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	<title>Edgar Branco, autor em OvarNews</title>
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	<description>Actualidade Vareira</description>
	<lastBuildDate>Sun, 13 Sep 2026 10:05:16 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Edgar Branco, autor em OvarNews</title>
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	<item>
		<title>O Irmão de Santa Camarão (II) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/o-irmao-de-santa-camarao-ii-por-edgar-branco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edgar Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Sep 2026 10:04:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Vista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Santo Lagosta, desde cedo, interessou-se por música. A guitarra tornou-se a sua maior paixão. Cresceu com ela às costas, treinando incessantemente, aprendendo com cada acorde, aperfeiçoando-se um pouco a cada dia. O gosto estava lá. Mas o talento… O talento, esse, nunca acompanhou a sua dedicação. Nos melhores dias, era razoável. Nos piores, desafinado. Enquanto &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Santo Lagosta, desde cedo, interessou-se por música. A guitarra tornou-se a sua maior paixão.</p>
<p>Cresceu com ela às costas, treinando incessantemente, aprendendo com cada acorde, aperfeiçoando-se um pouco a cada dia.</p>
<p>O gosto estava lá. Mas o talento… O talento, esse, nunca acompanhou a sua dedicação. Nos melhores dias, era razoável. Nos piores, desafinado.</p>
<p>Enquanto Santo Lagosta se debatia com as suas limitações, via o seu irmão, Santa Camarão, brilhar.</p>
<p>O nome dele ecoava em manchetes de jornal, em conversas nos cafés, nos olhares orgulhosos dos vareiros. Vitória atrás de vitória. Reconhecimento atrás de reconhecimento.</p>
<p>E ele ali. Preso ao seu canto. Mas recusava desistir.</p>
<p>&#8211; Eu vou conseguir. Eu vou tornar-me num talento. E vai ser com esta guitarra.</p>
<p>A convicção crescia dentro dele. Mas o tempo passava, e o sonho continuava a escapar-lhe.</p>
<p>Certa noite, depois de um longo turno como empregado de mesa no Café Lampião, Santo Lagosta saiu para caminhar. Exausto, mas incapaz de se separar da guitarra, seguiu pelas ruas da cidade, dedilhando as cordas enquanto cantarolava.</p>
<p>— Ó Lagosta! Ó Lagosta! Pára lá com esse ruído e deixa as pessoas em paz! — gritou um homem à porta de um tasco.</p>
<p>Nem todos eram fãs da sua música. Mas Santo Lagosta não se importava.</p>
<p>Seguiu o seu caminho. Sem destino, sem pressa, sem expectativas e foi então que os seus pés o levaram ao Cais da Ribeira.</p>
<p>Um local carregado de história, onde o cheiro a sal e a madeira velha se misturava com o vento.</p>
<p>Durante séculos, aquele cais fora um ponto de chegada e partida para muitos. Um pedaço da alma de Ovar. Santo Lagosta sempre sentira uma conexão com aquele lugar. Algo no murmúrio das águas o acalmava.</p>
<p>Sentou-se na beira do cais, pernas balançando sobre a ria. A guitarra pousada ao lado.</p>
<p>Respirou fundo e fechou os olhos.</p>
<p>Foi então que viu algo a flutuar na água.</p>
<p>Algo que o fez arregalar os olhos.</p>
<p>No meio das sombras da noite, entre fios de rede de pesca, uma criatura debatia-se.<br />
Uma truta.</p>
<p>Mas não uma truta qualquer.<br />
O peixe brilhava com as cores do arco-íris, cintilando sob a luz pálida do lusco-fusco.<br />
— Mas que diabo…? — murmurou Santo Lagosta.<br />
E então, para seu espanto, a criatura falou.<br />
— Sou uma truta! Ajuda-me, por favor!<br />
Santo Lagosta olhou ao redor, mas a rua estava vazia.</p>
<p>A sua mente girava. Estaria a sonhar?<br />
— Uma truta a falar? Só te falta rir! — exclamou, incrédulo.<br />
— Não estou a brincar! Preciso de ajuda. Se me soltares, concedo-te um desejo.<br />
Santo Lagosta piscou os olhos. Tentou dar um estalo na própria cara para ver se acordava.<br />
Nada mudou.</p>
<p>A truta continuava lá, os seus olhos redondos e brilhantes fixos nele.<br />
— Podes bater-te o quanto quiseres, mas isto é real! Ajuda-me e terás o teu desejo!<br />
E algo dentro dele disse-lhe para acreditar. Mergulhou na água sem pensar duas vezes e libertou a criatura da rede.</p>
<p>A truta deslizou para a liberdade, nadando em círculos antes de emergir novamente.<br />
— O prometido é devido. Terás o teu desejo. Mas há uma condição.<br />
— Uma condição?<br />
— Não podes escolher. Quem escolhe sou eu.<br />
— Isso não faz sentido! — protestou Santo Lagosta.</p>
<p>— São as regras do meu poder. Tens de aceitar.<br />
Santo Lagosta cruzou os braços e ponderou. Aceitaria um desejo sem saber qual seria?<br />
Sorriu. Era um homem alegre, sem grandes ambições. Que mal poderia acontecer?<br />
— Ora bem! Vamos lá a isso. Mostra-me o teu poder, ó Truta Mágica.<br />
A criatura brilhou intensamente e murmurou palavras indecifráveis:<br />
— Labadim, labadá… labadim, labadá… o teu desejo será realidade!</p>
<p>Uma neblina espessa surgiu ao redor da truta.<br />
E, antes que Santo Lagosta pudesse reagir, a névoa avançou para cima dele como uma onda.<br />
O coração disparou. Tentou correr.<br />
Mas tropeçou.<br />
A névoa apanhou-o.<br />
E, de repente, o silêncio.<br />
Santo Lagosta levantou-se devagar.<br />
Sentia-se… normal.<br />
Tentou falar.</p>
<p>— Errrmmm… hummm… hummm… &#8211; Nada. Os seus olhos arregalaram-se. Tentou outra vez.<br />
— Hummm… hummm…<br />
Nada. A voz tinha desaparecido. O desejo roubara-lhe o som.<br />
Olhou para o céu, desesperado. Aquela maldita truta!</p>
<p>Mas a truta já não estava lá.<br />
Respirou fundo.<br />
Aceitou o destino.<br />
Pegou na guitarra e começou a caminhar para casa.<br />
No dia seguinte, tentou convencer-se de que era apenas uma indisposição. Que a voz voltaria.<br />
Mas a voz não voltou.</p>
<p>Santo Lagosta agora era um músico sem voz.<br />
E nem imaginava o que o futuro ainda lhe reservava. (Continua)</p>
<p><em><strong>Edgar Branco</strong></em></p>
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		<item>
		<title>O Irmão de Santa Camarão (I) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/o-irmao-de-santa-camarao-i-por-edgar-branco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edgar Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Sep 2026 16:30:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Poucos nomes ressoam tão alto em Ovar como o de José Soares Santa, o lendário Santa Camarão. Um colosso nascido na manhã de Natal de 1902, com mais de dois metros de altura, um verdadeiro gigante numa época em que o homem comum mal ultrapassa o metro e sessenta. De Lisboa ao Brasil, dos ringues &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Poucos nomes ressoam tão alto em Ovar como o de José Soares Santa, o lendário Santa Camarão.</p>
<p>Um colosso nascido na manhã de Natal de 1902, com mais de dois metros de altura, um verdadeiro gigante numa época em que o homem comum mal ultrapassa o metro e sessenta.</p>
<p>De Lisboa ao Brasil, dos ringues de Portugal às arenas fervilhantes dos imigrantes em Massachusetts e Rhode Island, Santa Camarão fez-se nome no boxe. Enfrentou os maiores.</p>
<p>Trocou golpes com Max Baer, cruzou punhos com Primo Carnera, disputou o título europeu contra Pierre Charles. Perdeu esse combate, mas nunca perdeu o estatuto de lenda.</p>
<p>Foi o pugilista de Ovar, o filho da terra que levou o nome da cidade além-mar.</p>
<p>Hoje, permanece imortalizado em pedra, numa estátua erguida junto à casa onde nasceu — umtributo de pedra e orgulho.</p>
<p>Mas esta não é a sua história. Esta é a história de um homem que o tempo quis esquecer.</p>
<p>O irmão desconhecido de Santa Camarão.</p>
<p>Nos registos, Santa Camarão nasceu como filho único. Mas os registos, tal como as memórias, por vezes omitem o que lhes é inconveniente.</p>
<p>Houve outro.</p>
<p>Um homem que, em qualquer outra família, poderia ter sido tão célebre quanto Santa. Um homem que carregava a mesma força do sangue paterno, mas cujo nome nunca adornou estátuas nem largos.</p>
<p>O seu nome? José Santo Lagosta.</p>
<p>Não era alcunha. Não era troça. Santo Lagosta era o seu nome de batismo, herdado da mãe, Ludovina Lagosta — uma mulher cujo destino se entrelaçou, em segredo, com António Soares Santa, o pai do pugilista. O fruto de uma ligação extraconjugal.</p>
<p>Um segredo que Ovar murmurava, mas nunca ousava dizer em voz alta.</p>
<p>E assim, enquanto um irmão caminhava para a glória, o outro crescia nas sombras. Santo Lagosta não era um gigante como Santa Camarão. Era um homem franzino, de corpo delgado, sem grande interesse ou apetência para feitos atléticos. Não herdou a força. Não herdou os punhos de ferro nem a brutalidade do pugilismo que o seu irmão ostentava nos ringues. Mas também não era um homem sem talento.</p>
<p>Ficou conhecido por um dom diferente.</p>
<p>Um vidente.</p>
<p>O Vidente de Ovar.</p>
<p>O vidente da guitarra na mão. <em>(continua)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Edgar Branco</strong></em></p>
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		<item>
		<title>O Cine-Teatro de Ovar (V) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/o-cine-teatro-de-ovar-v-por-edgar-branco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edgar Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 15:15:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>E assim é para muitos, o Cine-Teatro. Para quem por lá passa diariamente, um lugar de ecos do passado, de memórias gravadas no tempo, um cenário de histórias que se recusam a desaparecer. Foi palco de bailes antigos, onde os nossos avós dançaram ao som de orquestras elegantes, vestidos a rigor, envoltos na promessa de &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>E assim é para muitos, o Cine-Teatro.</p>
<p>Para quem por lá passa diariamente, um lugar de ecos do passado, de memórias gravadas no<br />
tempo, um cenário de histórias que se recusam a desaparecer.</p>
<p>Foi palco de bailes antigos, onde os nossos avós dançaram ao som de orquestras elegantes,<br />
vestidos a rigor, envoltos na promessa de um amor que talvez ali tenha nascido.<br />
Foi testemunha discreta de encontros furtivos, de mãos que se tocavam pela primeira vez no escuro<br />
da sala, de olhares trocados entre cadeiras de veludo, onde se desenrolavam os primeiros atos de<br />
paixões tímidas e inocentes.</p>
<p>Foi refúgio para aqueles que fugiam da solidão e encontravam companhia numa tela iluminada, onde<br />
os filmes traziam mundos distantes e promessas de aventuras impossíveis.<br />
Foi consolo para corações partidos, que se perderam em histórias alheias para esquecer as suas<br />
próprias.</p>
<p>Foi o palco de alegrias e frustrações, de planos bem-sucedidos e outros que se desmoronaram,<br />
deixando apenas o rastro de uma boa risada.</p>
<p>Foi abrigo para quem, apanhado de surpresa por uma chuva repentina, encontrou refúgio no seu<br />
átrio imponente, vendo as gotas caírem diante de si, como se o próprio Cine-Teatro quisesse<br />
protegê-los.</p>
<p>Foi um ponto de encontro, um porto seguro, um farol na vida de muitos.<br />
<strong>E agora, lá está ele.</strong><br />
Imóvel.</p>
<p>As suas portas trancadas, as suas janelas cerradas, como se adormecido num feitiço do tempo.</p>
<p><strong>Mas não está morto.</strong><br />
Porque a sua alma permanece viva nos que o recordam e Nos que ainda sentem a vibração das<br />
suas paredes, nos que ainda conseguem ouvir os risos abafados, os murmúrios apaixonados, os<br />
aplausos que outrora encheram aquela sala.</p>
<p>O Cine-Teatro de Ovar não é apenas um edifício, é uma história, uma história que ainda não chegou<br />
ao fim.</p>
<p>Porque enquanto houver quem se lembre, quem passe por ali e feche os olhos por um instante,<br />
imaginando o brilho do passado, as suas portas nunca estarão verdadeiramente fechadas.<br />
<a href="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Edgar-Branco.jpg"><img decoding="async" class="alignleft  wp-image-97617" src="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Edgar-Branco.jpg" alt="" width="299" height="299" srcset="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Edgar-Branco.jpg 1024w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Edgar-Branco-300x300.jpg 300w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Edgar-Branco-150x150.jpg 150w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Edgar-Branco-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 299px) 100vw, 299px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Edgar Branco</strong></p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/o-cine-teatro-de-ovar-v-por-edgar-branco/">O Cine-Teatro de Ovar (V) &#8211; Por Edgar Branco</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Cine-Teatro de Ovar (IV) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/cine-teatro-de-ovar-iv-por-edgar-branco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edgar Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2026 15:18:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Marília caminha sozinha pela cidade. Está cansada, trêmula, sente-se mais só do que o habitual. Aborrecida em casa, decide sair sem destino certo. Ovar e as suas ruas têm o dom de acalmar qualquer ânimo. &#160; Caminha com passos firmes, sem direção. A angústia no peito dissipa-se aos poucos, até que os olhos pousam, &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Marília caminha sozinha pela cidade. Está cansada, trêmula, sente-se mais só do que o habitual. Aborrecida em casa, decide sair sem destino certo. Ovar e as suas ruas têm o dom de acalmar qualquer ânimo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Caminha com passos firmes, sem direção. A angústia no peito dissipa-se aos poucos, até que os olhos pousam, por acaso, nos posters envelhecidos ainda presos às janelas do antigo Cine-Teatro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E recorda.</p>
<p>Recorda&#8230;</p>
<p>A viagem no tempo começa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Era um dia morno. O tipo de dia em que nada acontece, em que a cidade parece adormecida, sem grandes atividades para oferecer.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas Marília sempre teve um talento especial para encontrar soluções.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pegou no telefone e marcou encontro com as suas melhores amigas, Cíntia e Mónica. Cresceram juntas — a mesma escola, a mesma cidade, a mesma infância. Mas agora, tudo estava prestes a mudar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O 12º ano tinha chegado ao fim, os exames de acesso à universidade tinham corrido bem&#8230; mas seguiriam caminhos diferentes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nenhuma delas falava sobre isso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Havia um silêncio estranho entre as três, uma espécie de pacto não declarado para evitar o inevitável.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sem planos para o dia, decidiram fazer o que sempre faziam: perder-se pelas ruas da cidade. Caminhar juntas, rir sem pressa, fingir que o tempo não estava prestes a separá-las.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>— Então, um filme?</p>
<p>— Qual?</p>
<p>— Só há uma tela. Ou vamos às 14h ou então só às 17h, e isso já fica tarde.</p>
<p>— Sim, sim, vamos às 14h.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A decisão havia sido tomada e o filme era o menos importante.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao entrar no Cine-Teatro, algo mudou. O riso voltou, a confusão de sempre instalou-se. O cheiro dos doces da zona, o burburinho das pessoas, a familiaridade daquele espaço.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Só que algo inesperado aconteceu.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O filme não funcionava, tentativa após tentativa, sempre com o mesmo resultado, em nada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>— Vai haver um atraso, pedimos desculpa. — anunciou um dos funcionários.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas elas não se importaram. Aproveitaram para rir mais um pouco.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E um novo anúncio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>— Podem ir ao quiosque, têm direito a um chocolatinho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As três entreolharam-se.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>— Olha que sorte. — brincou Cíntia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A sala estava quase vazia, então a oferta parecia um presente especial, mas o filme continuava sem arrancar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mais conversa, mais risos, mais tempo passado sem preocupação, até que veio a confirmação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>— A fita está estragada. Só poderemos exibir o filme na próxima sessão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não fazia mal para as três, pois o que tinha começado como um plano para um dia sem graça, transformou-se numa memória.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A última memória das três juntas, na sua cidade, como sempre foi.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>De volta ao presente, Marília sorri sozinha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ali está ela, feliz de novo, ainda que por um instante.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma recordação simples, num lugar que já não existe da mesma forma, mas que nunca deixará de ser um eterno aconchego.</p>
<p>(Continua)</p>
<p>Edgar Branco.</p>
<p>&nbsp;</p>
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	</item>
		<item>
		<title>O Cine-Teatro de Ovar (III) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/o-cine-teatro-de-ovar-iii-por-edgar-branco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edgar Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2026 14:17:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Joel corre sempre pela cidade, apressado, envolto em compromissos e tarefas. Parece nunca ter tempo para nada. Entra num café no centro, em frente ao antigo cinema, e olha pela montra. O olhar detém-se na velha fachada do Cine-Teatro e, com um gole de café, a viagem no tempo começa. A adolescência volta num instante. &#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/o-cine-teatro-de-ovar-iii-por-edgar-branco/">O Cine-Teatro de Ovar (III) &#8211; Por Edgar Branco</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Joel corre sempre pela cidade, apressado, envolto em compromissos e tarefas. Parece nunca ter tempo para nada. Entra num café no centro, em frente ao antigo cinema, e olha pela montra. O olhar detém-se na velha fachada do Cine-Teatro e, com um gole de café, a viagem no tempo começa.</p>
<p>A adolescência volta num instante.</p>
<p>Joel sempre foi extrovertido, um rapaz bem-humorado, rodeado de amigos. Mas, por muito sociável que fosse, havia algo que ainda lhe escapava: um encontro.</p>
<p>Há semanas que andava atrás disso. Filipa era colega de uma outra escola, e, entre conversas de amigos em comum, trocas de mensagens e alguma coragem acumulada, ele finalmente conseguira.</p>
<p>— Sábado, na sessão das duas da tarde. Pode ser?</p>
<p>A resposta veio rápida.</p>
<p>— Sim, sim, claro.</p>
<p>Joel sentiu o coração acelerar. Imaginou o cenário perfeito: ele e Filipa sentados lado a lado, o balde de pipocas entre os dois, uma comédia romântica na tela… E, no momento certo, o braço dele se levantaria num falso espreguiçar e desceria suavemente sobre os ombros dela.</p>
<p>Talvez até roubasse um beijo, ou dois.</p>
<p>Chega sexta-feira à noite.</p>
<p>Joel, entusiasmado, contava tudo a Manel, um dos seus melhores amigos. Estavam em casa de Manel, jogando consola, enquanto o nervosismo de Joel crescia.</p>
<p>— Meu, ela é linda, juro-te! — dizia ele, cheio de expectativa.</p>
<p>— Estou a ver, estou a ver&#8230; Mas tens mesmo a certeza de que ela vai? — Manel ergueu uma sobrancelha. — E se for tanga?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nas idades deles, o medo de levar um &#8220;fora&#8221; era enorme.</p>
<p>— Eh pá, espero que não.</p>
<p>Mas a dúvida já estava plantada.</p>
<p>E então&#8230; o telemóvel vibrou.</p>
<p>Pri pri.</p>
<p>Joel olhou para o ecrã. Uma mensagem de Filipa.</p>
<p>— Achas que há problema se levar uma amiga também?</p>
<p>O sangue gelou-lhe nas veias.</p>
<p>— Manel, acredita nisto. — A preocupação estampou-se-lhe no rosto. — Ela quer levar uma amiga!</p>
<p>— Uma amiga? — Manel esboçou um sorriso matreiro. Sentiu ali uma oportunidade.</p>
<p>— Queres vir também? — perguntou Joel, já resignado.</p>
<p>— Mas espera&#8230; A amiga é bonita?</p>
<p>— Roleta russa, pá. Não sei.</p>
<p>— Ok, ok. Bora.</p>
<p>E assim ficou combinado.</p>
<p>Minutos depois, nova mensagem de Filipa.</p>
<p>— Achas que posso levar outra amiga?</p>
<p>Joel piscou os olhos, incrédulo.</p>
<p>— Manel&#8230; agora são duas amigas.</p>
<p>— Isto já deve ser gozo.</p>
<p>— Pois&#8230; Mas e se não for?</p>
<p>Manel pensou por um momento.</p>
<p>— Deixa ir. Diz que sim. Pior dos casos, vemos um filme e pronto.</p>
<p>Mas Joel já começava a desconfiar.</p>
<p>— Vamos chegar atrasados de propósito. — planeou ele. — Ficamos à distância a ver se elas aparecem mesmo. Se for tanga, bazamos.</p>
<p>Manel aprovou a estratégia.</p>
<p>— Bem pensado.</p>
<p>E finalmente, o dia havia chegado, era Sábado.</p>
<p>O nervosismo deu lugar à preparação. Nada formal, mas também nada descuidado, de camisola bem escolhida, perfume na medida certa e as sapatilhas menos gastas pelo tempo.</p>
<p>No caminho para o cinema, os dois amigos iam confiantes. Talvez fosse o dia deles, ou talvez&#8230; não.</p>
<p>Chegados ao Cine-Teatro, Filipa já os esperava.</p>
<p>Joel abriu um sorriso, agora tímido. Mas algo estava errado.</p>
<p>Não havia uma amiga. Nem duas.</p>
<p>Havia três. E, para piorar, uma delas era&#8230; um rapaz.</p>
<p>— Estas são as minhas amigas, a Joana e a Juliana&#8230; E este é o meu primo, o Bernardo. — explicou Filipa. — Ele estava cá de visita e convidei-o. Não há problema, pois não?</p>
<p>Joel e Manel trocaram um olhar de desespero disfarçado.</p>
<p>— Não, claro que não.</p>
<p>O plano tinha sido arruinado e dentro do cinema, a situação só piorou. Entre trocas de palavras sem jeito, risos forçados e um clima inexistente, os bilhetes foram comprados.</p>
<p>O pior veio quando perceberam que os lugares não eram marcados. Na hora de se sentarem, Filipa e Joel foram separados.</p>
<p>No meio de três amigas, um primo e um corredor de cadeiras, não havia qualquer hipótese de aproximação. O filme correu sem romance, sem toques subtis, sem planos concretizados e no fim, uma despedida sem graça.</p>
<p>Um adeus sem promessas.</p>
<p>Ao saírem do cinema, Manel olhou para Joel e não resistiu.</p>
<p>— Eh pá&#8230; Este pessoal nem te deixou sentar ao pé dela!</p>
<p>Joel abanou a cabeça, divertido.</p>
<p>— Acho que nem perceberam.</p>
<p>E os dois rebentaram a rir.</p>
<p>Anos depois, sentado no café diante do antigo Cine-Teatro, Joel sorri sozinho.</p>
<p>Lembra-se do amigo.</p>
<p>Lembra-se daquele encontro que nunca foi um encontro.</p>
<p>Lembra-se de como os planos nem sempre dão certo&#8230;</p>
<p>Mas às vezes, dão em risada.</p>
<p><strong>Edgar Branco</strong></p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/o-cine-teatro-de-ovar-iii-por-edgar-branco/">O Cine-Teatro de Ovar (III) &#8211; Por Edgar Branco</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
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		<media:content url="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2022/11/ANTIGO-CINE-TEATRO-DE-OVAR.jpg" medium="image"></media:content>
	</item>
		<item>
		<title>O Cine-Teatro (II) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/o-cine-teatro-ii-por-edgar-branco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edgar Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 15:01:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os irmãos André e Amaro caminham pela cidade, parando por um instante diante do Cine-Teatro. Os seus olhos fixam-se na velha fachada e, num olhar cúmplice, ambos se compreendem. A nostalgia transporta-os de imediato para o passado. Os tempos eram outros. Não havia televisores em todas as casas, nem serviços online que transmitissem conteúdos sem &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os irmãos André e Amaro caminham pela cidade, parando por um instante diante do Cine-Teatro. Os<br />
seus olhos fixam-se na velha fachada e, num olhar cúmplice, ambos se compreendem. A nostalgia<br />
transporta-os de imediato para o passado.</p>
<p>Os tempos eram outros. Não havia televisores em todas as casas, nem serviços online que<br />
transmitissem conteúdos sem cessar. Um filme no cinema era um evento, uma experiência rara, algo<br />
que se aguardava com entusiasmo. Não se decidia de última hora. Havia planeamento, havia<br />
expectativa, havia mistério.</p>
<p>Numa modesta casa vareira, onde a dignidade se sobrepunha às dificuldades, aquele dia começara<br />
com uma animação especial. André e Amaro estavam prestes a ir ao cinema pela primeira vez. Mas,<br />
naquela manhã, ainda não o sabiam.</p>
<p>Era domingo. E, aos domingos, Dona Augusta sempre deixava os filhos dormirem um pouco mais.<br />
Não havia pressa como nos dias de escola, nem catequese como ao sábado. Nos domingos, os<br />
meninos podiam permanecer nos seus sonhos por mais algum tempo.</p>
<p>Dona Augusta, de pé junto à porta do quarto, espreitava-os com ternura. Adorava vê-los assim:<br />
leves, despreocupados, protegidos do mundo. Mas naquele dia, eles precisavam acordar mais cedo.</p>
<p>— Meninos, meninos&#8230; Hora de acordar! — chamou suavemente.<br />
— Ohhhhhh&#8230; — gemeram em uníssono, o peso do sono ainda sobre os ombros.<br />
Mas a voz da mãe era doce, e o despertar, embora lento, veio carregado de surpresa.<br />
— Hoje há algo especial para vocês!<br />
As palavras foram suficientes para que os olhos dos dois brilhassem.<br />
— Para nós? O quê? O quê?</p>
<p>Dona Augusta sorriu, encantada com a alegria dos filhos.<br />
— Venham comigo, vistam-se. Prometo que vão adorar.<br />
Ainda meio sonolentos, mas cheios de curiosidade, André e Amaro apressaram-se a vestir-se. Mal<br />
sabiam eles que aquele dia se tornaria uma das mais belas memórias das suas vidas.<br />
A cidade, naquela manhã, parecia mais bonita. O sol brilhava suavemente sobre as ruas de pedra, o<br />
cheiro do pão fresco escapava das padarias, e as gentes iam e vinham, mergulhadas no quotidiano.<br />
André e Amaro caminhavam ao lado da mãe, um de cada lado, segurando-lhe as mãos com força.<br />
Dona Augusta vestia-se com a mesma dignidade com que ensinava os filhos a enfrentarem a vida.<br />
Não possuíam riquezas, mas nunca lhes faltou limpeza, aprumo e orgulho.</p>
<p>— Não temos de nos rebaixar a ninguém. — dizia-lhes sempre. A vida podia ser difícil, mas o caráter<br />
era inegociável.<br />
E naquele dia, com o pouco que tinha, Dona Augusta ia oferecer-lhes algo imensurável—uma<br />
memória para toda a vida.<br />
Chegados ao centro da cidade, os irmãos avistaram, ao longe, o imponente Cine-Teatro. O edifício<br />
estava vivo, pulsante, cheio de movimento. Gente entrava e saía dos degraus. Os cartazes<br />
anunciavam histórias mágicas.</p>
<p>Os olhos dos dois brilharam. Seria aquele o destino da surpresa? Dona Augusta parou, olhou-os com<br />
ternura e anunciou:<br />
— Hoje, vamos ao cinema.<br />
O tempo parou. O silêncio deles foi seguido por um suspiro contido, e depois&#8230; por um rebuliço de<br />
emoção.<br />
Saltos, gargalhadas, risos incontidos.</p>
<p>A felicidade pura de uma infância que ainda conhecia o encanto das pequenas coisas.</p>
<p>— Agora, venham comigo. Vamos comprar os bilhetes.<br />
O átrio do Cine-Teatro era um espetáculo por si só. Cinco portas abertas convidavam o público a<br />
entrar. No interior, um chão de mármore polido, um grande tapete vermelho, e cartazes pendurados<br />
nas paredes anunciavam peças de teatro, bailes e filmes estrangeiros que faziam sonhar.<br />
Dona Augusta aproximou-se da bilheteira.<br />
— Três bilhetes, por favor.</p>
<p>O funcionário entregou-lhe três bilhetes de papel antigo, impressos a preto e branco, marcados com<br />
a data, o custo e o nome do filme.<br />
O preço? 750 escudos. Um valor considerável, mas Dona Augusta não hesitou. Pagou com uma nota<br />
de mil escudos, recebeu o troco—250 escudos—e já sabia o que fazer com ele.<br />
Os olhos dos meninos seguiram-na com expectativa.</p>
<p>Junto ao quiosque, meio escondida, havia uma pequena sala de vendas. Prateleiras repletas de<br />
doces, rebuçados coloridos, pacotes de pipocas e garrafas de sumo.<br />
— Podemos mesmo, mãezinha? Podemos gastar tudo?<br />
Dona Augusta sorriu.<br />
— Hoje podem.</p>
<p>E assim, entre moedas e contas feitas com esmero, os meninos saíram do quiosque de bolsos<br />
cheios, coração leve e sorrisos incontroláveis. O filme ainda nem tinha começado, mas a magia já<br />
estava feita.<br />
O Cine-Teatro de Ovar possuía apenas uma grande tela. No rés-do-chão, um salão vasto de<br />
cadeiras bem alinhadas. No primeiro andar, uma galeria semicircular—um espaço que, na mente das<br />
crianças, parecia reservado à nobreza.</p>
<p>Naquela tarde, foi lá que se sentaram.<br />
Ao entrarem na imensa sala escura, os cortinados pesados impediram que a luz do exterior<br />
perturbasse a experiência. A mãe sentou-se entre os dois. O projetor roncou, a tela iluminou-se, e o<br />
filme começou.<br />
Mas, por um instante, os irmãos não olharam para a tela. Em vez disso, voltaram-se para Dona<br />
Augusta.<br />
Ela observava o filme, tranquila.<br />
E foi ali, naquele momento, que ainda mais a respeitavam e amavam. A mãe fazia sacrifícios, ela<br />
dava-lhes tudo que podia e tinha, e ela os amava mais do que as palavras poderiam descrever.<br />
Então, num gesto instintivo, cada um deles abraçou-a com força.</p>
<p>— Meninos, meus meninos&#8230; — murmurou ela, sorrindo, segurando-os contra si.<br />
E assim permaneceram.<br />
Três corações unidos, protegidos, dentro daquele espaço mágico.</p>
<p>Um dia para nunca esquecer.<br />
Anos mais tarde, diante das ruínas do Cine-Teatro, André e Amaro recordam esse momento.<br />
A mãe já partiu.<br />
Mas naquela lembrança, naquele abraço, ela está viva para sempre.</p>
<p><em><strong>Edgar Branco</strong></em></p>
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	</item>
		<item>
		<title>O Cine-Teatro (I) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/o-cine-teatro-i-por-edgar-branco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edgar Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 17:26:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Cine-Teatro de Ovar, um monumento vareiro, ergue-se no coração da cidade, fronteiro à Igreja Matriz e ao Mercado. Outrora vibrante, hoje é apenas uma sombra do que foi destroçado, abandonado, reduzido a uma bela fachada que resiste solitária ao tempo. O edifício, inaugurado a 30de dezembro de 1944, possuía uma sala de espetáculos com &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Cine-Teatro de Ovar, um monumento vareiro, ergue-se no coração da cidade, fronteiro à Igreja Matriz e ao Mercado. Outrora vibrante, hoje é apenas uma sombra do que foi destroçado, abandonado, reduzido a uma bela fachada que resiste solitária ao tempo.<br />
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O edifício, inaugurado a 30de dezembro de 1944, possuía uma sala de espetáculos com cerca de mil lugares e um elegante salão de festas. Durante décadas, foi um palco de cultura e celebração, mas agora, jaz em ruínas, um cenário deprimente e indigno, um testemunho do descaso dos autarcas e da impotência das gerações que nele viveram momentos inesquecíveis.</p>
<p>A sua fachada, envelhecida, permanece ali &#8211; um espelho do tempo, um lembrete diário para os vareiros de que as coisas preciosas precisam de ser acarinhadas. Pois quando se negligencia o que nos une, resta apenas a saudade, e a saudade, por si só, nem sempre sustenta a memória de um povo.</p>
<p>Os vareiros e aqueles que visitam a cidade passam apressados entre o bulício do mercado, as escadas que conduzem à fé na igreja e o vaivém dos cafés. Poucos reparam que, bem diante dos seus olhos, esconde-se um baú de recordações, um relicário de vidas e histórias passadas.</p>
<p>No entanto, este Cine-Teatro foi, para os seus Vareiros um refúgio de magia.</p>
<p>Ali celebraram-se conquistas, bailaram-se amores, estrearam-se sonhos em palco e na tela. Foi casa de peças que evocavam histórias vareiras, de filmes que traziam mundos distantes, de risos e emoções partilhadas. Era um santuário da alegria, um espaço onde as pressões do mundo exterior se dissolviam na escuridão aconchegante da sala de espetáculos.</p>
<p><strong>Ali, a tristeza era deixada à porta. Ali, encontrava-se um porto seguro.</strong></p>
<p>E assim, meu caro leitor, convido-o uma vez a que venha comigo, mas desta vez numa viagem pelo passado.</p>
<p>Veja comigo, sobre o olhar de quem vê além das ruínas, um edifício que ergue-se novamente, pulsante, renascido na lembrança daqueles que nele viveram um dia memorável.</p>
<p>Vamos…<br />
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		<media:content url="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2024/07/edificio-do-cineteatro-de-ovar.jpg" medium="image"></media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Máscara Sem Elásticos (VII) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/mascara-sem-elasticos-por-edgar-branco-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edgar Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 19:29:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Numa rua qualquer da cidade dos azulejos, caminha outra figura — um animal diferente, também ela solitária, também ela à procura de algo. A noite de folia já ia longa, e agora restava apenas o silêncio da ressaca emocional. Maria José. Sozinha, de passo firme, avançava por entre foliões mascarados, já dispersos e sem rumo. &#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/mascara-sem-elasticos-por-edgar-branco-2/">Máscara Sem Elásticos (VII) &#8211; Por Edgar Branco</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Numa rua qualquer da cidade dos azulejos, caminha outra figura — um animal diferente, também ela solitária, também ela à procura de algo. A noite de folia já ia longa, e agora restava apenas o silêncio da ressaca emocional.</p>
<p>Maria José.</p>
<p>Sozinha, de passo firme, avançava por entre foliões mascarados, já dispersos e sem rumo. Ia disfarçada de leopardo — fato justo, cauda pendurada, cortes estratégicos que lhe realçavam as curvas, e uma máscara negra que lhe cobria os olhos. Uma máscara para esconder segredos. E talvez mágoas.</p>
<p>— Esta noite&#8230; esta noite não me satisfez. Ainda não encontrei o que vim procurar. — pensava.</p>
<p>Na distância, ouve um som. Um choro abafado. De alguém que, perdido em si mesmo, já não controla o peso do que carrega. Maria José abranda. Avança devagar, silenciosa, como um felino entre os arbustos da savana. Observa.</p>
<p>Ali está ele. Sentado no passeio. Um cowboy ferido. Um homem em pedaços. Um rapaz bonito, com ar de quem tentou, falhou, e chorou por dentro antes de deixar cair as lágrimas cá fora.</p>
<p>— Quem será? Porque chora? — pensa ela. — Mas que belo rapaz&#8230; esse chapéu fica-lhe mesmo bem.</p>
<p>E então, algo muda nos olhos da leoparda, ela agora vira caçadora.</p>
<p>Como qualquer felino predador, aproxima-se devagar. Estuda a presa. Posiciona-se e aguarda o momento certo. E quando o vê vulnerável, frágil, pronto para ser conquistado… dá o mote, mas com doçura.</p>
<p>— Olá, cowboy… que se passa contigo? Como te chamas, querido?</p>
<p>Maria José, de quarenta e poucos anos, voz macia, tom seguro. Artur de vinte e poucos, rosto lavado em lágrimas, alma despida, os dois perdidos naquela rua, deserta, só restam eles os dois.</p>
<p>— Olá… desculpe. Está tudo bem. Perdi-me um pouco… mas já passa. — responde ele, visivelmente embaraçado.</p>
<p>— Então anda comigo. Não fiques assim. Queres tomar alguma coisa?</p>
<p>Ele hesita.</p>
<p>— Sim… sim, pode ser.</p>
<p>Ela sorri. Um sorriso experiente. De quem já viveu. De quem sabe o que está a fazer.</p>
<p>— És bonito, Artur.</p>
<p>Ele cora. Baixa os olhos. Pergunta, como quem testa o improvável:</p>
<p>— Acha que… não preciso de elásticos?</p>
<p>Ela ri.</p>
<p>— Elásticos? És um brincalhão. Um bonitão como tu? És uma verdadeira raposinha.</p>
<p>Os olhos dela estão cravados nele. Pupilas dilatadas. Atenta a cada gesto, a cada respiração. Artur sente-se observado, quase hipnotizado.</p>
<p>Ela mexe-se com elegância felina, envolvente. E agora… agora ele é a presa.</p>
<p>O caçador Artur, o chacal… virou caçado.</p>
<p>FIM</p>
<p><em><strong>Edgar Branco</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Máscara Sem Elásticos (VI) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/mascara-sem-elasticos-vi-por-edgar-branco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edgar Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 14:57:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Vista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>E assim lá vai ele, o chacal. Atravessa ruas imensas, embebidas de alegria, onde a música vibra, os risos ecoam e a paixão se espalha em cada esquina. Mas este cowboy—este chacal mascarado—caminha por outro trilho: um deserto da mente, um labirinto de desajuste que o atormenta. Artur segue, perdido em pensamentos, tropeçando nas memórias &#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/mascara-sem-elasticos-vi-por-edgar-branco/">Máscara Sem Elásticos (VI) &#8211; Por Edgar Branco</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>E assim lá vai ele, o chacal.</p>
<p>Atravessa ruas imensas, embebidas de alegria, onde a música vibra, os risos ecoam e a paixão se espalha em cada esquina. Mas este cowboy—este chacal mascarado—caminha por outro trilho: um deserto da mente, um labirinto de desajuste que o atormenta.</p>
<p>Artur segue, perdido em pensamentos, tropeçando nas memórias que o consomem. Sempre sozinho.</p>
<p>Sempre rejeitado. Um rapaz sofrido, que carrega no rosto a sua sentença. Cada tentativa falhada de conquista acumula-se no peito como cicatrizes invisíveis, e a alegria dos outros torna-se o sal nas suas feridas.</p>
<p>Sempre assim, sempre isto! Tento ser simpático… nada. Tento ser alegre… nada. Tento ser mais frio, mais firme… nada. O destino atormenta-me. Eu só queria alguém. Só queria alguém que me quisesse também.</p>
<p>As ruas esvaziam-se pouco a pouco. A folia continua noutros cantos, mas ali, onde Artur caminha, reina o silêncio. Acima, a lua cheia paira, solene, como se o observasse. E ele, impotente, devolve-lhe o olhar com um suspiro de dor.</p>
<p>E o lamento rompe-se num uivo.</p>
<p>— Que ódio, que tristeza… por que tem de ser tudo assim?</p>
<p>E então, o choro.</p>
<p>Não um choro bonito ou discreto. Mas o choro descontrolado de quem já não se consegue esconder nem de si próprio.</p>
<p>Na rua deserta, ninguém o escuta. Só ele. Só Artur. Preso num vazio de iniciativas, de esperanças frustradas, de ecos interiores. A única companhia fiel que lhe resta é o seu próprio lamento.</p>
<p>Ali, no meio da festa da cidade, há um único folião verdadeiramente mascarado. Finge ser cowboy.</p>
<p>Finge ser alguém que finge ser outro. Mas a verdade é simples e crua: ele não é um, nem o outro.</p>
<p>É apenas um chacal… que se lamenta.</p>
<p>Num momento de introspeção, o seu olhar encontra o reflexo de uma montra. Um vidro gasto, sujo, esquecido como ele.</p>
<p>Artur olha-se, longamente e murmura com uma ruga amarga nos lábios:</p>
<p>— Só me faltam mesmo os elásticos… olha para mim.</p>
<p>(Continua)</p>
<p>Edgar Branco (Ovar)</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/mascara-sem-elasticos-vi-por-edgar-branco/">Máscara Sem Elásticos (VI) &#8211; Por Edgar Branco</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://lauramorelli.com/wp-content/uploads/2012/02/mf-mask-540w.jpg" medium="image"></media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Máscara Sem Elásticos (IV) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/mascara-sem-elasticos-iv-por-edgar-branco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edgar Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 14:47:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Vista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O grandioso Café Progresso data de 17 de dezembro de 1949. À época, causou admiração pelo requinte com que foi concebido. Foi iniciativa de um nobre vareiro que, com coragem, decidiu oferecer à cidade um espaço como nunca houvera — com uma moderna máquina de café e um salão de chá no primeiro andar, onde &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O grandioso Café Progresso data de 17 de dezembro de 1949. À época, causou admiração pelo requinte com que foi concebido. Foi iniciativa de um nobre vareiro que, com coragem, decidiu oferecer à cidade um espaço como nunca houvera — com uma moderna máquina de café e um salão de chá no primeiro andar, onde os jovens dançavam ao som de boa música, vivendo tardes de alegria e distração.<br />
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Na noite de Carnaval, o Progresso abre-se mais uma vez em esplendor. E é lá que reencontramos o nosso canídeo errante, Artur, à caça da flecha de Cupido.</p>
<p>Chega com o orgulho ferido, mas com o apetite renovado pela companhia que ainda procura.<br />
Caminha sozinho entre a multidão — o chacal, aquele que, espiritualmente, se alimenta dos restos deixados pelos grandes predadores. Um ser que espreita oportunidades na sombra da festa. E desta vez, traz uma nova estratégia.</p>
<p>No Progresso, avista um grupo. Mascarados. Animalescos. Os rapazes do grupo são leões:<br />
imponentes, confiantes, magnéticos. E com eles, gazelas — jovens graciosas, sensíveis, belas, mas prontas para serem devoradas pela exuberância dos que as acompanham. Artur sabe: aqui, não tem como ombrear. Não nesta savana.</p>
<p>Cada leão escolhe a sua gazela. Todas estão pareadas. Todas… menos uma.</p>
<p>Há movimento. Beijos, abraços, poses. E uma gazela permanece sozinha. Delicada. Meiga no seu comportamento. Deslumbrante na sua fantasia. Está solta.</p>
<p>Artur vê a oportunidade. Aproxima-se discretamente, esquivando-se ao radar do grupo.<br />
— <strong>Olá, tudo bem? A tua máscara… foste tu que a fizeste?</strong><br />
Ela sorri, mas responde com um certo desdém:<br />
— <strong>Eu? Achas mesmo? Isto parece-te amador? A gazela não aprecia a sugestão. Estava orgulhosa</strong><br />
<strong>do que vestia.</strong><br />
<strong>— Não, não me parece amador — recua Artur, calculando. — Parece feito à medida. Como se</strong><br />
<strong>tivesse sido criada só para ti. Nada genérico.</strong> <strong>Mas… ainda assim, com um defeito.</strong><br />
Ela franze o sobrolho. Procurando onde estaria o tal defeito.<br />
— <strong>Defeito? Como assim?</strong><br />
Artur conhece o jogo. Para predadores como os leões ao redor, o estatuto é dominante. Para<br />
sobreviver, o chacal precisa desequilibrar.<br />
— <strong>Sim. Nada é perfeito — diz ele, encenando naturalidade. — Mas este defeito… é grave.</strong><br />
<strong>— Estou a começar a não achar piada…</strong><br />
<strong>— O defeito — conclui Artur, com um sorriso enviesado — é não condizer comigo. Já viste se</strong><br />
<strong>estivéssemos vestidos a combinar?</strong><br />
A jovem cora ligeiramente. Está a ceder. A abordagem, apesar de estranha, resulta.<br />
Conversam, ainda que o ambiente seja ruidoso. Entre batidas e vozes, o cortejo continua. Artur<br />
sente-se a navegar bem… até que surge um intruso.</p>
<p>—<strong> Oh, jovem! — ouve-se, de longe.</strong><br />
<strong>— Sim? — responde Artur, já a sentir a tensão a subir. A figura que se aproxima é maior, mais</strong><br />
<strong>agressiva. Um animal dominante.</strong><br />
<strong>— Essa rapariga com quem estás aí a bater o couro… — diz, já em frente a ambos, em tom</strong><br />
<strong>acusatório.</strong><br />
<strong>— Sim…?</strong><br />
<strong>— Sim o caraças, pá! Põe-te a andar. Ela é prima da minha namorada e não está aqui para essas</strong><br />
<strong>coisas. Agora desampara a loja. E já agora, põe os elásticos que te faltam nessa máscara e</strong><br />
<strong>desaparece!</strong><br />
O silêncio agora os rodeia.<br />
Artur, franzino, de estatura média, sente-se encurralado. Sem força para reagir. A rapariga não sabe o que fazer. O grupo de leões observa. Os olhos estão sobre ele.</p>
<p>E Artur sabe.<br />
Mais uma vez, sem defesa, sem saída, sem hipótese.<br />
— <strong>Mas ela… podia ser ela, não podia? A gazela que me aquieta o peito. Que me dá sentido.</strong><br />
<strong>Artur foge para dentro dos pensamentos, mas a realidade empurra-o para fora. A jogada está</strong><br />
<strong>perdida.</strong><br />
Escolhe recuar. Engolir o orgulho. Guardar forças para outra noite.</p>
<p>— <strong>Isto não vai acabar bem… — pensa, enquanto se afasta</strong>.<br />
Mais uma tentativa falhada.<br />
Mais uma ferida na pele do chacal. <em>(Continua)</em></p>
<p><strong><em>Edgar Branco</em></strong></p>
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