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Opinião

Máscara sem Elásticos (II) – Por Edgar Branco

No seu quarto, na humildade da sua casa, Artur prepara-se com o cuidado de um ritual íntimo.
Escolheu a indumentária perfeita para este ano: vai de cowboy ao Carnaval. Calças bem alinhadas, botas trabalhadas — semelhantes às dos verdadeiros — camisa de flanela e um colete a compor o conjunto.

Agora, já de chapéu na cabeça, dá os últimos retoques.

Os Vareiros

Frente ao espelho, observa-se. Está pronto. O corpo aprumado, a roupa composta… mas o rosto continua a parecer-lhe escondido.

— Estás impecável, Artur — diz para si, em voz baixa, quase como quem precisa ouvir a confirmação vinda de outro.

— Este ano vais divertir-te ainda mais. Finalmente chegou… a Noite Mágica.

Artur adora esta noite. É, sem dúvida, o seu momento favorito do ano. O Carnaval oferece-lhe a liberdade rara de poder ser outro — ou de ser, por fim, ele mesmo, sem medo.

Por breves horas, o mundo permite-lhe existir fora das regras. E é isso que mais deseja.
Lá fora, o ruído cresce. As vozes, a música, os passos — tudo anuncia o início da folia. Artur escuta e sorri. A festa chama por ele.

Mas antes de sair, olha-se uma última vez ao espelho. O reflexo devolve-lhe um homem
mascarado… por dentro e por fora.

— Estás pronto. — sussurra.
— Respira fundo — repte.

A noite vai começar.

Edgar Branco

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