Ontem, realizou-se o jantar comemorativo dos 50 anos dos Marados. Entrei nos Marados em 1976, tinha ainda só 15 anos, nessa altura, o grupo de carnaval era um agrupamento heterogéneo com muitas correntes, pensamentos e atitudes. Nos anos seguintes, primeiro rapazes e raparigas, depois só rapazes, o grupo foi ganhando homogeneidade, atraíram-se os amigos ao grupo, de modo que, durante alguns bons anos, os amigos eram os Marados e os Marados os amigos. Tempos essenciais em que os rapazes se foram tornando homens, os primeiros empregos os serviços militares, os primeiros casamentos e até os primeiros filhos. Neste processo, as características individuais foram-se acentuando e uns deixaram de ser amigos e outros deixaram os Marados. Ontem, os Marados comemoraram os seus cinquenta anos, eu participei percebendo que por maior que seja a minha nostalgia não há nela infelizmente o poder de desculpar as traiçoeiras feridas da história. Tonas D'Ovar