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Guillermo Vuljevas, o uruguaio que se inspirou nas “Mujeres de Ovar”

Quando cheguei a Ovar, há três anos, nunca imaginei que um dia escreveria um romance sobre esta cidade“, confessa Guillermo Vuljevas, escritor, pintor, enfim, artista visual uruguaio que acaba de lançar a sua mais recente obra: “Mujeres de Ovar”.



Guillermo afiança que, no seu livro, aparecem muitas mulheres. “Algumas são ficção, mas outras existem de verdade: Cidália, Eduarda, Marta, Alicia…“, adianta ele, sem querer ser ‘spoiler’. No centro da trama está uma mulher vareira cujo homem que ama é filho de um coronel da censura. E por aí vai.

Sem se deter, continua: “Mulheres que trabalharam toda a vida. Mães, trabalhadoras, mulheres que sustentaram casas inteiras com o seu esforço diário. Não aparecem em revistas, nem nas redes sociais“.

Após três anos a respirar Ovar, “para mim, elas também são o verdadeiro rosto desta cidade“. A verdade é que, “quando cheguei a Ovar, sendo estrangeiro, foram mulheres como elas que me deram amizade, conversa e humanidade”. “Este livro também existe graças a elas“, diz, em jeito de agradecimento, antes de se denunciar enquanto autor de um livro escrito “entre o silêncio do Rio Cáster e as ruas empedradas que brilham depois da chuva“.

Nesta obra, “estão os bancos onde parei para pensar. Os cafés onde o tempo se suspende. As noites douradas que parecem prometer redenção”.

Mas também estão as mulheres. “Sim, as que amei, as que me feriram, as que me ensinaram. Todas atravessam estas páginas como a própria cidade atravessou a minha vida”.

Com esta obra, que está disponível na Amazon e em livrarias locais desde 26 de março, Dia do Livro Português, Guillermo Vuljevas afiança que não quis fazer turismo literário. “Quis deixar rasto”.

Não se trata de uma história verídica, “Mujeres de Ovar” é um romance, cru, agridoce e profundamente autobiográfico que desnuda os três anos de um uruguaio em Ovar. Também não é o relato romântico do imigrante que “começa de novo”, mas antes algo mais duro e incómodo: É a história de alguém que teve de romper consigo primeiro para descobrir o que sobrava de si mesmo.

Guillermo Benjamín Vuljevas nasceu en Montevideo, no dia 10 de setembro de 1984. Os amigos descrevem-no como sendo um ser ambíguo e imprevisível.

Depois de “Hasta la próxima, quien quiera que seas”, “El mendigo purpura”, este uruguaio, nem sempre compreendido, “mergulhou” em Ovar para escrever a sua terceira obra.

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