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"É indispensável conhecer o passado para perspectivar o futuro&quot

a 10 de fevereiro de 1514 que o Rei de Portugal, D. Manuel I, cognominado “O Venturoso”, outorgou a Carta de Foral de Ovar, tendo, no mesmo ano, a 02 de Junho, outorgado o foral do Concelho de Pereira Jusã, extinto no século XIX, e definindo o Couto de Cortegaça. Passaram, ontem, exactamente, 500 anos, e a Câmara Municipal de Ovar não deixou de assinalar a efeméride comissariada por Dom Duarte Pio, Duque de Bragança. O pretendente ao trono português mostrou-se “profundamente emocionado” com o convite para participar na sessão da Câmara vareira que representa “um povo que sabe cuidar e preserva as suas raízes, conseguindo resistir a todas as tentativas de destruição que pairam sobre elas”.

Mais do que um mero acto formal, o presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro reconheceu que “a outorga do Foral a Ovar representou a expressão e o reconhecimento da autonomia da comunidade ovarense e, simultaneamente, um louvor ao dinamismo às suas gentes e instituições”. 

Volvidos 500 anos, o edil vareiro vincou que “o Foral Manuelino de Ovar é um documento que importa preservar, conhecer e divulgar, pois marca a História de Ovar, constituindo um símbolo da nossa identidade, das nossas raízes, da nossa cultura e da nossa memória colectiva”. 
“Hoje, somos mais de 50 mil pessoas dotadas de um dinamismo notável, tirando partido das suas riquezas naturais, como a Ria ou a Barrinha”. No entanto, alertou, “a nossa maior riqueza é a costa marítima e o que se tem passado desde Natal é algo de muito grave”. Salvador Malheiro solicitou os bons ofícios de Sua Majestade para sensibilizar instâncias nacionais e internacionais para o problema. “A cada preia-mar, os ovarenses perdem algo da sua alma”. “É preciso apostar em soluções arrojadas e eficazes” para combater o avanço do mar.

O detentor actual do título de Duque de Bragança lembrou o povo vareiro como sendo aquele que sempre se dedicou “à arte da pesca neste mar adverso e daí partiu para a agricultura, ultrapassando as dificuldades”. Num momento em que o mar volta a ser uma ameaça, D. Duarte Pio deixou uma palavra de alento: “Um povo assim tem que continuar a acreditar no futuro”.
O comissário das comemorações lembrou que “onde quer que vá, em qualquer parte do Mundo, sempre encontro gente natural de Ovar, e em todos esses locais são pessoas elogiadas e amadas”.

Referindo-se às comemorações, D. Duarte Pio elogiou a iniciativa que tem a “vantagem de despertar a atenção dos mais novos para a história”. Olhando para a “harmonia arquitectónica de Ovar”, aproveitou o ensejo para elogiar a “preservação que Ovar tem feito do seu património” e criticar “as regras pouco práticas do IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico).
D. Duarte Pio lembrou que “houve tempo em que se dizia que o passado era para esquecer”. Hoje, “felizmente, ultrapassamos essa ideia”. A protecção do património de uma comunidade é, segundo ele, factor de atracção turística e não só. 

O encontro prosseguiu com uma palestra de Silvestre Lacerda, Director da Torre do Tombo, com o tema: “Foral Novo – registos que contam histórias”. Da parte da tarde, as palestras estoveram a cargo de Francisco Ribeiro da Silva, catedrático em História Moderna na Universidade do Porto, com o tema: “Nos quinhentos anos dos forais manuelinos do Concelho de Ovar: as brumas da Memória” e de Alberto Lamy, historiador de Ovar, com o tema: “A extinção dos concelhos de Pereira Jusã e de Cortegaça”.

O encerramento da sessão ficou a cargo do Vereador da Cultura, Alexandre Rosas, que reconheceu a importância destes momentos pois, “as memórias pretendem manter a memória da cultura de um povo” e um “povo sem memória não tem raízes”.

 

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