Opinião

Era Uma Vez – Florindo Pinto

“Com a barriga vazia, não há quem tenha alegria”

Alto, um, e um outro, de estatura média, mas ambos de uma compleição física bem alimentada, são as figuras da nossa inventada estória.

Diz-se por aí, que se trata de profundos conhecedores e, frequentadores assíduos, de muitos e bons locais gastronómicos e boas adegas, espalhadas pelo nosso País.
Ao que parece, souberam aproveitar as oportunidades que a sua missão de “outros servir”, lhes tem proporcionado, por força das muitas deslocações em serviço e na defesa da “nobre causa”, assimilando conhecimentos, que usam, frequentemente, nas horas de descanso, à mesa, repondo as energias dispendidas, no exercício de um tão cansativo cargo.

Esta natural propensão, para o “bem e muito comer”, terá sido a razão primeira, que os levou a guardar conhecimentos, que usam na prática da arte de bem viver, revelando-se, nesse campo, uns “desinteressados professores”.

Os seus “depósitos de abastecimento”, são uma ajuda preciosa no manter do “título de bons garfos” e, cada refeição, tem de merecer a classificação de “bem aviada e melhor acompanhada”, não desmerecendo a sua atenção pelo que junto das “confrarias”, foram aprendendo.

Despejada a travessa, limpo o prato, a “ferramenta”, é colocada na posição convencionada e é hora, do café e da bebida “especial”, escolhida a gosto e a preceito, sem preocupação com o seu custo e assim se conclui o repasto.
Claro, que, para se justificar a “despesa”, terá de se encontrar um motivo, que justifique o reunir e, nada melhor, que se juntar uns papeis, inventar um assunto, alusivo a qualquer coisa, que se relacione com o “correr mundo”, espalhando a “chama da solidariedade”, para com o próximo. “Hoje para ti, amanhã, para mim e, quase, sempre para mim…”

A conta, é tida como uma compensação por tanto “sacrifício no atenuar do sofrimento dos outros” e, por isso, não é/será problema de monta, a “casa” paga. Quem sabe se, ao empregado, servidor atento, não é dada uma “gorjeta” de valor assinalável. “O dinheiro até nem é deles”.
Terminada a “missão”, as conclusões que as tire quem quiser, é feito o regresso a casa, bem nutridos, de consciência “limpa”, sem preocupações com as despesas, pois, se dinheiro faltar na casa, há quem o dê ou abone e quem o fica a dever, são os outros, os “sacrificados”.

E assim vai acontecendo, com desusada frequência e com alguns cuidados físicos, por que não convém ser sempre carne, nem sempre peixe… Umas “corridinhas, umas passeatas e umas caminhadas”, equilibram o físico e auxiliam a digestão.

Nós escrevemos e se encontrar algures uma qualquer semelhança, com qualquer caso parecido/conhecido, é pura coincidência.

Florindo de Oliveira Pinto
Fernando Pereira Pinheiro

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