Política

Incêndio no Vouguinha expõe falta de investimento da CP no material circulante

Um incêndio numa automotora do Vouguinha, junto a São Paio de Oleiros, no concelho de Santa Maria da Feira, ocorrido na passada segunda-feira, dia 28 de setembro, ao final da tarde, está a levantar diversas questões.
De acordo com as notícias vindas a público, o incêndio terá tido origem numa avaria no sistema de exaustão da automotora.
Os passageiros tiveram de abandonar a composição e foram depois transportados de autocarro até aos respetivos destinos. O incêndio foi apagado pelos trabalhadores da CP e pelos Bombeiros Voluntários de Espinho e uma passageira de 37 anos foi transportada, por precaução, para o Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira.
A Linha do Vouga liga Espinho a Aveiro e atravessa os concelhos de Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha e Águeda, numa das zonas com maior densidade populacional e atividade industrial do país. É utilizada diariamente por trabalhadores e estudantes que dependem deste comboio para as suas deslocações e que, há anos, convivem com atrasos, supressões e avarias.
Este incêndio não é um episódio isolado. Segundo o jornal Público, em apenas dois meses deste ano a CP suprimiu 97 comboios na Linha do Vouga, por avarias do material circulante, falta de revisores, falta de PDA e até roubo de gasóleo. As automotoras da série 9630, que asseguram o serviço, estão no limite da sua vida útil e o Movimento Cívico pela Linha do Vouga tem alertado para o facto de as avarias constantes serem a principal causa das supressões.
Apesar disso, a aquisição de novo material circulante para a linha continua sem data. A CP tem justificado o adiamento com a falta de decisão sobre a eletrificação da linha, que está prevista no Programa Nacional de Investimentos 2030. Em março deste ano, foi assinado em Aveiro um aditamento ao contrato de compra de novas automotoras para a CP, sem que nenhuma se destine à Linha do Vouga.
O Bloco de Esquerda tem vindo a denunciar o abandono a que a Linha do Vouga tem sido votada pelos sucessivos Governos. A falta de investimento no material circulante e nos trabalhadores da CP coloca em causa a qualidade do serviço e, como este incêndio demonstra, a segurança de passageiros e trabalhadores. Numa região onde a dependência do automóvel é muito elevada, a degradação da linha afasta as pessoas do transporte público, com custos para as famílias e para o ambiente.
A CP é uma empresa pública e o Governo tem responsabilidade direta nesta matéria. Importa, por isso, saber que medidas estão a ser tomadas para garantir a segurança da circulação e a renovação do material circulante na Linha do Vouga.
Assim, o Bloco de Esquerda vai dirigir ao Governo, através do Ministério das Infraestruturas e Habitação, as seguintes perguntas:
1. Tem o Governo conhecimento desta situação?
2. Já foram apuradas as causas do incêndio? A ocorrência foi comunicada ao Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) e ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT)?
3. Quantas automotoras se encontram atualmente operacionais na Linha do Vouga e qual o seu estado de manutenção?
4. Para quando está prevista a aquisição de novo material circulante para a Linha do Vouga?
5. Que medidas vai o Governo adotar para reforçar o número de trabalhadores da CP afetos a esta linha, nomeadamente revisores, maquinistas e pessoal de manutenção?
6. Está o Governo disposto a avançar com um plano de investimento para a modernização da Linha do Vouga, com prazos e verbas definidos?

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