Saúde

“Por uma política de saúde de proximidade”

Representamos a Liga dos Amigos do Hospital Dr. Francisco Zagalo (LAHDO) e o Movimento Cívico para a Melhoria dos Serviços de Saúde do Concelho de Ovar, ambos preocupados com os serviços de saúde de um concelho com mais de 50.000 habitantes e com um hospital que ao longo de várias décadas tem servido de forma exemplar não apenas a sua população, que na época balnear aumenta exponencialmente, mas também a população de algumas freguesias de concelhos a sul, como é o caso da Torreira, no concelho da Murtosa e de S. Jacinto, do concelho de Aveiro.

Pugnamos por um serviço de saúde de proximidade, sem deixarmos de entender a importância que actualmente tem a concentração de meios humanos e técnicos de forma a maximizar os recursos disponíveis. Porém, o direito à protecção da saúde encontra-se consagrado na Constituição da República Portuguesa e assenta num conjunto de valores fundamentais como a dignidade humana, razão porque não se pode descurar a promoção do bem-estar e qualidade de vida das pessoas, tarefa fundamental do Estado.

Na presente indefinição, a legislação já publicada tem suscitado a preparação de respostas locais para novos modelos de gestão hospitalar que poderão exigir nova direção da mobilidade e o encerramento de serviços e ou valências.

Ora, perdendo o Hospital Dr. Francisco Zagalo, em Ovar, qualquer das suas valências e não lhe sendo atribuído o atendimento permanente, o Estado não estará a cumprir com a sua importante tarefa, o que não esperamos que venha a acontecer, tendo até em consideração que não foi esse o entendimento com o hospital de um concelho vizinho que tem cerca de um terço da população do concelho de Ovar e fica a um terço de distância do Hospital S. Sebastião, da que fica grande parte da nossa população para este hospital, sem que haja uma rede de transportes públicos capaz de dar resposta às necessidades da população, grande parte dela envelhecida e de parcos recursos.

Preocupam-nos os transtornos infligidos aos doentes e aos acidentados quando de deslocações para outros hospitais e acrescidos de muita delonga com os doentes amontoados nas salas de espera e nos corredores das unidades hospitalares centrais superlotadas, como é o caso do Hospital S. Sebastião.

Estamos convictos que V. Exª terá em consideração as preocupações da população do concelho de Ovar no que ao serviço de saúde diz respeito e que estará consciente que o Hospital de Ovar contribuirá mais eficazmente para uma política de saúde de proximidade, mantendo as actuais valências, com reforço do serviço de cirurgia, que é de qualidade publicamente reconhecida, e reabrindo o serviço de Urgência Básica, com triagem, cuja funcionalidade e maior rapidez facilitará o encaminhamento do doente, sem necessidade de se submeter a um novo processo de atendimento, com sujeição a uma repetida e por vezes desumana espera.

A LADHO e o Movimento Cívico
(Carta ao Senhor Ministro da Saúde, sobre o Hospital de Ovar)

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