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Manuel Guerra: “Raça Marinhoa está a crescer”

O presidente da Cooperativa Agrícola do Concelho de Ovar, Manuel Guerra, em entrevista, mostra-se muito satisfeito com os resultados alcançados pela Ovarural na luta contra a extinção dos bovinos da raça marinhoa.

Como está a agricultura em Ovar?
Está como no resto do país: Vive com dificuldades. Pelo nosso lado, a cooperativa agrícola está a lutar e a defender os interesses dos agricultores e a tentar ver se consegue minimizar os problemas para que eles sintam algum apoio e possam, continuar a desenvolver o seu trabalho no concelho.

Faltam incentivos para os jovens apostarem no sector?
Sim. Há falta de incentivos e não só: O jovem tem grandes dificuldades em entrar no sector, porque não tem apoios e depois desmoraliza quando vê que um empregado de uma empresa entra às 8 e sai às seis, enquanto que um agricultor não tem hora de levantar nem de hora de deitar. Trabalha 12 horas por dia e por vezes mais. O jovem não está preparado para isso. O Gabinete do Agricultor de Ovar vem para ajudar nesse sentido.

A Ovarural vai na terceira edição. Os objectivos estão a ser atingidos?
A Cooperativa Agrícola do Concelho de Ovar é a organizadora deste projecto, em conjunto com a Câmara Municipal de Ocar, e o nosso objectivo é procurar divulgar a raça marinhoa, que tem a sua origem nas marinhas de Ovar, impedir que se extinga, porque é uma raça autóctone, certificada e com história. Lembro que era com o seu poder de força que, há 30 anos atrás, se amanhavam as terras, semeavam, etc. Eram estes animais ainda que ajudavam os pescadores a puxar as redes da Arte Xávega tão caractirística das nossas praias.

Porque decresceu o número de animais até este ponto?
Porque começaram a chegar os tractores, quer para a agricultora, quer na pesca. Nós estamos a trabalhar no sentido de fazer uma demonstração ao vivo para mostrar aos mais novos como se puxava a rede com recurso aos animais, na praia do Furadouro, há 30 anos. Talvez para o ano, porque uma simulação dessas requer uma preparação antecipada.

O valor da carne não era suficiente para manter a sua criação?
Era, mas depois a produção do leite começou a ser mais rentável e os agricultores mudaram para a criação da raça frísia. Não quer dizer que alguns não se tenham mantido fieis à marinhoa, mas muitos deles mudaram para o leite que lhes dava mais rendimento no fim do mês. Mas as coisas estão sempre a mudar e, actualmente, o cenário do leite alterou-se muito e há quem esteja a regressar à Marinhoa.

Nota já alguma diferença?
Sim, nota-se. Devagarinho, é certo, mas isto também não é para ir a correr. Ano após ano, com passos seguros.

Sabe quantos animais havia e há agora no concelho de Ovar?
Temos cerca de 30 animais. Parece pouco, mas o ano passado havia muito menos. Já cresceu bastante, pois quando esta feira começou tínhamos cerca de metade deste número. Por ser uma raça em vias de extinção, foi preciso preparar o produtor para o mercado e vice-versa e este é um trabalho que leva o seu tempo.

A Quinta da Misericórdia é uma possibilidade para acolher o Ovarural em 2017?
Estão muitas possibilidades em cima da mesa, mas ainda não sabemos onde será. Mas será sempre em Válega, isso é certo. (Foto: Paulo Ramos/Diário de Aveiro)

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