+Pinhal divulga documentos sobre corte de 480 árvores e exige mais esclarecimentos

A Associação +Pinhal – Associação Local de Defesa do Pinhal de Ovar voltou a exigir esclarecimentos sobre o corte de árvores realizado no Parque de Merendas do Buçaquinho e na Vala de Maceda, divulgando agora parte da documentação que recebeu das entidades envolvidas.
Segundo a associação, o abate ocorreu em maio de 2026 e envolveu um total de 480 árvores. O processo começou, de acordo com a documentação entretanto disponibilizada, com uma comunicação do Gabinete Técnico Florestal da Câmara Municipal de Ovar (CMO), enviada ao diretor regional do ICNF Centro em 11 de julho de 2025.
Nesse documento, a autarquia invocou razões relacionadas com a “segurança de pessoas e bens” e solicitou uma intervenção urgente relativamente às árvores existentes no Parque de Merendas do Buçaquinho e às árvores de grande porte localizadas na margem poente da Vala de Maceda.
A +Pinhal considera que esta documentação permite esclarecer a origem do processo, “depois de a Câmara Municipal de Ovar ter afirmado, num esclarecimento publicado em maio, que o corte no Buçaquinho era da responsabilidade do ICNF e que não estava nos poderes da autarquia ou da Junta de Freguesia de Cortegaça impedir a intervenção“.
De acordo com a documentação agora recebida pela associação, terá sido a própria Câmara de Ovar a solicitar ao ICNF a “urgente alienação e abate da totalidade das árvores do Parque de Merendas do Buçaquinho”, além das árvores de grande porte consideradas em risco na margem da Vala de Maceda.
Associação questiona avaliação que sustentou o abate
A comunicação da Câmara refere o “estado atual da generalidade das árvores, muito inclinadas sobre as infraestruturas e linha de água” como fundamento para a intervenção.
A +Pinhal considera, contudo, que continuam por esclarecer os critérios técnicos que sustentaram o corte generalizado. A associação afirma que a documentação recebida até ao momento não inclui uma avaliação individualizada que permita perceber quais as árvores consideradas perigosas e porquê.
“Entre os exemplares abatidos estavam quatro eucaliptos e nove pinheiros de grande porte, com diâmetro à altura do peito superior a 60 centímetros”, segundo a associação. A +Pinhal considera que estas árvores tinham um “relevante valor paisagístico e ecológico“.
A associação questiona ainda por que motivo não foram consideradas soluções diferenciadas, como podas, redução de copas, remoção apenas dos exemplares identificados como perigosos ou monitorização.
Material lenhoso foi colocado em hasta pública
O processo de corte abrangeu, segundo a documentação divulgada pela associação, 480 árvores do Buçaquinho e da Vala de Maceda.
O material lenhoso foi posteriormente colocado em hasta pública pelo ICNF, em dezembro de 2025, através do procedimento n.º 4/DRCNF/C/2025, integrado no Lote n.º 105/2025, com um preço base de licitação de 14 mil euros.
A +Pinhal refere ter recebido informação segundo a qual 60% das receitas reverteram para a Junta de Freguesia de Cortegaça e 40% para o ICNF. O valor efetivamente obtido com a venda da madeira, contudo, continua por esclarecer documentalmente.
Câmara prevê recuperação das áreas intervencionadas
Quanto ao futuro dos espaços, a Câmara Municipal de Ovar informou a associação de que estão previstas intervenções de recuperação ecológica e paisagística.
Na Vala de Maceda está prevista a requalificação das margens entre a Avenida da Praia de Cortegaça e a Avenida da Praia de Esmoriz, incluindo a criação de um novo ecossistema ripícola. O projeto é coordenado pela Ria Viva e encontra-se em fase de consulta de entidades, segundo a informação transmitida à +Pinhal.
Para o Parque de Merendas do Buçaquinho está em elaboração um projeto de execução, em articulação com a Junta de Freguesia de Cortegaça.
A associação defende que os projetos sejam conhecidos publicamente e que a intervenção não se limite à substituição das árvores abatidas, mas corresponda a uma verdadeira recuperação ecológica e paisagística.
A +Pinhal diz que continuará a acompanhar o processo e a solicitar os documentos que permanecem em falta, nomeadamente as avaliações técnicas realizadas antes do corte, os critérios que determinaram o abate da totalidade das árvores, a identificação dos exemplares considerados perigosos, o valor obtido com a venda do material lenhoso e o destino das receitas.




