
O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, respondeu às perguntas de cerca de 240 alunos do Ensino Secundário durante uma visita que realizou, esta manhã, à Escola Secundária Dr. José Macedo Fragateiro, em Ovar. Entre os temas abordados esteve o orçamento para o Ensino Superior e o reforço dos apoios sociais aos estudantes deslocados.
Perante uma questão do aluno Rui Gomes, do 12.º ano daquela escola, sobre a débil evolução do financiamento, o governante contestou a comparação entre os orçamentos de 2026 e 2027, argumentando que os valores devem ser analisados tendo em conta o financiamento extraordinário do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que terminou em 2026.
“Não podemos comparar o orçamento de 2027 com o de 2026 quando, no de 2026, tínhamos o PRR”, afirmou Fernando Alexandre, lembrando o investimento realizado na construção de residências universitárias. Segundo os números apresentados pelo ministro, estão em funcionamento 83 novas residências e outras 47 encontram-se em fase de conclusão, num investimento que deverá acrescentar cerca de 17 mil camas para estudantes deslocados.
O ministro defendeu que, retirando o financiamento do PRR da comparação, o orçamento para o Ensino Superior regista um aumento próximo dos 10%. Destacou, em particular, o reforço da ação social, cujo financiamento deverá passar de 180 para 210 milhões de euros, no documento que apresentará na próxima semana.
Uma das principais mudanças prende-se com o modelo de apoio aos estudantes deslocados e bolseiros. De acordo com Fernando Alexandre, o novo sistema procura ter em conta os rendimentos disponíveis da família e os custos associados à frequência do Ensino Superior na cidade onde o aluno vai estudar.
O governante explicou também que “o apoio à habitação deixa de estar tão dependente da apresentação de recibos de alojamento, permitindo maior liberdade na escolha da solução habitacional”. Como exemplo, referiu que um estudante com lugar atribuído numa residência universitária poderá optar por viver num apartamento com um amigo e continuar a beneficiar do apoio previsto.
No caso do financiamento das residências, o valor por quarto passa, segundo o ministro, de 130 para 161 euros. A medida representa um reforço destinado também a melhorar as condições de manutenção dos alojamentos universitários. Fernando Alexandre adiantou ainda que “o financiamento adicional permitirá disponibilizar mais oito milhões de euros às instituições neste âmbito”.
O ministro reconheceu que o novo modelo de ação social precisa de ser mais divulgado, nomeadamente junto dos alunos do Ensino Secundário. “Vamos ter claramente, junto das escolas secundárias, de divulgar mais”, afirmou, considerando que parte das críticas públicas ao sistema resulta do desconhecimento das novas regras de acesso os apoios.
Durante a resposta, Fernando Alexandre insistiu que o reforço do investimento acompanha a alteração dos critérios de atribuição dos apoios. Segundo o governante, “a reforma pretende garantir maior equidade e liberdade de escolha aos estudantes que precisam de se deslocar para prosseguir os estudos”.
Aula de Literacia Financeira
O Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, deu uma aula de Literacia Financeira, dedicada ao tema da poupança, a cerca de 240 alunos do Ensino Secundário da Escola Secundária Dr. José Macedo Fragateiro, em Ovar.
A iniciativa decorreu no âmbito da segunda edição do programa «Educar para a Cidadania: Poupar, um Compromisso com o Futuro», que pretende sensibilizar os jovens para a importância da literacia financeira e promover hábitos de gestão responsável do dinheiro.
O projeto volta a mobilizar centenas de estudantes e docentes do Ensino Superior, das áreas de Economia, Gestão, Finanças e Contabilidade, que se deslocam a escolas públicas e privadas de todo o país para dinamizar aulas de Literacia Financeira, integradas na componente curricular de Cidadania e Desenvolvimento.
Através destas sessões, os alunos têm a oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre poupança e gestão financeira, adquirindo ferramentas importantes para tomarem decisões mais informadas e responsáveis ao longo da vida.
A iniciativa é promovida pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), em parceria com o Banco de Portugal, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e a Autoridade de Supervisão de Seguros e de Fundos de Pensões (ASF).
Com esta ação, pretende-se reforçar a educação financeira dos mais jovens, colocando a poupança no centro de uma reflexão sobre cidadania, responsabilidade e preparação para o futuro.




