Opinião

Juventude e Inserção – Sérgio Lamarão Pereira

Existe um aspeto fundamental em relação à forma como cada indivíduo se insere na vida e posterior colaboração na sua transformação. O meio privilegiado para um processo evolutivo passa fundamentalmente por um processo educativo. Uma permanente aprendizagem num processo sempre inacabado.

Valores desafiados, reavaliados e sempre ousados por quase todos aqueles que ousam permanentemente desafiar a vida e o mundo na sua totalidade. Os que colocam sempre um simples: Porquê? Alguns para quem um “não”, não se afirma como suficiente, por isso desafiam constantemente regimes e oposições. São estes que fazem cair máscaras e destroem pressupostos. Exploram e desafiam tudo aquilo que ficou a descoberto na essência do problema, existindo, na verdade, um grande problema: o facto de novos seres surgirem no mundo através do nascimento e tudo o que isso representa: novas perspetivas de vida, novos valores.

Por fazerem parte de um mundo onde nem sempre são bem recebidos são, por vezes, vítimas de todo o tipo de coações. Falo das crianças. Falo dos jovens do presente e dos homens de um amanhã que se pretende fraterno e humano na sua totalidade. Daqueles para quem uma determinada educação faz toda a diferença. A diferença entre o bem e o mal, em sociedades alienadas da sua verdadeira essência: uma salutar convivência entre os homens. A antítese entre pessoas com sentimentos e simples imagens.

Afinal, são estes os “estranhos” que connosco se cruzam nestas imponderabilidades da existência. Seres a quem alguns regimes não deixaram ser crianças. Tantos outros que ficaram para sempre crianças em virtude de não terem desenvolvido as respetivas competências.

É na autoestrada do conhecimento e após a passagem por diversas portagens, que os gestores de um amanhã se vão refinando no campo do saber, estabelecendo a passagem de um ensino generalizado para outro cada vez mais especializado. O que anteriormente satisfazia a curiosidade perante o mundo e a novidade em relação à vida, mais tarde e através de uma maior e constante especialização, vai servir de inserção no mundo, através de uma atividade profissional. O nascimento é, de facto, um fator determinante para a continuidade do mundo.

Para preservar o mundo da mortalidade dos seus habitantes e do que isso implica, é necessário restabelecê-lo de forma permanente. O problema é saber como educar de forma que essa recolocação possa ser possível. Colmatar, não se baseia apenas no nascimento. Acima de tudo é um processo lento e gradual de inserção e de proximidade.

Ovar, 08 de agosto de 2020
Sérgio Lamarão Pereira*

*escreve com o novo acordo ortográfico

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