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Ovarense ofereceu Arena desde a primeira hora

A Arena Dolce Vita está, nestes dias, transformada num Hospital de campanha e a Ovarense Basquetebol informa que, “na primeira hora e de viva voz”, disponibilizou o espaço para o que fosse necessário.

A direcção do clube escreve que, “lamentavelmente, fomos chamados e arrumamos tudo conforme solicitado para a Arena ficar pronta para servir Ovar”.

Rui Palavra acabou de trocar um cargo de gestão na Corticeira Amorim pelas funções de consultor técnico numa empresa inglesa de fornecimento de juntas, sem nunca quebrar a quarentena imposta em Ovar, tal como Nuno Manarte, treinador do 10.º classificado da Liga, com 31 pontos, três acima da ‘linha de água’.

“Sou um tipo caseiro por opção, mas esta privação de liberdade custa bastante quando nos é imposta. Felizmente, tenho um quintal que me permite estar ao ar livre. Tirando isso, o desconforto cresce cada vez que abro o noticiário e vivo com a preocupação geral de não saber o que vai acontecer amanhã”, reconheceu à agência Lusa.

Sem regresso às quadras definido, o timoneiro ‘alvinegro’ aconselhou apenas que os seus pupilos se mantivessem “activos”, uma vez que o contexto não exige “grande informação extra”, mesmo se as “perdas imensas” de rendimento sejam inevitáveis e o isolamento domiciliário impeça a recriação à distância de “situações de treino ou jogo”.

“Permitem-nos correr duas vezes por semana na zona onde moramos, de forma isolada ou com duas pessoas no máximo. De qualquer maneira, a minha esposa já foi mandada parar e o ato de correr parece que é delinquente”, ilustrou Nuno Manarte, que assistiu à saída antecipada do país dos cinco jogadores norte-americanos da Ovarense.

No mesmo dia em que a FPB paralisou a elite do basquetebol português, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o cancelamento de todos os voos oriundos de países da União Europeia por 30 dias a partir de 13 de março, gerando “dois dias stressantes” para repatriar quatro atletas masculinos e outra da equipa feminina.

“Quisemos respeitar os desejos dos jogadores e colocá-los em conforto junto das famílias. Mesmo com a diferença do fuso horário, conseguimos falar, mas o problema é saber que plano traçar. Neste clima de catástrofe, o basquetebol fica encostado e importa que todos se mantenham serenos e cumpram as regras para que isto melhore”, lembrou.

Bem menos quilómetros percorreu o base Pedro Oliveira, de 23 anos, que regressou ao apartamento dos pais no Porto e evita “perder a atividade por completo”, enquanto se adapta às aulas ministradas por videoconferência, tendo em vista a conclusão da licenciatura em Gestão da Hospitalidade pela Universidade Portucalense.

“São dias complicados, mas temos reagido bem. Muitos tentam ir à garagem ou arrumar o sofá um pouco para o lado para arranjar espaço e fazer coisas mais complexas. A paragem afecta-nos psicologicamente, mas acima de tudo está a saúde. O que nos assusta mesmo é não sabermos ao certo quando isto vai acabar”, desabafou. (*com Lusa)

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