boa vontade e empenho dos docentes, podem resultar tais momentos coloridos na decoração da Escola.

As peças que este ano são a base da decoração de Natal na Escola, resultantes de um método de tecelagem verdadeiramente artesanal, com “teares” improvisados, são uma simbólica homenagem à tapeçaria artesanal portuguesa, que assume significativa importância económica e cultural,
como os exemplos de grande prestígio das tapeçarias de Portalegre e de Arraiolos, tal como é referido e ilustrado no manual, cujos exemplos de propostas de trabalho para serem criados objetos com material reciclado, neste caso através de tecelagem, foram objetivamente suplantados pela
paixão que persiste apesar de tudo nestes profissionais da disciplina que continuam a realizar verdadeiros milagres, pese embora todas as contrariedades.

Votos de Boas Festas
10/12/2016
José Lopes,
Assistente Operacional

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