
Ainda a recuperar após ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC), a 26 de dezembro de 2025, o ator ainda não subirá esta sexta-feira ao palco do Centro de Arte de Ovar com a peça “A Ratoeira”.
Mas o ator mais velho do mundo em cena, já tem data para o regresso aos palcos: A 22 de abril apresenta-se no Coliseu do Porto com a peça “A Ratoeira”, de Paulo Sousa Costa.
O regresso, aos 99 anos, acontece por iniciativa do próprio. “Foi ele que insistiu e insistiu, porque já se sente em condições e com força para voltar”, afirmou o encenador. Na altura, a recuperação clínica do ator obrigou à suspensão de apresentações, previstas para o final de 2025, mas, entretanto, foi substituído por João Didelet.
Inspirada numa das histórias de Agatha Christie, a obra está em cena há mais de 70 anos e continua a bater recordes de bilheteira em todo o mundo. É a segunda vez que o português participa na peça que, desde 2020, passou por várias salas do nosso País como parte do repertório da Yellow Star Company.
Neste clássico policial, o ator interpreta o Major Metcalf, aposentado do Exército, uma personagem que não o obriga a uma permanência continua no palco. Junta-se a outras figuras da história como “homenzinho estranho que alega que o seu carro avariou numa estrada perto dali e um jurista que torna a vida miserável a todos”, pode ler-se na sinopse.
O esperado regresso
A carreira de Ruy de Carvalho começou por volta de 1940 e tornou-se rapidamente uma figura importante na cultura portuguesa. Com oito décadas de carreira, participou em inúmeras peças de teatro, filmes e séries. A maior parte da sua vida foi passada em palco ou à frente das câmaras.
Estrou-se profissionalmente em 1947, no Teatro Nacional, na comédia “Rapazes de Hoje”, de Roger Ferdinand. Anos depois, em 1950, fica conhecido pela sua interpretação de Eric Birling em “Está lá Fora um Inspetor”. Nesse mesmo ano, ingressou no Teatro do Povo (mais tarde Teatro Nacional Popular), onde fez todas as temporadas de verão, sob a direção de Ribeirinho.
Em 1954 participou na revista “E o Fado Caiu no Samba”, no Teatro Monumental. Em 1963, foi para o Porto e assumiu a direção artística do Teatro Experimental do Porto (TEP), onde realizou a sua única experiência como encenador, em “Terra Firme”, de Miguel Torga. Apareceu pela primeira vez no cinema em 1951, com “Eram 200 Irmãos”, de Armando Vieira Pinto.
Ruy de Carvalho já deu corpo e voz a inúmeras personagens, mas nem isso fez com que perdesse a humildade que sempre caraterizou a sua personalidade e percurso.



